Feliz ano novo pessoal! Inicialmente desejo a todos vocês um 2012 especial, foquem em seus objetivos e em como realizá-los. Não esperem de mim linhas motivacionais, pois vocês já devem ter lido centenas de textos do tipo no facebook, na caixa de e-mail, etc. Não fiquem à espera de que as coisas aconteçam, vá e faça, deseje e aja! Já postei essa frase antes no facebook, mas vale à pena dizê-las mais uma vez: Qualidades e atitudes são como teoria e prática, respectivamente. Por sinal, não copiei de ninguém, é de minha autoria mesmo. E se você está aí mais uma vez dizendo que fará mil e uma coisas em 2012, agarre com todas as forças cada oportunidade que aparecer, grande ou pequena, que seja uma pista para realizar alguns de seus sonhos, faça valer suas qualidades, pois elas não são nada se você não colocá-las em prática.
Eu sei pessoal, vocês estão muito mais interessados em saber como foram minhas aventuras em Chennai, na costa leste da Índia (há uma hora e meia de avião partindo de Mumbai), mas já adianto que fiz muitas descobertas nessa viagem, aliás, para mim o que mais vale de viajar, seja qual for o lugar (nem que seja àquela casa de praia a 40km de casa), é que cada acontecimento ou conversa, a paisagem ou qualquer coisa que aconteça te faz pensar mais, e essa experiência em Chennai me fez pensar em várias coisas. Talvez fruto das circunstâncias ou dessa loucura que é a vida e as voltas que o mundo dá (se o seu mundo não está dando voltas, quem tá com o pé no freio é você).
Bom, comecemos na sexta-feira do dia 23 de Dezembro. Peguei o avião à tarde pela companhia aérea Air India Express. Cheguei em Chennai cedo pela noite e já recebi o cartão de visitas do motorista de táxi que queria me cobrar Rs. 700/- (R$25) do aeroporto até onde eu queria ir, uma distância que daria umas Rs. 200/- em Mumbai pelo meter (o taxímetro) que eles usam em Mumbai, mas ninguém usa em Chennai. Bom, eu só tinha Rs. 600/- e um vale refeição de Rs. 50/- (pensem na novela pra fazer ele aceitar esse ticket, imaginem eu gesticulando e dizendo que ele poderia usar aquilo para comer e que eu só tinha aquilo, e não, eu não tinha dólares comigo! “The good money” – o dinheiro bom – segundo ele eu tava cheio deles).
Me hospedei na casa do Anderson, meu amigo de universidade lá de Aracaju que veio junto comigo à Índia a convite da Daniela que também está morando em Chennai. Saímos de lá e fomos para um club num hotel para festar numa sexta feira à noite, que ninguém é de ferro. O grupo era composto por eu, Anderson, o colombiano Fabian e o indiano Arjin. Eu sei que a chefe desse garoto chegou lá com uns cupoms contendo altas rúpias que foram rapidamente convertidas em canecas de cerveja e tira-gosto, nem gostamos.
Um fato interessante foi estar no banheiro do hotel e ao cumprimentar o funcionário sorridente eu perguntei “como vai?” em Tamil (algo como, “nie ebdi irkke?”), língua falada no estado de Tamil Nadu, onde fica Chennai, e responder “estou bem!” (algo como, “naa nala irkke!”). Engraçado que o indiano que estava com a gente não sabia falar isso! Aqui, como já disse, é absolutamente normal ver dois indianos conversando em inglês por um não saber a língua do outro. Cenas que me fizerem me sentir o máximo ao chegar numa mesa e dizer: “How are you? I’m fine!”, “Como vás amigo? Estoy bien!”, “E aí? Beleza? Beleza!”, “Tum kaise hoo? Mee acha hun!”, “Nie ebdi irkke? Naa nala irkke!”. Tudo significa de alguma forma “Como vai? Estou bem.” Eu sei que eu não falo Espanhol, tampouco falo nada de Hindi ou Tamil, mas é muito legal ver a pessoa entender prefeitamente aquela besteirinha que você sabe falar e apreciar o seu esforço por tentar aprender a língua daquela pessoa. Já alguém que pense que faço isso para me amostrar... eu faço para me amostrar mesmo! (Zoando, na verdade mude sua cabeça se você pensa assim, faça o mesmo, você não sabe o prazer que é fazer isso, é impagável).
