domingo, 31 de julho de 2011

Buvons!

Olá pessoal! Mais uma semana recheada de acontecimentos interessantes aqui em Mumbai - Maharashtra - Índia. Estou com minha nova moradia ficando cada vez mais ajustada, pra falar a verdade falta apenas contratar um serviço de internet bom e voltar a baixar meus seriados e filmes. Como parte desse ajuste, após pegar um ônibus e um rickshaw para chegar no trabalho na segunda-feira, resolvi me informar do ônibus que passa muito próximo de onde moro (basta eu descer uma ladeira) e me deixa no mesmo lugar. Então nesse mesmo dia eu paguei a taxa mensal e utilizei esse ônibus. Muito prático, agora vou e retorno nele sem precisar me espremer em algum ônibus lotado ou trem onde sempre tem algum indiano que não passa desodorante.

Falando nisso, houve um dia nessa semana que eu estava escovando os dentes após o almoço e havia um funcionário me olhando com uma cara muito estranha, como que achando um absurdo aquilo. Ele me falou algo em hindi que eu não entendi, mas pelos gestos ele estava me sugerindo usar um simples enxaguante bucal ou coisa do tipo. Bom, eu num estou nem um pingo aí pro que os outros pensam e continuo escovando meus dentes depois de todas as refeições, inclusive depois do lanche das 5 e meia.

No outro dia eu tive uma resposta mais clara do porque daquele homem ter achado estranho. Eu estava mais uma vez escovando os dentes, mas dessa vez acompanhado de um dos meus colegas de escritório. Ele estranhou e perguntou 'o que você tá fazendo?', eu respondi 'escovando os dentes?', ele respondeu 'porquê?', eu respondi 'acabei de comer?', ele respondeu 'mas você só precisa fazer isso quando acorda pela manhã'. E assim, sem que ele tivesse noção do 'PUTA QUE PARIU' que meu pensamento gritou eu respondi 'eu sou acostumado a escovar após toda refeição' (de maneira bem polida e calma, pra não evidenciar minha consternação), e ele me respondeu rindo 'a legal, curta aí sua escovação de dentes'. Ou seja, é por isso que eu vejo milhões de indianos com dentes horríveis, com placa e todo tipo de doença bucal. E outra, até hoje num vi um único indiano de aparelho! Eu não vou aderir a esse costume e muito pelo contrário, todo indiano que me perguntar por que eu estou escovando os dentes, eu vou de forma bem humorada incentivá-los a escovar os dentes depois das refeições.

Enfim, não lembro exatamente se foi na terça ou na quarta, mas tenho que contar esse fato. Eu estava muito feliz e contente porque agora eu pego um ônibus que me pega e deixa em casa praticamente e eis que inventaram uma reunião... ou seja, tive que perder o ônibus e ficar entre pegar o trem logo ou esperar até o segundo horário do ônibus. Optei pela primeira opção já que tem uma menina no escritório que não contratou o ônibus, mas mora no mesmo prédio que eu. Fui com ela de trem. Não foi a primeira vez que eu fui com ela e com um cara que eu tenho quase certeza que é o namoradinho dela. Mais uma vez ela ficou conversando com ele em hindi, só que de uma forma que eu não gosto, porque eles se comunicam em hindi pra que eu não entenda, e eu percebi que mais uma vez ela estava falando de uma garota do escritório (a Aditi, que tá ficando muito amiga minha) e eu. Não sei se ela sabe, mas eu psicopaticamente falando, estudei expressões faciais no meu trabalho de conclusão de curso e sou viciado em 'Lie to me' (um seriado sobre isso). E, segundo meu estudo, a comunicação é feita através do diálogo e de outros meios pra que o sistema seja robusto de tal forma que agente consiga informações que um dos canais não tenham transmitido (tom de voz, expressões faciais, gestos, etc.). Blah, blah, blah Leonardo pare de se achar o cientista!

Enfim, eu posso não saber hindi, mas encaixando a informação de cada canal (a risadinha dela, o tom de voz, as palavras em inglês aleatórias que eles usam) eu percebi que ela devia tá falando alguma coisa de menina, do tipo se a Aditi me achou bonito, ou qualquer outra coisa. E pra piorar, eu tenho certeza que o namoradinho dela pensa que eu sou um desses gringos lesos, sabem, assim como brasileiro se acha muito esperto, eles também se acham, mas francamente... brasileiros são mais espertos, entendam porquê. Eu, como sempre me fazendo de besta disse 'ah eu sei do que você tá falando!', aí ela com expressão de espanto 'sabe??', 'e do que agente tava falando??', eu respondi 'ah, se Aditi tá pegando o mesmo ônibus que eu!', ela respondeu 'não não, agente tava falando de outra coisa'. Ela riu, o suposto namoradinho dela riu, aquele riso de deboche sabe? Com certeza ele deve achar que eu sou bestão e ela também, só que, eu consegui saber exatamente o que queria. Porque eu desconversei de propósito, a cara de espanto dela, seguida da cara de alívio por saber que eu não sabia o teor da conversa me deu a informação de que eu realmente soube o teor da conversa, entenderam? Eu consegui saber que ela tava falando coisa de menina, algo do tipo se a menina do escritório tá afim de mim, sei lá. Mas tanto ela quanto o cara nem sonham, e ainda acham que sou bestão. Ou seja, perfeito. Aliás, eu ainda tenho que contar o quanto é moleza dar uma de joão sem braço aqui na Índia, todo mundo pensa que estrangeiro é besta... tadinhos, brasileiro é brasileiro.

Enfim, a outra novidade é que eu dirigi um tata nano! Sim, o carro mais barato do mundo! Custa cerca de R$5200, tem um espaço interno muito pequeno, mas pelo preço? O carro é muito legal, sério! Eu dirigi me acabando de rir porque a direção aqui na Índia é com o motorista do lado direito. O mais legal foi na hora que o instrutor do test-drive pediu pra que eu desse seta pro lado. Eu acabei ligando o limpador do para brisa! Porque até isso é ao contrário! Vocês precisavam ter visto minha cara de felicidade. Eu tava igual um pinto no lixo. Porque eu nunca pensei que um dia fosse dirigir um carro onde o câmbio fica na mão esquerda.

Agora só falta eu dirigir um rickshaw. Eu já observei bastante e descobri como dirigir um (eu acho). O pedal único que fica na direita é o freio, o lado direito do guidão é o acelerador (igual acelerador de moto), o lado esquerdo do guidão é a embreagem (você solta pra sair com o rickshaw, e aperta pra trocar de macha) e gira pra baixo pra trocar de macha. Agora só falta roubar um! (Relaxe aí Mamis, eu tenho juízo, não quero começar uma guerra Brasil-Índia porque um brasileiro resolveu roubar um rickshaw!).

Bom, no mais provei aqui e ali comidas que pus no facebook. Mas, até agora nada de achar algo realmente gostoso (tirando o grão de bico que tava bom mesmo). Um dia eu encontro! Bom, na quinta-feira eu fui pro D-Mart em Powai comprar uns biscoitos, cereais e leite (como eu já disse pra Mamis quando eu tinha 5 anos, que um dia eu iria trabalhar pra comprar biscoito pra mim e pros meus filhos! O incrível é que esse objetivo de vida não mudou em quase 20 anos!). Eu fui de rickshaw. O problema foi a volta, começou a chover e rickshaw nenhum queria levar seu ninguém! Eu passei mais de meia hora esperando e resolvi ligar o foda-se. Peguei o google maps e voltei andando. Ele me dizia que minha casa estava a cerca de meia hora de caminhada. É aí que a lei de Murphy se aplica não é? Nem tava chovendo essas coisas todas quando eu fui, mas na volta? Parecia que o dilúvio estava por vir! Após travar uma batalha épica com aquela chuva que teria afundado minha Aracaju duas vezes eu cheguei no meu apartamento com biscoitos, cereais e leite! Missão cumprida! Por sinal tem um biscoitinho aqui com uma geleia vermelha no meio, putz, eu tenho que comprar mais desse!

Na sexta-feira eu estava pra receber a visita do Eliabe e da Gabriela, dois brasileiros. Então resolvi comprar o mé porque ninguém é de ferro né!? Eis que a lei de Murphy é cruel como sempre. Na hora que eu piso na rua cai um toró pior que o do dia anterior... mas era pra comprar o mé né, agente tem que fazer uma forcinha. Quando deu mais tarde os dois brasileiros me ligaram pra ir onde eles estavam porque tava um engarrafamento enorme. Vi o primeiro acidente realmente feio em Mumbai, tinha um carro todo amaçado na pista. Então, como eu já tinha bebido em casa eu fui andando até encontrar eles numa Pizza Hut (google maps pra chegar lá, é claro). Encontrei eles e fomos até um hotel muito chique pro lado do aeroporto internacional. Lá casal entrava de graça. Eu tava sozinho, o Eliabe e a Gabriela já tinham entrado porque eu tinha ficado no caminho conversando rapidamente com duas americanas amigas nossas. O segurança falou comigo e perguntou se eu ia pagar pra entrar ou se eu estaria acompanhado. Eis que eu dei uma de joão sem braço né. Peguei o telefone e falei 'um momento, é que eu acho que minha menina já subiu com meu amigo que tava acompanhado, deixa eu ligar aqui no celular...'. Aí fiz uma cara de preocupação porque o celular num atendia e o segurança achando que eu tava sendo sincero deixou eu entrar. Feito!

Eu nunca fui muito malandro não, mas em terra de cego quem tem olho é rei! O africano se acaba de rir com minhas armadas pra driblar o jeito enxerido de ser dos indianos que perguntam até com quem você está falando no celular. Absurdo né? Mas eu sempre desconverso. Um exemplo foi quando eu tava no escritório falando com uma menina no chat da empresa e meu colega do lado viu a janela dela minimizada. Ele falou 'fale com ela pra ela vir aqui, quero falar com ela!' e ficou ali do meu lado olhando meu monitor doido pra que eu abrisse a janela e ele visse o conteúdo. Que fiz? Disse 'um minutinho, deixa eu terminar aqui uma coisa'. Fiquei mexendo em coisas nada haver até que ele virou pro lado. Nessa hora eu fechei e abri de novo a janela da menina, assim a janela ficou vazia. Aí eu com a maior cara de bestão 'Ah sim! Vou chamar ela agora.'. Eu percebi a carinha de frustração dele quando viu que num tinha nada pra ele ver. E ele nem desconfiou do que fiz! Enfim, hoje eu tô inspirado não? Mas os preguiçosos que me perdoem, estou aqui pra falar mesmo!

Voltando ao hotel chique. Dançamos um bocado. Eu, Eliabe, Gabriela, um cara e uma menina da Tunísia, duas meninas dos EUA (por incrível que pareça as duas são muito bonitas de cara e de corpo), um negão da Uganda e uma menina de algum país europeu que eu num lembro. Nada demais aconteceu e fui pra casa de rickshaw com os dois brasileiros me acompanhando.

No sábado recebi a visita mais uma vez do nosso novo amigão, o peruano Fabricio e sua namorada russa a Alia (acho que é isso). Foi muito legal mais uma vez. Agente escutou System of a Down e descobri que eles ouviam as mesmas músicas na mesma época que joguei Counter Strike na lan house (lá pelos idos de 2002). Falei um pouco de Dota e outras coisas. Até me perguntaram se eu joguei Golden Axe do Mega Drive. Foi muito engraçado mesmo saber que eu tive uma adolescência praticamente igual a de um peruano e de uma russa. Globalização né Brasil guaranil! Eu sei que o peruano, que é fanático por futebol, ficou louco com o vídeo que mostrei no youtube da última partida entre Flamengo e Santos na vila Belmiro (ver os melhores momentos desse jogo me deixou com uma saudade absurda de assistir futebol, e olha que sou corinthiano roxo, mas que partidaço foi aquele!) . Daí fomos para uma balada na casa do caralho! Depois de Churchgate... Eu achei meio entendiante, desde que nem sou muito fã desse tipo de balada, e aqui na Índia baladas são chatas. Você vê indianos lesos mais velhos do que eu fazendo coisa de guri de 12 anos. Tá, eu sei, cultura, cultura... Mas eu já tava ficando entediado! Bom, nada demais aí a não ser agente voltando de taxi e eu falando um espanhol absurdo com o peruano. O engraçado é que eu até falo direitinho lembrando o que eu sei de quando aprendi no colégio, mas num consigo entender quase nada do que o peruano fala, ele fala muito rápido! Mas eu ri um absurdo, até agente xingando o taxista de todos os nomes porque ele queria cobrar mais do que devia. Muito divertido falar portanhol com ele.

No domingo fui num restaurante chinês muito bom, Mainland China. Os cozinheiros são chineses, ou seja, comida chinesa legítima. O ambiente é muito sofisticado e a comida nem se fala. Foi a melhor coisa que comi aqui! Sério, esses indianos têm que aprender a cozinhar com seus vizinhos chineses! Acho que até carne de cachorro deve ficar gostoso na mão deles! O meu colega de apartamento africano morreu de rir quando eu falei que eles deviam aprender a cozinhar com os chineses porque ele odeia a comida indiana. Eu to tentando provar de tudo, tudo mesmo, mas realmente tenho achado a comida indiana não lá essas coisas... mas é opinião pessoal, que fique bem claro!

Bom, depois de ter redigido essa redação enorme, espero que todos vocês pacientemente tenham lido e curtido! Adoro seus elogios e críticas, continuem lendo o blog e espero que vocês estejam sentindo como se estivessem fazendo essa viagem comigo, até mais!

domingo, 24 de julho de 2011

É o mundo


Olá pessoal! Vamos a mais uma semana em Mumbai! Na segunda-feira nada demais a não ser uma criaturinha que estava sentada no banco da frente no ônibus em que eu estava. Uma menininha que não parava quieta e ficava cantarolando o alfabeto ocidental em inglês de um jeito tão bonitinho que eu já estava vomitando altos arco-íris com aquilo. A criaturinha acho que era uma das crianças mais bonitas que já vi na Índia (é pessoal, aqui tem muita gente feia, perdoem minha sinceridade se algum indiano sabe português ou se está usando o google tradutor de alguma forma pra ler isso aqui), pensem, pele bem escura, cabelo absurdamente liso e mais absurdamente ainda preto, do jeito que é o esteriótipo das garotas mais velhas que acho bonitas aqui. Falando nisso às vezes no meio de milhões de meninas magras, sem bunda e esquisitas, vez em quando vejo umas com o esteriótipo dessa garotinha e com um tipo de olho que eu nunca vi no brasil de maneira alguma, é um tipo de castanho muito claro, às vezes até penso que é lente de contato, pra ser possível aquilo.

Enfim, algo que quero acrescentar neste blog é um pequeno puxão de orelha nos brasileiros. Olha, eu vi a garotinha cantando muito bem todas as letras do alfabeto em inglês e além disso, todo lugar que você vai sempre tem alguém lendo algum jornal em inglês. Muita gente, mas muita gente mesmo ou fala inglês (tá, tudo bem, com um sotaque horrível, às vezes me estresso por não conseguir entender) ou ao menos têm noções básicas de inglês (calma, eu posso estar enganado já que estou em Mumbai, a 'São Paulo' da Índia, num é a capital, mas as coisas acontecem aqui primeiro). Já no Brasil eu acho o cúmulo quando alguém faz o comentário do tipo 'Que chique! Você fala inglês!', pessoal, vamos mudar essa mentalidade! Falar outras línguas não é uma questão de querer ser melhor, mais importante ou para se exibir. É questão de querer ser um cidadão mundial!

Saber falar inglês e outras línguas faz você ser capaz de dividir experiências com pessoas que, caso você não souber falar pelo menos inglês, nunca iriam conhecer você, rir com você ou questionar as coisas da vida, como fazemos com nossos amigos. Então, peço a quem tem a oportunidade de aprender inglês, espanhol e as outras línguas (mas, por favor, no mínimo o inglês), leve a sério! Eu fico chateado porque isso já começa de criança, as escolas não aplicam um método para que você saia da escola capaz de se comunicar em inglês, ou seja, um grande desperdício de tempo e dinheiro! Porque não faz sentido, dá tempo sim, se ensinassem direitinho desde criança, no fim do terceiro ano do ensino médio qualquer pessoa seria capaz de falar em inglês. Não digo ser um falador ou escritor perfeito, eu mesmo passo longe disso, mas pelo menos o suficiente para se virar!
Eu lembro que em toda minha vida escolar, apenas no segundo ano do colégio que eu estudava, houve uma aula que o professor passou um texto de revista em inglês para agente explicar em português mesmo o que entendeu do texto. Cara! O que teve de colega meu cdf que tirava notas muito melhores que eu e que foram incapazes de descrever o que tinham lido de forma natural, como se tivessem lido em português, foi impressionante!

As pessoas não acreditam em mim até hoje que eu aprendi inglês jogando video-game, sério! Eu peguei um desses jogos de RPG (final fantasy 7), tomei vergonha e fui lendo as falas e aprendendo muitas palavras pelo contexto. Minhas notas de inglês no colégio deram um salto! Mas estou pagando o preço disso até hoje, já que aprendi a falar errado um bocado de palavras e meu sotaque é muito carregado. Porém, estou melhorando bastante! Antes de vir pra Índia assisti muitos seriados sem legenda até conseguir ter um nível de escuta aceitável (mas, eu comecei com seriados com legenda em inglês, vamos lá pessoal, é só uma questão de ir evoluindo a cada passo!). Então pessoal, só pra encerrar esse puxão de orelha e voltar à experiência Índia, por favor, aprenda inglês se você tem a oportunidade, não é esse sacrifício todo, eu aprendi me divertindo, experimentem ler textos em inglês, use o google tradutor quando não conseguir pegar a ideia toda no texto, não se preocupe se você não sabe todas as palavras, mais tarde aquela palavra vai fazer tanto sentido que você às vezes num vai saber nem como traduzir ela pro português. Quando isso acontecer é justamente quando você começou a aprender uma outra língua de verdade.