O sábado foi o grande dia do Natal em Chennai. A ideia de ir a Chennai para passar o natal foi minha, muitas pessoas questionavam o que diabos eu queria fazer em Chennai no natal, bom, eu só tive essa ideia, botei na cabeça que queria, comprei as passagens e fui. Afinal Anderson e Daniela moram lá e valeria à pena passar o natal com a “família”. Bom, a Daniela não participou no natal desse dia, pois ela estava viajando com a mãe dela na Malásia. Mas, num outro dia da semana eu tive um natal na casa dela e foi muito bom, conto já como foi.
Para o natal ficou combinado que cada um cozinharia algo. Eu fiz torta de limão e brigadeiro, o Anderson fez um pavê que não ficou pronto a tempo, mas que ficou uma delícia e que foi a sensação dos outros dias. Mas vocês não imaginam como foi a loucura, sujamos tudo, a casa toda. Na confusão minha torta de limão nem ficou muito bem feita, mas gostaram mesmo assim. Eu tentei fazer o merengue no liquidificador por mais de uma hora, e não deu certo (ideia de jirico), aí chegou a Assel do Cazaquistão e me ajudou a fazer o merengue na mão, com o garfo, ficávamos revezando na sofrida luta de bater as claras e açúcar com a mão, mas pelo menos saiu! Bom, as outras comidas foram duas coisas diferentes vindas da Romênia (um tipo de charutinho de repolho e uma salada) feito pelas romenas Angela, Andreea e Simona, macarronada pela brasileira Pérola, um tipo de cozido de carne feito pelo africano Nelson (ficou muito bom, e foi sucesso, carne num é velho!) e talvez outras coisas. Os outros participantes foram o indiano Karthic (colega de trabalho da Daniela), os africanos David e Frank, além de mais alguns indianos aleatórios.
Ao som de Wonderwall (descobri que essa música é realmente cativante, todo mundo sempre canta junto!), La Bamba, Help, Three Little Birds e algumas outras músicas em inglês, além das tantas músicas brasileiras que toco aonde quer que eu vá, a noite foi muito animada, muita conversa e comida gostosa. Foi realmente um tempo bom e valeu muito à pena ter ido para Chennai passar o natal com todo esse pessoal. Muitas coisas legais aconteceram, mas o interessante a ser contado aqui foi a parte dos desejos do papai noel para o natal. As meninas colocaram em papeizinhos um desejo dentro de alguns balões onde cada um faria um breve discurso e pegaria o desejo que o papai noel queria que fosse realizado em 2012.
Eu dei o meu discurso, algo relacionado sobre como eu tenho feito tantas coisas diferentes na vida (cozinhar, tocar, línguas, escrever para este blog, entre outras coisas) e que eu vim para a Índia principalmente para buscar respostas, além da experiência muito gratificante de conhecer todas aquelas pessoas vindas de todos os cantos do planeta. O desejo do papai noel para mim em 2012 é que eu esteja na Índia em 2012. Isso foi muito bom para mim, pois eu estou muito motivado a levar isso aqui até o final (o meio do ano de 2012), não quero desistir e quero continuar aprendendo e vivenciando isso aqui por cima de qualquer dificuldade.
No domingo dormi loucamente até umas 14h. Fomos para um restaurante na praia comer hambúrguer de carne! Em Chennai eu nunca vi tanta vaca e cachorro na rua, mas um pedaço de carne é bem mais disponível que em Mumbai. Fomos eu, Anderson, Fabian, Nelson, Angela e Assel. Demos uma volta na praia. Lá eu comprei uma flautinha indiana, já saí tirando um trecho de uma música indiana que eu gosto (Chammak Chalo) do clipe, pois tem essa mesma flautinha, eu ri muito quando percebi que dava para fazer o mesmo som.
Na segunda-feira acordei achando que era domingo, pois coincidentemente a maioria dos caras tiraram um dia de folga nesse dia, então acordei com quase todo mundo lá. Bom, fomos num shopping que não tinha lojas e só tinha pronto o cinema e umas 2 ou 3 lojas na praça de alimentação (tinha loja que vendia hambúrguer com batata frita, mas não tinha hamburguer nem batata frita, como faz?). Lá assiti o filme Missão Impossível. Eu gostei do filme, e achei dois erros interessantes em relação a quando eles vêm para a Índia. O fato é que o Tom Cruize tá lá dirigindo seu esportivo mega irado, furioso e louco pelas ruas de Mumbai... só que o carro tem o motorista do lado esquerdo! Na Índia é como na Inglaterra, é do lado contrário! Bom, aí pensei, OK, não tem daquele carro na Índia e de alguma forma ele pôde trazer aquele carro irado com o motorista do lado esquerdo porque ele é um agente secreto fodão. Mas aí tem a cena que ele tá lutando com um cara num estacionamento literalmente rotativo. Ele cai dentro de um carro comum e liga o carro pra cair no solo... novamente o carro tem o motorista do lado esquerdo! Aí não! Aí não pode não! É erro mesmo! Carros com direção contrária nem entram em qualquer país! A cena na certa nem filmada em Mumbai foi, enfim! O filme é muito bom de qualquer forma.