Enfim, na terça-feira eu me mudei para onde estou morando. Em Kanjur Marg, muito próximo de Powai (aquele lugar bacana de Mumbai onde temos calçadas amplas e ruas limpas). O apartamento é bem legal, tem tudo que preciso e tem uma boa aparência. Na rua tem mercearia, lavanderia e mais ou menos há uns 500 metros tem uma dessas lojinhas que vendem mé e o incrível suco de cevadis indiano! A cervejinha Kingfisher! Que, como já disse, não é lá essas coca-cola toda, tem 5% de álcool e é da mesma marca de uma companhia aérea. Eu acho que já contei isso aqui, mas imaginem, que legal, cerveja da TAM! Estranho seria, não? Bom, tenho onde lavar a roupa, onde dormir confortavelmente e onde comprar o mé. Então agora posso viver os próximos 11 meses na Índia, só preciso sobreviver à saudade absurda!

Sério pessoal, eu nunca soube o que é saudade até hoje! Tudo bem, se eu tivesse viajando e voltasse mês que vem, nah, minha mãe sentiria saudades, mas eu ficaria tranquilo, mas cara, é um ano! Muita água rola por debaixo da ponte em um ano! Acho que saudade é isso, toda vez que eu escuto músicas ou passo por situações que lembrem qualquer pessoa, seja meus pais, irmãos, amigos ou alguma das garotas que volta e meia povoam a minha mente, eu sinto bem mais forte aqui. Enfim, vamos voltar ao que interessa a vocês!

Voltando ao assunto apartamento. Estou dividindo o apartamento com Tiburce, um africano de Benin. A língua materna dele é francês. Ele é bem legal e tranquilo de conviver, já conversamos sobre como fazer esse apartamento funcionar direito, já definimos regras e estamos indo bem. O mais legal é que no sábado ele falou no facebook dele, em francês, claro: 'o Leonardo do Brasil diz que eu só preciso falar português pra ser brasileiro, já eu digo que ele é praticamente um africano!'. No mais, pretendemos trazer mais 2 pessoas para dividirmos a conta no fim do mês. É tranquilo, cabe esse povo, meu quarto é espaçoso e o apartamento tem 2 quartos e 2 banheiros, ou seja, meio quarto e meio banheiro pra cada, tá massa!

Bom, na quarta-feira e quinta-feira, nada muito relevante aconteceu a não ser as comidas aqui e ali que mostrei no facebook. Eu sei que por enquanto, sobre a comida indiana eu digo que não encontrei ainda nada que eu possa dizer 'nossa, faço questão de lá no Brasil ir ao shopping comer isso num restaurante de comida indiana!', porque assim, apimentado por apimentado, prefiro comida mexicana! Tá, eu ainda não fui no México provar comida original, o que tenho como referência é o Mexicano da rebiboca da parafuseta lá pro lado do aeroporto em Aracaju, o Texmex lá em Salvador e uma lanchonete mexicana onde comi lá em Curitiba. No mais, nada aqui ainda me empolgou muito, mas eu continuo provando de tudo, porque é sempre bom ir experimentando as coisas, vai que eu encontre algo realmente gostoso! Foi assim que descobri sushi e fiz amigos que diziam que não queriam comer sushi, sem nunca ter comido, e que agora comem e adoram!

Na sexta-feira recebemos a visita do 'landlord' (essa palavra pra mim sempre soa estranha, muito estranha, porque ao pé da letra seria 'senhor das terras', putz). Tentei parecer ser um cara sério e centrado, até 'I acted like armless John' (seria assim em inglês?) dizendo que eu tenho uma noiva no Brasil, só pro cara num desconfiar que algum dia eu vá transformar o apartamento dele num cabaré. Resolvemos todas as documentações e taxas e agora eu oficialmente tenho um cafofo na Índia. O dono do apartamento aparentemente gostou da gente (eu e o Tiburce somos ótimos atores!). Depois disso fomos comer um Chicken Maharaja Mac, porque não? O legal é que eu fui liberado e não precisei ir pro trabalho. Então, fui na lojinha, comprei umas cervejinhas e fui estudar alemão, sim! Se beber não dirija, se for beber estude línguas! Tudo flui melhor, meu inglês fica uma beleza, eu lembro de uma vez eu ter esquecido que tinha prova no outro dia, e que uma amiga minha só foi me lembrar umas 8 da noite na sexta, e a prova era sábado, pois! Eu fui pro bar com os exercícios e fiz tudo tomando cerveja e comendo amendoim. Tirei 9,5.

No sábado eu tive que ficar de castigo no apartamento esperando o marceneiro vir concertar a porta do quarto do Tiburce. Então almocei um incrível Cup Neodles sabor galinha caipira que trouxe do Brasil. Mais tarde fomos no R-city Mall em Ghatkopar. O plano era de lá irmos pra Andheri pegar um trem para ir num tal de Blue Frog. Uma boate onde supostamente estariam o pessoal do ACE Program. Mas quando eu vi no maps onde ficava... cara, ficava onde Judas perdeu as botas, um pouco depois da Puta que pariu fazendo o retorno na caixa prego, isso sem esquecer de cortar caminho na casa do chapéu! Ou seja, muito além da casa do caralho (fica depois de Churchgate, lembram aquele lugar lá do outro lado de Mumbai?). Além disso, se você chegasse lá após as 9pm você teria que pagar 500 Rs. (R$17,50). Pra encerrar duas da manhã e ter que pagar 300 Rs. (R$10,50) por cada garrafinha de cerveja? De jeito nenhum! Eu tenho uma coisa chamada juízo. Oxente, tá com a porra? Olhei pro africano e disse: 'bora pro ap, você chama alguém aí e agente toma umas cervejinhas por lá mesmo'.

Recebemos a visita do peruano Fabricio e de sua namorada da Rússia, esqueci-o-nome-delóvisk. Pessoal, foi muito legal conversar com esse povo. Imaginem, um brasileiro, um africano, um peruano e uma russa, todo mundo conversando e se entendendo. Nós, enquanto bebíamos (sacrifiquei um pouco da minha cachaça, minha 51, que trouxe, que por sinal o peruano disse que custa U$20,00 no país dele!) conversamos sobre o que pensamos sobre nacionalidades, sobre o povo indiano, sobre como às vezes eles fazem perguntas indiscretas como 'onde você está indo agora?', 'com quem você estava falando no telefone' ou, pior ainda, 'quanto você está ganhando por mês?'. É, pessoal, qualquer hora eu perco a paciência e mando um 'it's none of your business, sorry' ('desculpe, não é da sua conta'), mas por enquanto eu uso a técnica do 'act like armless John' e desconverso. Mas o ponto principal da conversa foi que chegamos ao consenso de que fazemos parte de uma camada da juventude mundial que está tendo oportunidade e que está convergindo para um tipo de pensamento. Pra mim foi de arrepiar ver aquelas pessoas dividir pontos de vista tão parecidos com os meus, de ver a vida de um jeito muito próximo, como se tivessem vindo do mesmo país. Todos falaram de seus governos corruptos, da pobreza em seu país, dos que têm e dos que não têm oportunidade. Pra mim o especial dessa experiência está sendo isso. No escritório eu vi uma situação que me deixou revoltado por dentro, eu realmente queria ter dado uma bronca nessa pessoa. A situação foi que uma menina viu meu facebook e viu que tinha um comentário do meu pai, e ela disse 'ah legal, põe no perfil do seu pai pra eu ver ele!' sem nenhuma maldade, aí o cara pergunta 'ei, porque você quer ver o perfil do pai dele?' e ela respondeu 'do mesmo jeito que eu iria querer ver o do seu se eu tivesse acabado de conhecer você, qual o problema?', eu só concordei com ela, mas eu queria ter feito mais, eu queria ter dado um sermão, porque a sociedade indiana ainda tá naquela fase muito hipócrita, eles têm uma coisa de se meter na vida das pessoas, de opinar e de querer separar coisas para homens e coisas para mulheres, isso está mudando, eu sei, aqui em Mumbai, mas ver um cara da minha idade com esse tipo de pensamento? Ele é um dos culpados pelo atraso. Eu contei essa situação pro pessoal no apartamento, e eles concordaram plenamente, então fiquei muito feliz, não é minha visão de brasileiro, é a visão de alguém que já sentiu o gosto da liberdade plena, como todos nós dessa camada social que temos não só no Brasil, mas em muitos outros países.