Depois disso, soube que finalmente Daniela estava em Chennai e então fui na casa dela pegar algumas roupas e uma bandeira enorme do Brasil que minha mãe me enviou através da mãe dela. A parte interessante é que no condomínio de Daniela não é permitido que homens visitem apartamento de mulheres e vice-versa (absurdo!). Os guardas não deixam e muitos já tiveram problemas pra chegar lá. Mas então o que fiz... num quis nem saber de conversa com os guardas, fui numa entrada do lado do prédio, esperei o guardinha vacilar e “vup!” pra dentro do prédio. Fingi estar falando no celular como se eu fosse um morador e me mandei pro apartamento da Daniela.
Lá peguei minhas coisas, conversei com Daniela e a brasileira Nádia. De lá fomos encontrar a romena Angela, o indiano Karthic e a Assel do Cazaquistão. Fomos para um barzinho no aeroporto. Mais uma vez a malandragem brasileira foi utilizada, pois para visitantes é cobrado Rs. 60/- ou se você tiver uma passagem aérea e mostrar para os guardas. Eu, Daniela, Assel e Angela fomos de par em par fingindo sermos passageiros de algum voo. Eu lembro que passei pelo guarda fazendo cara de apressado e com minhas coisas numa sacola (como se fossem bagagem). O guarda nem desconfiou. Mas o Karthic, indiano, não é acostumado com isso e foi barrado, teve que pagar Rs. 60/-. Vacilou. Enfim, tomamos umas cervejinhas e o papo foi bom, e tinha futebol na televisão.
Na terça-feira acordei lá pelas 14h novamente. Almocei num restaurante perto, voltei para lavar umas roupas sujas que eu trouxe de Mumbai, afinal havia uma máquina de lavar disponível! Durante a noite Daniela me convidou mais uma vez para irmos a outro barzinho. Dessa vez fomos acompanhados do Karthic e Assel apenas. Era um sports bar muito legal, tinha um jogo do Arsenal (time da inglaterra) passando, a cervejinha e o papo tavam muito bons, além disso jogamos aquele jogo que é tipo uma torre onde você tira uma peça debaixo e põe no topo. Mais tarde tivemos a companhia da colega de trabalho da Daniela, a Reshma, muito alto astral e bonita. Eu pegava. Oi? Digo, o papo e a cervejinha tavam muito bons mais uma vez.
Na quarta-feira acordei lá pelas 14h como de costume. Daniela me convidou para almoçar perto do trabalho dela (vocês podem pensar, e o Anderson tá onde esses dias? Trabalhando! O coitado se ferrou com as exigências novas do projeto dele). O almoço serviu pra que eu pegasse a chave do apartamento dela porque naquela noite iríamos ter o segundo natal, então eu tinha que chegar antes para cozinhar a torta de limão que ela nunca provou lá em Aracaju. Bom, comprei os ingredientes perto da casa dela, e dessa vez o que faltou (vocês não sabem a luta que foi pra achar manteiga para a primeira torta) foi o limão. E rodei, rodei e desesperado porque tava muito boa a oportunidade de entrar no condimínio de Daniela sem ser percebido novamente. Enfim, havia uma velhinha na frente do super-mercado vendendo algumas flores e... limão! Quase não tinha, mas era mais que o quanto eu precisava! Eu e minha velha amiga, a sorte.
Entrei novamente no prédio na hora que o guardinha levantou pra abrir o portão para um caminhão, aproveitei a deixa e entrei falando no celular falando “OK! OK!” com sotaque indiano pesado (soa como “ôquê! ôquê!” invés de “Okay”). Lá dentro comecei a fazer a torta de limão. Dessa vez tomei todo o cuidado de ir tomando conta da massa, ir verificando a textura o tempo todo. Fiz o merengue com aquela batedor manual (reduziu o tempo de pegar o ponto de merengue em pelo menos meia hora!). Dessa vez o biscoito da torta ficou perfeito. Bem cozido e envolto numa camada um pouco crocante. A torta ficou bem feita dessa vez!
Os convidados que se juntaram a nós foram a Nádia, as três romenas Andreea, Angela e Simona, as indianas Reshma e uma colega de trabalho, a Assel e o Karthic, que nesse caso pôde passar de boas pelos guardas, pois ele é indiano e não levanta suspeita alguma, e caso perguntassem ele diria muito bem em Tamil que estaria indo pra um outro apartamento qualquer. Tivemos um bom jantar, boa conversa e a Nádia tinha um violão, mandei o fundo musical outra vez. O clima de confraternização foi tão bom quanto o do primeiro natal. E mais uma vez fiquei muito feliz por ter tomado a decisão de passar esse tempo em Chennai.
Na quinta-feira um ciclone extra-tropical resolveu fazer uma visita à costa leste indiana. Esse ciclone não atingiu Chennai em cheio, mas trouxe muita chuva e vento. Então os dias que se seguiram foram bem chuvosos, mas nada muito absurdo. Legal era o nome do cicline, Thane (onde eu trabalho em Mumbai) eu dizia “é eu fugindo de Thane, e Thane correndo atrás de mim!” Enfim, durante à noite, mesmo com toda aquela chuva e vento, fomos num club dentro de um hotel onde as meninas recebiam 2 cupoms cada que poderiam ser trocados por bebidas. Praticamente todos os intercambistas de Chennai estavam com a gente. O mais legal foi pegar o cupom das meninas, chegar para o garçom junto com o indiano Karthic para pegar pegar cerveja, eu vi a cara dele de “mas isso só é permitido para meninas, como vamos fazer?”. Ora, muito simples, cheguei para o garçom com o cupom “uma cerveja por favor”, o garçom “este cupom é só para mulheres”, eu “sim, eu sei, eu estou pegando esta cerveja para minha namorada lá na mesa”. Tiro e queda.
A noite foi bem legal, dançamos muito, bebemos e comemos algumas coisas. Dessa vez pouca conversa e muito movimento. Na saída muitas fotos e “onde vamos fazer um after party?” (pós-festa). Bom, acabou todo mundo indo pra casa mesmo.
Na sexta-feira à noite fui a um shopping bem moderno com a brasileira Pérola e o aracajuano Anderson. Eu fiquei andando e andando com aqueles 2, olhando mil e uma roupas. Um tipo de programa em que eu não perco a paciência, mas não me pergunte nada, não entendo nada do assunto. Havia uma coisa que eu queria comprar, eu nem estava procurando, mas que eu estava pensando em deixar pra outro dia, talvez quando eu voltasse pra Chennai em fevereiro. Mas num é que o objeto me achou? Estava lá, exatamente nas cores que eu havia imaginado, com 25% de desconto. Eu e minha velha conhecida, a sorte. A única outra coisa relevante que aconteceu foi na lanchonete mega chique do cinema mais chique ainda, onde tomei um cappuccino com uma batata frita melhor que a do Mc Donald’s (como?). Crocante e sequinha, parecia de mentira.
De lá partimos para um restaurante encontrar o Arjin, o Fabian, alguns indianos aleatórios, a tcheca Lucie, o americano Douglas, e mais alguns estrangeiros aleatórios. O restaurante chamado Sparky’s tinha o tema USA, com placas de veículos americanos de todos os estados. O slogan era “nerver trust a skinny chef” (nunca confie num cozinheiro magro). Eu não comi o buffet, mas vi que a comida parecia muito boa, e bem americana. Altos hambúrguers, batatas fritas e afins. Sobre esse americano, o Douglas, ele tinha chegado pela terça-feira e eu mal tinha falado com ele. Mas depois durante as saídas fui conhecendo ele, pensem na figura engraçada. Imaginem aquele sotaque bem americano, e ainda cheio das gracinhas parecia que ele tinha saído de um seriado de comédia. Eu ri muito desse cara, o famoso “muita resenha”.