Bom, no domingo eu pedi pizza por telefone, uma namoradinha indiana do Tiburce veio e cozinhou algo picante (sério?) pra agente e eu resolvi vir e escrever para vocês! No mais, pessoal, tirando a parte da saudade, eu realmente estou numa experiência especial e estou na minha cabeça conseguindo fazer distinções como: opinião própria, opinião da minha cultura e opinião humana. Essa opinião humana é a parte que está me deixando feliz, porque, obviamente eu tenho minhas diferenças com esse povo todo tanto pela minha orientação cultural, como pela minha própria personalidade. Mas eu sinto uma felicidade muito grande de ver opiniões que apontam para o caminho da sociedade que tem liberdade plena e que prega respeito, mas sem exageros, sem repressões. Pessoal, vocês que estão lendo isso aqui também fazem parte dessa camada! Eu sei disso, vocês têm o acesso. Aproveitem e façam sua parte! Até mais!

domingo, 17 de julho de 2011

Achei um flat e dormi num colchonete

Olá pessoal! Após ter dormido relativamente cedo para uma sexta-feira-a-noite, mais uma vez, eu tive que acordar cedo no sábado para ver a questão do flat aqui em Mumbai. Na sexta-feira o Tiburce (um africano de Benin, país que fica entre o Togo e a Nigéria), que por sinal como todo africano (julgando os que conheci na conferência) odeia quando alguém pergunta logo de cara se ele é da África do Sul, da mesma maneira que nós nordestinos odiamos quando alguém do centro-sul do país já vem perguntando de somos bahianos ou cearenses (alguns ainda por cima perguntam, 'sergipe?'), enfim, acho que consegui descrever o sentimento deles né? Fomos encontrar o corretor (um baixinho com bigodinho de pedreiro, como muito indiano por aí) em frente ao D-Mart em Powai.

Esse bairro chamado Powai fica abaixo da floresta que atravesso para ir de Bolivari a Thane, mas fica muito mais perto de Thane que Bolivari, então eu me interessei em achar um apartamento por ali. Além disso, pessoal, Powai é muito massa! Calçadas largas, prédios bonitos, limpeza! É um lugar realmente arrumadinho, apesar de que em um quarteirão aqui e ali temos em terrenos baldios favelas como sempre. Mas a aparência é muito acima da média do que vejo por aí em Mumbai (até onde vi né, lembrem-se, isso aqui é maior que São Paulo). Após ter ido para o D-Mart errado porque o google maps acusava 2 e vocês sabem a lei de Murphy né? Eu chutei que ele estaria no outro e não no que o motorista do rikshaw havia me deixado (pra falar a verdade foi lerdice minha, porque o motorista do rikshaw tinha me deixado no D-Mart certo e eu só fui perceber quando voltei do outro, que fica há uns 20min de caminhada). Enfim, encontrei o Tiburce lá, pelo menos as voltas que dei deu tempo pra isso.

Encontramos o 'broker' (corretor, que por sinal meu cérebro sempre imagina algo como 'quebrador' invés de corretor) e fomos visitar um apartamento. Bom, não gostamos do apartamento, não valia a pena. Porém o corretor disse que havia um outro bem melhor pelo mesmo preço, mas que nós o encontraríamos às 6h da tarde. Decidimos então visitar um colega do ace program, o Fabricio do Peru. O apartamento era bem próximo dos que olhamos, mas milhões de vezes melhor, tipo, da água pro vinho. Ficamos conversando com ele e de lá resolvemos ir pro R-City Mall em Ghatkopar, o mesmo shopping que fui semana passada para encontrar o pessoal que estava atrás de apartamento também semana passada, lembram? Almoçamos e lá encontramos um grupo do pessoal do ace program! Duas americanas e duas pessoas da Tunísia (aquele mesmo cara que dividiu o quarto comigo no hotel da conferência e a outra pessoa é uma menina) e almoçamos com eles.

Após o almoço fomos para o apartamento do cara da Tunísia. Conversei bastante com o pessoal que mora lá e depois fiquei assistindo Big Bang Theory que tava passando na tv. Estranhamente eles passam 2 episódios e logo em seguida os repetem! Bom, enquanto isso o Meher (esse cara da Tunísia) foi cozinhar uma comida típica do país dele. Às 6h da tarde eu e o Tiburce visitamos o outro apartamento que fica em Sun City, já no finalzinho de Powai. Muito legal o flat e decidimos ficar com esse, já que em Mumbai a disputa é enorme e você acaba perdendo uma oportunidade facilmente.

Depois disso, após voltar pro apartamento, eu, o Fabricio e mais um amigo dele também do Peru fomos comprar algumas cervejas numa dessas lojinhas que apenas vendem bebida. Aqui na Índia é assim, não há birita nos supermercados nem em lugar nenhum, a não ser em hotéis e restaurantes chiques. Para beber relativamente barato você tem que ir numa lojinha dessas. O mais legal é que por incrível que pareça eu estou na Índia aprendendo um pouco de Espanhol! Uma língua que nunca tive muita vontade de aprender, mas agora me arrependo de não ter investido, porque iria ser legal conversar com esses caras em espanhol. Tá, interrompendo um pouco a história, eu filosofei hoje enquanto andava num rickshaw que saber uma língua que as pessoas ao redor não sabem é um recurso muito bom em certas ocasiões e tive a ideia louca de que cada grupo de amigos deveria ter um língua própria, porque é como se você transmitisse uma mensagem pra outra pessoa quase que por telepatia, a mensagem só chega a quem te interessa! Tá certo que na verdade é sacanagem e você acaba excluindo pessoas no ambiente da conversa. Mas que é muito útil dependendo da situação é!

Enfim, compramos as cervejas praticamente quentes e voltamos. Lá comi a comida que estava boa, mas extremamente picante. Sim, realmente picante! Mais picante que a comida mais picante que eu comi até agora na Índia. É, entendam, eu comi uma comida típica da Tunísia na Índia, cada dia aqui é uma caixinha de surpresas mesmo! Ah, e vou atender às pessoas que andam me pedindo pra tirar foto das comidas, farei isso! No mais, cara... tava tão picante que eu comecei a soluçar. Então mandei junto com a cerveja quente. Por incrível que pareça meu estômago não reclamou dessa combinação exótica. Agora, constatei uma coisa, o pessoal lá tomando uma garrafa sozinho de 650ml de cerveja quente! Tipo, não que eles sejam cachaceiros, mas pra esse pessoal a ideia é você só tomar uma garrafa de cerveja quente e pronto. O que eu tive que explicar é que aquilo é bastante absurdo na cultura brasileira (de forma bem humorada, claro, mas por dentro eu estava revoltado, sério!). Eu expliquei que no Brasil (sim, isso vai soar óbvio pra vocês), compramos uma garrafa de 650ml gelada, quase empedrando, e tomamos em copos, geralmente dividimos com todo mundo na mesa. Aí eu entendi porque eles estranharam tanto eu ter comprado mais de uma garrafa.

Após esse jantar bem apimentado (na verdade eu fui no banheiro e bochechei bastante água pra amenizar). Eles me convidaram a ir numa boate não muito longe e dormir no apartamento. Também foram muito legais e me emprestaram uma toalha limpa pra que eu pudesse tomar um banho (eu, como um bom brasileiro que gosta de estar bem cheiroso e não-preguento agradeci loucamente). Pegamos o rikshaw e fomos nessa boate tranquila e vazia (que bom, terroristas não atacam lugares vazios como aquele, relaxe aí Mamis!). Dançamos e tomamos umas cervejinhas lá (geladas, como devem ser). E encontramos mais pessoas do ace program. O que já percebi é que todos do ace program são como um bom grupo de amigos, todos gostam de sair juntos e se enxergam como pessoas vindas do mesmo lugar (o que é verdade, somos todos terráqueos!).

A festa acabou às 2h da manhã! O que principalmente pra mim, os sul americanos e as americanas, achamos um absurdo! Na minha cabeça pensei 'velho! 2h da manhã eu tô com meus amigos na mesa do escondidinho lá em Aracaju pensando em pedir polenta frita, ah, e mais uma heineken bem gelada, por favor!'. Então entrei no rikshaw com um dos peruanos. Estava chovendo (sério?) e pedimos pro motorista ir pro R-city Mall que não era tão longe dali (pros padrões aracajuanos é até longinho, mas pra Mumbai, fica de um bairro pro outro). Só que o motorista nos levou na caixa prego, um pouco depois da casa do chapéu, se bem que eu vi uma placa indicando que dali reto era Bolivari, ou seja, estávamos no rumo certo pra casa do caralho. Ele nos levou pro City Mall. Cara, eu e o peruano 'barriamos' absurdamente, porque o peruano tinha sido bem claro, R-city Mall, o que fazia mais sentido julgando onde estávamos. Aí voltamos aquele caminho todo e quando passamos por um buraco na avenida o rikshaw quebrou (ê beleza!). Eu falei 'puta que pariu!' e o peruano 'puta madre!'. Bom, pelo menos rapidinho passou outro rikshaw e o motorista do que estávamos conversou em hindi pro cara (sim, aqui sempre que um hindi fala em hindi, óbvio, o povo não fica se fazendo de besta como às vezes fazem com nosso inglês, porque muito indiano tem noção básica de inglês já que eles aprendem na escola para se comunicarem com indianos dos outros estados que falam línguas diferentes, não sei se eu já havia explicado isso pra vocês).