Após isso fomos na casa onde alguns dos intercambistas Aiesec moram. Lá conheci um japonês, o Akira (nome muito comum japonês). A conversa com o Akira foi o ápice do meu poliglotismo em formação. Cheguei pra ele e disse “watashi namae wa Leonardo desu.” (meu nome é Leonardo) Com sotaque certinho. O cara vibrou “ooooh watashi wa Akira desu!” (o meu é Akira) Peguei uma cerveja, sentamos e eu comecei a falar sobre tudo que sabia sobre o Japão. Lembro de ter ouvido algo do tipo vindo do Arjin ou da Lucie “meu filho, quantas línguas você fala??”. Bom, eu falo de verdade português e inglês, além de alemão básico. Arranho no espanhol e hindi, e aprendi umas besteirinhas em tamil, só (sem ironia, ainda estou muito longe de ser poliglota, sem falsa modéstia). Descobri nesse dia que eu conheço muitas palavras em japonês ainda, por conta dos animes que eu assistia. Pensem na empolgação minha de ir contando o que eu sabia. Esse é o segundo japonês da Aiesec que tenho contato, e é muito engraçado, eles riem de tudo e se empolgam muito fácil. Lembro de ter um outro oriental na mesa e ele dizer algo do tipo “nem olhe pra mim, sou de Taiwan”.
Lembro do Akira falar da namorada dele, a “Kanojou” dele. O nome era Natsuko (outro nome bem comum). Aí falei pra ele “Ah! Natsuko-chan!” (algo do tipo, chamando de um jeito mais gentil, Natsukozinha). Ele vibrou “Nossa!”. Aí fui falando dos tratamentos. Eu podia chamar ele de “Akira-kun” (o mesmo caso), “Akira-san” (alguém do mesmo nível que eu), “Akira-senpai” (se ele for meu veterano na universidade), “Akira-sama” (se ele for tão importante como o rei). O cara nem pipocou de felicidade. Falei do que sabia sobre a geografia do Japão. Hokkaido no norte, Honshu no centro, as cidades, as ilhas termais de Okinawa no sul. Conversamos de muitas coisas e palavras que eu ainda sabia. Falei dos animes (desenhos animados japoneses) que assisti na minha adolescência. Coloquei pra tocar algumas músicas do anime Samurai X que tenho no telefone. Mas o auge, foi que antes de tudo isso eu comecei a cantar uma música que aprendi anos atrás pra cantar no Kanimecon 2007 (um evento de animação japonesa que acontecia em Aracaju), Kurenai do X-Japan (ah, sim, ele é fã dessa banda de metal japonesa que eu também sou fã). Eu lembro que decorei frase por frase, demorou mais de um mês, mas ainda consigo cantar ela perfeitamente. Ele vibrava, me pediu pra cantar de novo. Disse que o jeito que eu cantava parecia que eu falava japonês de verdade, ele conseguia entender cada palavra que eu dizia (e eu lembro que ele perguntou se eu realmente não sabia japonês).
Se eu for falar de tudo tudo que eu conversei com o Akira vou gastar outros tantos parágrafos. Mas pra mim foi muito bom e os caras já estavam me chamando pra ir embora e eu “peraí, deixa eu terminar minha cerveja, to conversando com meu amigo aqui!”. Segundo o Akira, se eu aprender mesmo a falar japonês eu posso viver tranquilamente no Japão, o meu sotaque é muito bom. Eu nem fiquei feliz!
No sábado acordei relativamente cedo, pois eu pretendia passar o Reveillon em Pondicherry (um estado francês próximo de Tamil Nadu). Finalmente depois desses dias chuvosos, bem como eu tinha dito num rickshaw “amanhã vai fazer um solzão!”. Realmente fez um solzão. Tentamos pegar um ônibus, mas acabamos que cada um pagou Rs. 100/- numa mini van. O grupo era composto pelos brasileiros eu, Anderson, Pérola e Emeline, o colombiano Fabian e o americano Douglas. Peguei meu violão e fomos cantarolando meia viagem até chegarmos em Pondicherry.
A cidade estava bastante bagunçada. Árvores enormes pelas ruas, folhas e coisas destruídas. O ciclone pegou Pondicherry em cheio. Mas como ele já havia indo embora, estava era fazendo um solzão. Eu sei que até aqui já escrevi demais e já devo ter torrado a paciência de muita gente. Vou tentar ser um pouco mais breve, relaxem! Já já acaba!
Nos hospedamos numa casa francesa. E sim, tinha muito francês perambulando pelas ruas o tempo todo. Durante a noite de Réveillon caminhamos por aí, fomos de lugar em lugar e nada de acharmos um lugar para ficarmos. No fim das contas já faltavam 5 minutos para o ano virar. Eu já tinha tomado todas e mais algumas e não estava conformado. Vi uns poucos fogos numa direção e resolvi seguir. Eu não queria passar o Réveillon ali no meio da rua. Fui o verdadeiro “Mister Pra Quê!?”. Pra que é que eu fui fazer isso!? Ninguém me seguiu, eu acabei me perdendo. Um milhão de indianos “bêbados” (sim, tomam 2 latinhas de cerveja e acham que estão loucos). E gritavam feliz ano novo e queriam me cumprimentar, e eu já tava era irritado. Os fogos? Quase nada. Acabei que virei o ano me perdendo em Pondicherry, passei mais de 2 horas tentando achar o caminho de volta, nada do Google Maps funcionar. Até que finalmente achei o lugar que Anderson havia me falado no telefone.