Chegamos são e salvos no apartamento do peruano em Powai. Me arrumaram um colchonete e eu dormi ali até meio dia do outro dia. Levantei, vi que os caras estavam dormindo profundamente. Eu não estava nem um pouco afim de esperar eles... levantarem, fazer as higienes, decidirem onde comer, putz! E ainda mais, a bateria do meu telefone tinha acabo de arriar. Ou seja, uma parte de mim também havia acabado de arriar! Dei tchau pra um africano que mora lá e fui embora. Só que, vocês não vão acreditar! Do lado da porta do elevador dava pra ver através do vidro fosco na porta do outro apartamento. Estava rolando um ritual! Havia um cara que aparentava ter uns 20 anos e um senhor, ambos sentados de joelhos como japoneses. Até aí tudo bem, o problema é que havia uma fogueira no meio da sala, sim, um fogueira! Maldita hora pra bateria do telefone arriar! Eu fiquei bestificado vendo o cara colocando uma espécie de óleo e a fogueira aumentando e o apartamento se empesteando de fumaça! Eu pensei 'esse povo é doido, só pode!'.

Bom, peguei um rikshaw pra estação de trem em Andheri, ficava na casa do chapéu em relação ao apartamento. Desci do trem em Bolivari e eu estava faminto. Tão faminto que eu não poderia esperar ir para a acomodação, tomar banho e ter que procurar onde comer às 2h da tarde. O problema é que eu estava rodando em modo offline, ou seja, tive que me virar com a informação que eu tinha em cachê, ou seja, o caminho até o Mc Donalds que fica relativamente próximo à estação. Eu queria e não queria comer outro Chiken Maharaja Mac, mas sabia que havia uns mini shoppings no caminho até lá, então entrei em um deles e comi 2 salgados (um era um sanduíche de frango picante e o outro um pão com frango moído picante com frapê de café e chocolate, uma delícia!). Só que um dos salgados tinha no título 'spicy chicken' (frango picante), mas tava muito de leve o picante, muito mesmo! O que me fez formular algumas teorias, eu pensei 'tá, tudo bem, aqui quando tem dizendo que é picante, é porque é mais picante que a média... será que eu to ficando com a língua indiana, tipo, acostumado? Será que isso não é tão picante assim mesmo ou... será que o negócio mega picante do cara da Tunísia coisou a minha língua e agora eu nem sinto picante direito?'.

Foi revigorante a sensação de energia voltar pro corpo, pois eu já tava era desmaiando de fome, afinal a última coisa que eu tinha comido tinha sido o ensopado mega picante da noite anterior. Voltei pra acomodação, fui no Oberoi Mall em Goregaon, que é relativamente perto daqui, e comprei uma extensão indiana. Aqui as tomadas são de dois ou três pinos, mas o encaixe é algo como se fosse 2x a grossura ta tomada brasileira, mas pelo menos minhas tomadas encaixam nessa extensão. Voltei e chovia muito (não me diga?).

No mais, na terça-feira estou me mudando pro meu flat em Sun City, na borda leste de Powai (há um ônibus que leva 20min~30min até Thane, daquele com ar-condicionado que vem dos céus pra levar Leonardo no trabalho). Estou realmente ganhando gosto por escrever nisso aqui, adoro seus elogios e críticas pessoal!
Namastê!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Chuva, Escritório e Ataques Terroristas

Olá pessoal! Antes de mais nada digo que estou bem, ok? Os ataques terroristas noticiados por todo o mundo aconteceram na região de Nariman Point, Churchgate e Dadar. Eu estou em Bolivari e trabalhando em Thane, então vocês podem colocar todos esses nomes no google maps e irão perceber que eu estou seguro. Antes de voltar ao dia que ocorreram os ataques vamos para a segunda.

Mais uma vez fui para o escritório em Thane. Bom, nada muito diferente a não ser o bolinho verde um pouco doce que me ofereceram. Era bem diferente aquilo, mas pelo menos a coisa tinha exatamente a cor do gosto que aquilo tinha, um verde limão tipo cor de marca-texto. Não sei expressar o sabor, mas a coisa mais próxima que já comi seria limão sem ser azedo.

Na terça-feira tive uma reunião com novatos para entendermos como funciona a empresa, a função da TCS (a empresa indiana em que eu trabalho) com a Chrysler nesse projeto. Agora sei que trabalho na equipe de 'warranty' (garantia). Foi bem interessante a palestra e lá eu conheci algumas pessoas bem legais que têm andado comigo esses dias. A Aditi, a Ellet, a Fatima (sim, por incrível que pareça, já repeti umas milhões de vezes que foi o nome mais fácil de decorar, porque é um nome comum no Brasil!) e um carinha que eu ainda não consegui decorar o nome dele. Enfim, almocei com esse povo e conversei bastante com eles, obviamente voando loucamente quando eles se comunicavam entre eles em hindi. Se bem que na fila do almoço eu dei uma leve impressionada pedindo 2 chapatis (uma espécie de pão) em hindi ('do chapati' ou 'dois chapatis'), mas eu expliquei que só sabia os números por enquanto.

Na quarta-feira eu ajudei nosso amigo colombiano, o John, a ir para Thane e ter a 'induction' (indução) da TCS, a mesma que tive na quarta-feira da semana passada. Enquanto isso novamente almocei com o pessoal . Na hora do lanche, na cantina, eu dei o troco neles enrolando um pouco de espanhol com o John, só pra dar o troco mesmo! Foi bem legal. Deu pra comentar algumas coisas engraçadas. E então já por volta das 7 da noite eu participei de uma reunião onde eles estavam discutindo algo do projeto, na verdade eu só fui porque sou novato mesmo e não tinha o que fazer. Não entendi o porquê, mas um carinha com um bigodinho de pedreiro (não sei o porquê, mas muito indiano adora esse bigodinho de pedreiro, já vi altos indianos com isso) deu uma pagação de leve na galera que tava lá, dizendo que todos deviam prestar atenção e blah blah blah, mas eu num vi ninguém não prestando atenção, enfim, todo descoladinho o cara do bigode, mas como ele deu a mini pagação no meu supervisor, acho que ele deve ser importante.

Próximo do fim da reunião fomos interrompidos pelo meu 'sub-supervisor' o Arpit. Ele veio com uma cara preocupada e nos informou sobre as explosões em Dadar, Churchgate e Nariman Point (nomes que já soam tão familiares pra mim, sério! É quase como terem dito 'uma bomba explodiu na Coroa do Meio, uma na Hermes Fontes e outra na Saneamento'). Eu não vou mentir que fiquei assustado na hora, porque nós não temos nada parecido no Brasil. Me indicaram voltar de táxi, e foi o que fiz, pediram um táxi pra mim. O trânsito tava bem congestionado, principalmente no sentido inverso, já que o sentido que eu estava indo era justamente para o lado onde os atentados ocorreram (mas calma, isso se você seguisse 'reto' uns 40km de onde eu estou agora você chegaria lá). Cheguei são e salvo na acomodação e fui acompanhar nos noticiários.

Na quinta-feira acordei e estava chuvendo muito, mas muito mesmo, um toró. Li um pouco dos jornais impressos e tinham detalhes dos ocorridos. A informação mais importante que obtive é que alguém lá da segurança da Índia afirma ter encontrado algum padrão nesses ataques, como, já é a quarta vez em mais de 10 anos que um ataque acontece num dia 13. Então eu concluo que nada de ir para pontos turísticos movimentados em dias 13!

A chuva estava tão intensa que eu tive que calçar minhas galochas para chegar no ponto do ônibus, que não veio. Um rapaz que conheci no ponto, que veio falar comigo por sinal, afirmou que já tinha me visto várias vezes no escritório e que ele também é novato, então ele me ajudou me informando o que o guarda estava dizendo em hindi. Havia um bloqueio de água entre Bolivari e Thane e não haveria trem ou ônibus com permissão para atravessar. Então fui orientado por ele a ligar pro escritório e tentar durante a tarde. Já durante a tarde eu fui para o ponto outra vez, mas dessa vez a Aditi me ligou e avisou que estaria tudo certo se não desse para ir pro escritório, bastaria eu avisar ao supervisor. E foi o que fiz. Então eu tive o resto do dia livre. O que fiz? Lavei as cuecas! Afinal elas não lavam sozinhas e brotam limpinhas e secas como nas gavetas lá de casa! (segundo o colombiano John, isso se chama Hotel Mama).

Após terminar a tarefa árdua resolvi ir mais o Anderson e o John num shopping bem perto da estação de Bolivari. Mas lá não tinha praça de alimentação. Então tome google maps para achar o Mc Donalds mais próximo! Afinal, chega de frango com arroz todo dia de noite! Mandei aquele velho Chicken Mac Maharaja. Tá eu vou parar, to viciado! Mas é tão bom e barato! Imaginem um Big Mac de frango levemente picante, completo com batata média e refrigerante gelado por 132 rúpias (R$4,67). Nem no Galego's!

Na sexta-feira fui para o escritório. Configurei mais algumas utilidades que vou utilizar, inclusive o chat interno da empresa, onde vou poder ficar conversando com todo mundo, seja para pedir ajuda, ou para dizer um 'vamos almoçar?'. A Aditi veio me avisar que na sexta-feira o pessoal gosta de comer fora do escritório (tá vendo aí, gente é gente em todo lugar, claro que a sexta-feira é um dia especial!) e fomos comer numa pizzaria Dominos próxima do escritório. Comi uma pizza deliciosa vegetariana com queijo duplo e muffin de sobremesa! (tá, acho que enfim vou engordar de verdade! Mas não se preocupe Mamis, não é todo dia!) Após isso recebi minha primeira tarefa. Um projeto exemplo, como se fosse uma avaliação. Vai dar trabalho, mas tá num nível bom, eu consigo, e qualquer dúvida posso pedir ajuda. No mais, a outra novidade é que amanhã eu conhecerei meu possível futuro flat que fica em Powai (logo ao sul de Thane).

Para finalizar, algo que não vai ser legal é que o Anderson e o John foram escalados para trabalhar em Chennai, longe daqui. Além do Anderson que já é meu colega e amigo há anos eu já tava ficando muito amigo do John. Já conversamos altamente e falamos como a vida na américa do sul é parecida. Até os comentários que agente faz sobre as mulheres, etc. Os políticos corruptos e os impostos. Uma vez eu até disse pra ele 'cara, a única diferença entre você e um brasileiro é que você num fala português.'. Vou sentir falta desses dois caras. Mas pelo menos já estou fazendo amizades no escritório, muitas pessoas lá me ajudam mesmo mesmo!

Até mais pessoal e Namastê!

domingo, 10 de julho de 2011

Um fim de semana em Mumbai

Olá pessoal! Fim de semana passado eu estava na ACE Conference num hotel bem legal, então esse agora foi meu primeiro fim de semana andando por aí em Mumbai. Bom, esse sábado acordamos bem tarde porque ficamos muito cansados na sexta (normalmente eu gosto muito de sair sexta-feira-a-noite, mas... muito cansaço, afinal de Bolivari para Ghaktopar é bem longe de trem). Enfim, fui acordar lá pelas 1 e meia, quase 2h da tarde. Pedimos o almoço aqui na acomodação, comemos e partimos para um Oberoi Mall (há vários em Mumbai) em Goregaon (não muito longe de Bolivari, algo como menos de 10km, pegamos um Rikishaw até lá). Um shopping muito bonito. Ah, claro, tenho que contar a vocês como é um shopping aqui em Mumbai. Todos têm detectores de metais, esteira para por mochilas, um esquema muito parecido com os dos aeroportos, e às vezes guardinhas carregando armas bem pesadas (algo parecido com um rifle AK47, ou seja, armamento pesado mesmo), e além dessa segurança toda na entrada muitas lojas têm portas com guardinhas vigiando logo ao lado! Tirando isso, o shopping é bem bonito e tem de tudo que você precisar, além de marcas bem famosas. Quando chegamos fomos numa Häagen-Dazs, realmente o sorvete mais gostoso da face da terra, pedi 2 bolas, calda de caramelo e chocolate granulado por cima, o que me custou um pouco mais de R$12,00 (com certeza eu gastaria uns R$20 no Brasil, onde no supermercado, sim no supermercado, um potinho muito pequeno que mal dá uma bola custa R$8). Enquanto após ter terminado o sorvete eu fiquei um tempão sentado esperando o Anderson terminar a salada de sorvete com waffles e chocolate quente, eu fiquei hipnotizado olhando dali mesmo o elevador principal do shopping que ficava mudando de cor toda hora, só que cores bem interessantes. Logo após isso eu tava louco para beber alguma coisa, no bom português, molhar a garganta. O Anderson queria ver eletrônicos e roupas, definitivamente algo que não faço em shoppings, eu tenho uma lei, não olho nada que não vou comprar hoje ou num futuro próximo (amanhã, por eu não estar com o dinheiro hoje). Arrastei ele para um restaurante onde tínhamos cerveja! Mas, cerveja na Índia é caro, algo entre R$5,00 a R$7,00 a garrafa de 300ml, então depois de ter finalizado o copo tomei um Bloody Mary. Eu não sei se originalmente Bloody Mary é picante, mas esse que tomei era exatamente o gosto de um molho agre-doce feito de tomate, o mais próximo do gosto é aquele molho agre-doce da comida chinesa (aquele que vem no frango agre-doce do China in Box, pra ser mais exato) e bem picante. Num vou dizer que era uma delícia, mas era algo bem diferente de qualquer coisa que já bebi na minha vida. Enfim, eu estava relaxado como um bom fim de tarde e começo de um sagrado sábado-a-noite. Porém, aqui na Índia aqui o povo não curte muito ficar por aí até altas horas da madrugada (ainda tão mudando a realidade, há bares e boates que ficam até mais tarde, depois eu dou uma conferida) então eu resolvi encerrar com aquele bom e velho Mc Maharaja (to viciado nisso). Após isso voltamos de rikshaw para a acomodação e fomos dormir (como eu queria estar no escondidinho lá em Aracaju começando a noite naquele mesmo horário!). No domingo decidimos fazer um pequeno city tour em Churchgate, sim, lá na casa do caralho, mais de uma hora de trem (que não estava lotado graças ao senhor!), tirar fotos das coisas (vou colocar no facebook e dar um jeito de postar aqui no blog, aguardem, minha internet não é tão veloz!). Antes de partirmos conhecemos um cara novo no ACE Program vindo da Colômbia e chamamos ele pra ir com agente, o nome dele é John, ele está hospedado aqui também e nos acompanhou na aventura. Tiramos fotos de vários lugares, além do Gateway of India (algo como 'Portal da Índia') e o Hotel Taj Mahal. Fomos almoçar num lugar muito legal que a Gabriela, bahiana e também do ACE Program, nos tinha recomendado, o Cafe Mondegar. Muita variedade, mas pedi comida indiana, claro. Um tipo de frango empanado bem apimentado com fritas. Depois disso visitamos a parte interna do The Taj Mahal Palace Mumbai. Um forte esquema de segurança na entrada de maneira parecida com a dos shoppings. Isso porque em 26 de Novembro de 2008 aconteceu um atentado nesse hotel (lá tem um muro com homenagem às vítimas, me arrepiei quando vi, tinham nomes e sobrenomes de pessoas de vários lugares do mundo). Bom, imaginem um lugar luxuoso. Imaginou? Sim, é mais luxuoso que isso. Algo que está sendo às vezes triste para mim aqui é pular em apenas um segundo de uma pobreza extrema (pessoas passando muita necessidade e aparentemente mais ferradas que um pobre brasileiro) a lugares opulentos e suntuosos, lugares onde você vê riqueza extrema, pessoas com ótimos carros (BMWs e carros do tipo), tudo muito lado a lado, mas digo, lado a lado mesmo! Não é como no Brasil que há nem que seja uma avenida separando. Aqui é parede com parede mesmo! Voltando ao hotel. Então, já visitaram esse hotel altos atores de Hollywood, Bill Clinton, Bush, Barak Obama, Robert Plant (vocalista do Led Zappelin pra quem não sabe), Dalai Lama, entre outros seres míticos (dá pra imaginar o luxo? Nah, você imaginou errado, é um pouco mais). Depois de rodarmos mais um pouco pegamos o trem de volta para Bolivari. John, o colombiano, dormiu a viagem quase toda. Chegamos aqui bem cansados, comemos aquela velha torrada, omelete e frutas ('more toast sir?' ou 'mais torrada senhor?', é tão engraçado o jeito que o indiano fala que às vezes eu falo isso aleatoriamente agora, só pra ficar rindo). O dia foi muito cansativo, mas valeu à pena. Essa segunda-feira vou eu para Thane conhecer o que afinal irei fazer no meu escritório, por enquanto sei que utilizarei bastante Java (uma linguagem de programação que usei em diversas matérias na universidade). Até mais pessoal! Namastê!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O sim parece não, o 7 parece um 6 e o 4 parece um 8...