O pior de tudo é que Pondicherry só tinha homem. Eu ficava me perguntando “esses caras num têm mãe, irmã, avó??” Sim pessoal, não havia uma pessoa sequer do sexo feminino nas ruas durante esse tempo todo. Mas também, todos aqueles caras se comportando como crianças de 12 anos que a mãe acabou de sair pra trabalhar. Se tinha alguma mulher ali tinha era que se esconder mesmo!
Sim, nem tudo na vida é perfeito e minhas primeiras horas de 2012 foram um merda. Mas... é a vida. Num tinha outro lugar melhor pra passar Reveillon perto de Chennai, e quem decidiu fui eu. Não me arrependo porque o natal foi muito bom, e a semana em Chennai foi especial, como vocês puderam ver, digo, ler.
Enfim, no domingo eu peguei minhas coisas que havia esquecido na casa de Daniela no natal. Jantei perto da casa dela com a Assel e a Angela. A conversa foi boa e foi legal finalmente comer uma comidinha mais caseira naquele restaurante. Em casa conversei muito com o John que havia voltado de Goa. Lembram dele? O colombiano que esteve na mesma acomodação em Mumbai logo que cheguei. Foi muito bom reencontrar ele. Talvez ele venha trabalhar em Mumbai. Se vier vai ser bem legal, mais um amigo por aqui.
Na segunda-feira o meu voo era às 9h20 da manhã e o despertador do meu celular não funcionou, ou o buraquinho do som ficou tapado, eu sei que acordei às 7h40. Morri de medo de não dar tempo de pegar o avião. Mas no fim das contas deu tudo certo e fiz o check-in faltando uns 10 minutos pra encerrar. No mais estou aqui bem, de volta são e salvo.
Bom pessoal, eu sei que eu escrevi bastante, mas espero que vocês tenham tido a ideia do quão boa foi essa experiência. Ainda mais que ela foi fruto de apenas uma decisão minha tomada do nada. Eu só queria quebrar um pouco a rotina de Mumbai. E de fato acabei conhecendo mais pessoas, fazendo novos amigos, partilhando mais experiências. Cada vez mais não vejo diferença alguma de uma pessoa que tenha uma idade próxima da minha. Seja ela sul-americana, indiana, européia, africana, americana, árabe ou oriental. Desde que ela tenha tido acesso a educação, internet, a alguns programas de TV e saiba falar inglês. Parece que apenas viemos de estados diferentes, ou de uma cidade um pouco distante. Conversamos sobre tudo, encontramos diferenças interessantes e semelhanças intrigantes. Se somos globalizados. Muito! Eu sei que logo ali na esquina tem um indiano que não faz ideia de nada disso. Que no Brasil também tem muita gente que está excluída disso. Mas por outro lado no Brasil muitas pessoas bastariam falar inglês e já estariam totalmente inclusas. No Brasil temos muito contato com tudo que vem de fora. Eu sei que isso não é bom, mas também é bom de alguma forma.
Muitas coisas eu refleti. Tenho muitas dúvidas ainda sobre o que quero fazer da vida. O que será o meu sustento. Mas já encontrei algumas respostas aqui. Descobri que não me arrependo nem um pouco de ser formado em Ciência da Computação. Posso dizer que das línguas que sei, e das que saberei, a linguagem dos computadores é muito interessante! Mais uma para a minha coleção. Sinto que o que aprendi me fez mais inteligente. Agora consigo formular lógicas para aprender coisas novas muito mais precisamente que antes. Seja lá que caminho eu tome saber programar em Java, C++, ter feito um detector de expressões faciais e um rastreador de faces, saber como um computador interpreta uma linguagem ou como a lógica booleana funciona para que com uns transistores microscópicos você seja capaz de ler tudo isso que te escrevi e dizer para todo mundo “ouvir” o que você pensa a respeito no facebook, acho que valeu à pena venha o que vier, mais até do que o quanto eu imaginava.
Um grande abraço e mantenha em mente aquilo que falei lá no primeiro parágrafo (inclusive você mesmo, Leonardo!). Feliz 2012!