Olá pessoal! Fui para Thane todo dia desde então e apenas para fazer pouca coisa. Um dia fui para abrir a conta no banco indiano HDFC e no outro fui lá finalizar o processo e buscar meu cartão. O legal é que no primeiro dia um colega do escritório foi comigo e agilizou o processo falando em hindi. Na verdade ele foi essencial porque, assim como no Brasil, o tempo de atendimento aos clientes encerra lá pelas 3 e meia da tarde, então o meu colega deu um 'jeitinho' indiano pra que eu adiantasse o processo. Nesse meio tempo e antes disso, eu tive um bocado de palestra enfadonha sobre coisas que eu já tinha visto com muito mais detalhes na ACE Conference, mas pelo menos foi legal almoçar de graça comida indiana bem apimentada (na verdade a vantagem foi poder comer sem precisar sair por aí nessa cidade enorme pra procurar um lugar). Certo, antes de explicar para vocês coisas que têm haver com o título dessa postagem, preciso mesmo que de graça, fazer um jabá sobre o Samsung Galaxy com Android. Galera, fudeu! Se acaba a bateria desse troço eu não sei o que será de mim! Além de estar podendo tuitar, falar no g-talk, whatsAp, facebook e tudo mais de qualquer canto de Mumbai, o principal... Eu tenho google maps com minha localização! Vocês fazem ideia do que é isso? Já jogaram videogame de carro onde você tem o mapinha e vai pra onde quer? (como gta ou the driver). Imagine! Eu não me perco mais! E com isso ontem mesmo, sentado num dos prédios da Tata (a empresa onde trabalho), sem o almoço apimentado grátis, tive a ideia genial de procurar um Mc Donalds, mas era longe, procurei um Subway, longe também, aí fui lembrando de nomes famosos... Pizza Hut! E num é que tinha uma há 10 minutos de caminhada de onde eu tava? Putz! Perfeito! Comi uma pizza deliciosa e absurdamente picante, mas pelo menos a Pepsi era bem gelada (já disse pra vocês que indiano é igual minha mãe, gosta de tomar líquido sem gelo e natural?). Desde então essa maquininha poderosa virou meu vício e minha salavação! (sim, quem me conhece sabe que me perco por aí facilmente!). Enfim, fim do jabá, se um dia esse blog ficar famoso vou pedir Royalties à Samsung pela propaganda. Bem, o que quis dizer nesse título é que, sabem aqueles cachorrinhos que agente bate o dedo e ficam balançando a cabeça? Aqueles que tem gente que põe no carro. Pois é! Aquilo é um 'sim' pros indianos, mas aquilo lembra muito o nosso não! Pensem na primeira vez que peguei taxi, perguntei: 'can you take me there?' ('pode me levar lá?'), o taxista respondeu 'acha! acha!' e balançando a cabeça desse jeito, e eu falei 'can you?' ('você pode?'), e ele 'acha! acha!', e balançando dessa forma. O que pensei... 'bom, esse movimento me diz que não, mas a expressão dele me diz sim! Foda-se, vou entrar no taxi.' e consegui chegar no meu destino. Bom, até agora (acabo de completar uma semana na Índia) eu sempre tenho que raciocinar uns 2 segundos pra perceber o 'sim' deles. Já os números, eles escrevem em igual quantidade nos lugares tanto do nosso jeito, quanto como é escrito na língua deles. O problema é quando vem na língua deles. Para ir pra Thane eu pego um ônibus (aquele ônibus maravilhoso com ar-condicionado) chamado AS700. Só que no anúncio no topo do ônibus fica um tempo em hindi, e em hindi fica algo como um bocado de letra estranha com algo que parece um 600. Imaginem que eu fiquei encarando aquilo até virar pra inglês e ficar AS700, só que já bem do meu lado, tive que correr loucamente pra dentro do ônibus, bem na marca do pênalti. Então tive uma ideia genial, hoje quando fui no escritório ensinei os números em português e em alemão, aí me ensinaram em hindi! Agora tenho anotadinho os números. Mas só vou pronunciá-los e mostrá-los na mesa do escondidinho lá em Aracaju, afinal eu preciso ter coisas para contar quando voltar né? E pra finalizar, hoje fomos (digo fomos para lembrar pra vocês que não estou sozinho, meu amigo e colega da UFS Anderson tá comigo na maior parte do tempo, só não tá quando estou em Thane, já que lá é só comigo), enfim, num shopping do outro lado (Ghatkopar), o que são quase 2h de trem partindo de Bolivari (onde estamos atualmente), para encontrar com algumas pessoas no nosso mesmo programa (o ACE program) para discutirmos sobre a questão do AP. Lá comi um Subway bem apimentado (sério?). Aquele frango teryaki de sempre (às vezes me pergunto se a galinha aqui na Índia já nasce apimentada). Depois disso fomos para o trem e já um pouco mais da metade do caminho de volta pra Bolivari me deparei com uma criatura que deve ser universal... Uma bixa! Sim, um bixona toda emperiquitada pedindo dinheiro no trem. Ele(a) pedia de uma forma bem peculiar, batia palma uma ou duas vezes. Quando ele chegou até mim, pediu e eu respondi como sempre quando algum indiano aleatório fala comigo em hindi (às vezes me pergunto se pareço um indiano) e respondi 'sorry, no Hindi!' ('desculpa, não sou Indiano', ou algo como isso). A bixa ficou tirando onda com meu 'sorry' eu acho, mas foi embora na mesma hora. A questão é, ele(a) estava falando hindi, mas puta merda! Aquele jeito de falar anasalado (sério, algum fonoaudiólogo precisa fazer pesquisa nisso) que toda bixa tem, era idêntico, igual! Me pergunto cientificamente o que provoca esse jeito de falar característico, sério, se a bixa tivesse falando português seria do mesmo jeito, tal e qual! Enfim, provavelmente tem outras coisas legais que eu posso ter esquecido, mas que fica pra quando eu sentar na mesa do escondidinho lá em Aracaju quando eu voltar. Até mais pessoal!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Finalmente, internet! Ok, as novidades...

Olá pessoal! Finalmente consegui um acesso à internet, agora estou conectado com o mundo outra vez!
Bom, terei que ir lembrando aqui o que tem acontecido desde que desembarquei aqui em Mumbai.
Primeiro saí do aeroporto e senti aquele bafo quente de lugar à beira mar (tipo Aracaju umas 2.5x), depois de ter dificuldades pra saber onde eu estava no aeroporto pequeno, mas confuso, achei um lugar para pegar táxi. A Índia me deu suas boas vindas com uns carinhas que se ofereceram pra pegar minha bagagem por uns 5 metros até um táxi e me cobraram 20 Euros! sim, 20 Euros! Só que eu sei que os indianos não são assaltantes e caem fora com cara feia, mesmo assim demos 100 rúpías pro cara folgado ficar quieto (o que seria uns 3 reais), mas faltou pouco pra eu mandar um 'get lost!' ('cai fora!'). Enfim, de táxi chegamos lá na casa do chapéu (sim, do chapéu, utilizarei o termo casa do caralho quando descrever mesmo a lonjura), este lugar se chama Bolivari, fica no norte de Mumbai. Antes de descrever digo a minha impressão de Mumbai. A cidade mais próxima que já vi no Brasil é Salvador-BA, muitos prédios bonitos juntos a favelas absurdamente pobres, e pior que em Salvador, as favelas ficam coladas parede com parede com os prédios bonitos, tudo é meio sujo, armengado e você é constantemente atacado por cheiros bons e ruins. Por outro lado, os favelados da Índia não assaltam com armas, realmente é como haviam me dito, o povo aqui pode tentar te passar a perna no troco, ou pedir dinheiro pra você de forma bem folgada, mas é muito pouco provável que alguém te aborde com algum tipo de arma, o que é legal, dá menos medo de andar por aí (triste realidade do Brasil termos essa raça chamada assaltantes, gostaria que todos morressem ou mudassem de 'profissão'). Voltando a Bolivari, é um lugar meio esculhambadinho como um bairro de Salvador, mas tem tudo aqui, comprei meu celular aqui, um Galaxy Pop bem moderno =P, por aproximadamente R$270 (Rs. 7800). A acomodação é simples, mas bem legal, tem banheiro e comida e é limpa, e o principal... puta que pariu tem ar-condicionado!! Bom, antes de seguir adiante vou falar um pouco do transito também. É muito confuso e ao contrário do Brasil, o volante fica na direita e o sentido de ir e vir fica trocado também. Os motoristas dirigem muito colados e buzinam loucamente, e o pior, buzinar aqui é normal, ninguém se irrita e faz parte do jeito de dirigir, aliás, muitos carros aqui ainda por cima tem escrito no fundo ('Horn ok please', ou 'Buzina ok, por favor'), putz. Enfim, eles dirigem de um jeito bem caótico, mas não vi batida até hoje, porém quase todo carro tem um sinal de um totozinho aqui e ali. Bom, depois de chegar, tomar banho e comer, agente pensou que iríamos poder dormir, mas fomos chamados pro escritório pra termos uma conversa rápida, o problema é que o escritório é em Churchgate, que é na casa do caralho (sim, é na casa do caralho), Bolivari é no norte e Churchgate é no sul... putz, uma hora de trem absurdamente lotado e calorento. Bom, conseguimos as orientações no Air-India Office Building e voltamos no trem (mais de uma hora na volta, putz), mas antes disso eu bati um Subway, sim, aquele velho Subway, só que... é, claro, claro que sim, bastante apimentado, e o pior, nenhuma lanchonete dessas tem banheiro, ou seja, cagar ou lavar as mãos? Nem pensar! Bom, no outro dia tivemos que ir no F.R.R.O pra registrarmos o passaporte, isso fica lá pro lado de Churchgate também, ou seja, na casa do caralho. Lá encontramos um Brazuca! O Wagner. Ele trabalha pra Schlumberger e tá passando um tempo aqui. Depois de resolvermos isso caminhamos até uma loja da Vodafone para comprarmos um sim card, um chip, pra termos nosso número de tel indiano (quem quiser me ligar... meu número é +91 - 9820884858, grandinho neh?). Lá encontramos outro Brazuca! O Guilherme, ele é um cara que trabalhou nos USA como consultor de uma empresa, depois desistiu do que tava fazendo, virou alpinista, foi pro himalaia e afins pra escalar e resolveu voltar a ser consultor, mas dessa vez pra China e países aqui da Ásia. Enfim, putz, 2 brasileiros aleatórios num único dia! Voltamos pra acomodação, arrumamos nossas coisas e fomos pra um hotel pro lado do aeroporto, na casa do chapéu em relação a Bolivari, mas pelo menos fomos de taxi pagando 400 rúpias (uns 15 conto). Um hotel muito bom e chique, o Vits Hotel, lá tivemos a ACE Conference 2011, onde participavam mais de 70 pessoas de 30 nacionalidades diferentes. Foi uma experiência incrível falar com todas essas pessoas, eu me senti como uma pessoa de um único grande país, o planeta Terra. Enfim, muitos ficaram com invejinha da animação dos brasileiros, (éramos 8 no total, ah, e lá encontramos nossa colega de universidade, a Daniela, e eu nem falei pra vcs neh, esse tempo todo eu to acompanhado do meu amigo e colega da ufs, o Anderson). Dividi o quarto com um cara da Tunísia (eles embaralharam os participantes nos quartos pra ter mais interação). Bom, durante 2 dias, logo após acabar a fulia depois de um dia extensivo de congresso eu ia pro quarto brazuca beber minha cervejinha e rir um bocado pra aproveitar o contato com o povo do Brasil. O congresso foi ótimo mesmo, foi muito especial mesmo falar com aquele povo que vinha desde Rússia, Ucrânia, USA, Alemanha, Uganda, Costa do Marfim, Bolívia, Peru e países em cada canto do globo. Tivemos muitas atividades, a único contra é que o congresso era muito extensivo, começava 9 da manhã, o almoço era 2 da tarde e o jantar às 9 da noite! Com intervalos bem curtos, então era muito cansativo mesmo! (depois percebi que o povo indiano tem um horário louco, acordam tarde, tomam café da manhã pelas 9, trabalham tarde, comem 2 da tarde como se fosse meio dia e voltam pra casa lá pelas 9, mas só fica escuro às 8!). Domingo à tarde saimos e fomos ver um ap em Bandra (meia hora de trem vindo de Bolivari, mas fomos direto do hotel no trem apertado e cheios de bagagem, ah, não esquecendo do Rickshaw que eu peguei aqui e ali pra ir pros lugares, o Rickshaw é uma espécie de veículo pequeno com três rodas onde o cara quase sempre tenta te cobrar um preço mais alto ¬¬ quando vê que você é gringo, mas agora eu sempre mostro a tabela na cara do sujeito e calculo na frente dele, aí não tem conversa =P). O ap era bem legal e tinham 3 meninas de nacionalidades diferentes, lembro que uma é da Polônia, e tinham 2 caras, não lembro de onde são, eu sei que um parecia indiano, mas não era e tinha um sotaque inglês ótimo, mas todo marrentinho o cara, no naipe descoladinho, fumando e rindo toda hora, ah, e o cara que foi com agente é um boliviano que parece muito com um amigo meu do Brasil que tem ascendência argentina. Bom, eu mostrei pra eles fotos das minhas viagens pra SP e Curitiba, mostrei vídeos de eu tocando no Coverama, pedi uma pizza, foi bem legal, troquei muitas ideias, e foi bem legal descobrir que o parecido-com-indiano-mas-todo-marrentinho já jogou dota e cs, viu dragon ball z, pokémon, entre outras coisas que eu tive na minha infância e adolescência brasileira, eu disse que achei bem legal tudo isso e a polonesa respondeu 'isso se chama globalização =P'. Enfim, um pena que não vou poder morar com eles, porque agora descobri que meu escritório é em Thane... e Thane fica na puta que pariu depois da casa do caralho! Fui pra Thane no outro dia pelo trem... putz... bom, aí tentei me animar, mas tava tanto calor... decidi ouvir uma música, que é de onde eu tiro forças pras coisas, porque as músicas que ouço têm cada letra... enfim, me vi ali, longe de tudo e todos e coloquei uma música chamada 'The chance' do Helloween... cara, deu vontade de chorar, sério, o refrão diz 'The chance you got comes never twice. Do your best, and do it right. Time will come but don't you hide. You are on your way' ('A chance que você conseguiu e que nunca vem 2 vezes, faça o seu melhor, e faça da maneira correta, o tempo vai vir, não se esconda, você está em seu caminho.', oh link da letra: http://letras.terra.com.br/helloween/121254/traducao.html). Putz, quase choro mesmo. Aí um dos trens que eu precisava pegar tava vindo, guardei o mp3 player e tentei entrar, mas não consegui! Foi frustrante, gritei um 'Puta que pariu bando de filho da puta!', ninguém entendeu mesmo, enfim. Só que eu sou insistente, peguei meu mp3 player de novo, fiz cara feia e coloquei uma música do Saxon que diz 'Never surrender! When you are against the world! Never surrender! Stand up! Fight them all!' ('Nunca se renda! Quando você está contra o mundo! Fique de pé! Lute com todo mundo!'), bom, peguei força de novo e entrei com tudo pra dentro do trem, ou seja, consegui! Depois de muita dificuldade de ir perguntando pro povo, a quem sabia inglês, onde pegar cada trem cheguei no escritório, muito legal mesmo lá, bem bonito, muito burocrático, mas fiquei muito feliz, descobri que meu projeto é com a Chrysler, sim, aquela dos USA ^^. Fiquei bastante animado e todo mundo foi muito legal comigo, sério mesmo. Bom, a volta foi mais fácil, mas mesmo assim levei umas 2 horas pra voltar... mas antes, conversei com minha mãe pelo telefone e comi um Mc Donalds, sim, o Mc Mahajara, aquele que o Raj cita no The Big Bang Theory! A volta foi mais fácil, mas muito longa claro... umas 2h no trem calorento. No outro dia consegui pegar o tal ônibus que sai de Bolivari pra Thane o AC Bus, putz, da água pro vinho!! Puta merda, eu não teria precisado passar por aquela viagem cansativa. O ônibus é confortável, tem ar-condicionado, pouca gente e leva umas meia hora pra chegar em Thane, e o melhor, para pertinho do escritório! Putz, tá bom, é porque se em Aracaju eu já sou ruim pra achar as coisas, imagine em Mumbai, eu peguei o mesmo ônibus pra voltar, um carinha da empresa foi bem massa e me levou no ponto! Agora eu já sei ir confortavelmente de Bolivari pra Thane, eu num to nem aí onde vou morar, por tanto que dê pra pegar esse ônibus dos céus! (tem escrito, 'the best buses in Mumbai', aaaaw yeah!). Bom, antes de ir pro escritório eu comi um Mc Mahajara de novo, ele é de frango e é picante (óbvio, não existe não-picante aqui, mas já to me acostumando, to comendo de tudo!). Bom, por enquanto é isso aí, estou bastante feliz com a oportunidade, que como diz a letra, nunca vem 2 vezes! Espero conseguir um ap com um acesso bom a internet (pq to usando o do meu tel, via 2G) e em breve postarei mais coisas aqui, eu sei que eu não contei tudo tudo porque vocês que me conhecem sabem que sou meio esquecido, mas eu tenho que guardar coisas pra contar pessoalmente quando eu voltar neh! Um grande abraço pra todo mundo, Namastê!