domingo, 17 de julho de 2011

Achei um flat e dormi num colchonete

Olá pessoal! Após ter dormido relativamente cedo para uma sexta-feira-a-noite, mais uma vez, eu tive que acordar cedo no sábado para ver a questão do flat aqui em Mumbai. Na sexta-feira o Tiburce (um africano de Benin, país que fica entre o Togo e a Nigéria), que por sinal como todo africano (julgando os que conheci na conferência) odeia quando alguém pergunta logo de cara se ele é da África do Sul, da mesma maneira que nós nordestinos odiamos quando alguém do centro-sul do país já vem perguntando de somos bahianos ou cearenses (alguns ainda por cima perguntam, 'sergipe?'), enfim, acho que consegui descrever o sentimento deles né? Fomos encontrar o corretor (um baixinho com bigodinho de pedreiro, como muito indiano por aí) em frente ao D-Mart em Powai.

Esse bairro chamado Powai fica abaixo da floresta que atravesso para ir de Bolivari a Thane, mas fica muito mais perto de Thane que Bolivari, então eu me interessei em achar um apartamento por ali. Além disso, pessoal, Powai é muito massa! Calçadas largas, prédios bonitos, limpeza! É um lugar realmente arrumadinho, apesar de que em um quarteirão aqui e ali temos em terrenos baldios favelas como sempre. Mas a aparência é muito acima da média do que vejo por aí em Mumbai (até onde vi né, lembrem-se, isso aqui é maior que São Paulo). Após ter ido para o D-Mart errado porque o google maps acusava 2 e vocês sabem a lei de Murphy né? Eu chutei que ele estaria no outro e não no que o motorista do rikshaw havia me deixado (pra falar a verdade foi lerdice minha, porque o motorista do rikshaw tinha me deixado no D-Mart certo e eu só fui perceber quando voltei do outro, que fica há uns 20min de caminhada). Enfim, encontrei o Tiburce lá, pelo menos as voltas que dei deu tempo pra isso.

Encontramos o 'broker' (corretor, que por sinal meu cérebro sempre imagina algo como 'quebrador' invés de corretor) e fomos visitar um apartamento. Bom, não gostamos do apartamento, não valia a pena. Porém o corretor disse que havia um outro bem melhor pelo mesmo preço, mas que nós o encontraríamos às 6h da tarde. Decidimos então visitar um colega do ace program, o Fabricio do Peru. O apartamento era bem próximo dos que olhamos, mas milhões de vezes melhor, tipo, da água pro vinho. Ficamos conversando com ele e de lá resolvemos ir pro R-City Mall em Ghatkopar, o mesmo shopping que fui semana passada para encontrar o pessoal que estava atrás de apartamento também semana passada, lembram? Almoçamos e lá encontramos um grupo do pessoal do ace program! Duas americanas e duas pessoas da Tunísia (aquele mesmo cara que dividiu o quarto comigo no hotel da conferência e a outra pessoa é uma menina) e almoçamos com eles.

Após o almoço fomos para o apartamento do cara da Tunísia. Conversei bastante com o pessoal que mora lá e depois fiquei assistindo Big Bang Theory que tava passando na tv. Estranhamente eles passam 2 episódios e logo em seguida os repetem! Bom, enquanto isso o Meher (esse cara da Tunísia) foi cozinhar uma comida típica do país dele. Às 6h da tarde eu e o Tiburce visitamos o outro apartamento que fica em Sun City, já no finalzinho de Powai. Muito legal o flat e decidimos ficar com esse, já que em Mumbai a disputa é enorme e você acaba perdendo uma oportunidade facilmente.

Depois disso, após voltar pro apartamento, eu, o Fabricio e mais um amigo dele também do Peru fomos comprar algumas cervejas numa dessas lojinhas que apenas vendem bebida. Aqui na Índia é assim, não há birita nos supermercados nem em lugar nenhum, a não ser em hotéis e restaurantes chiques. Para beber relativamente barato você tem que ir numa lojinha dessas. O mais legal é que por incrível que pareça eu estou na Índia aprendendo um pouco de Espanhol! Uma língua que nunca tive muita vontade de aprender, mas agora me arrependo de não ter investido, porque iria ser legal conversar com esses caras em espanhol. Tá, interrompendo um pouco a história, eu filosofei hoje enquanto andava num rickshaw que saber uma língua que as pessoas ao redor não sabem é um recurso muito bom em certas ocasiões e tive a ideia louca de que cada grupo de amigos deveria ter um língua própria, porque é como se você transmitisse uma mensagem pra outra pessoa quase que por telepatia, a mensagem só chega a quem te interessa! Tá certo que na verdade é sacanagem e você acaba excluindo pessoas no ambiente da conversa. Mas que é muito útil dependendo da situação é!

Enfim, compramos as cervejas praticamente quentes e voltamos. Lá comi a comida que estava boa, mas extremamente picante. Sim, realmente picante! Mais picante que a comida mais picante que eu comi até agora na Índia. É, entendam, eu comi uma comida típica da Tunísia na Índia, cada dia aqui é uma caixinha de surpresas mesmo! Ah, e vou atender às pessoas que andam me pedindo pra tirar foto das comidas, farei isso! No mais, cara... tava tão picante que eu comecei a soluçar. Então mandei junto com a cerveja quente. Por incrível que pareça meu estômago não reclamou dessa combinação exótica. Agora, constatei uma coisa, o pessoal lá tomando uma garrafa sozinho de 650ml de cerveja quente! Tipo, não que eles sejam cachaceiros, mas pra esse pessoal a ideia é você só tomar uma garrafa de cerveja quente e pronto. O que eu tive que explicar é que aquilo é bastante absurdo na cultura brasileira (de forma bem humorada, claro, mas por dentro eu estava revoltado, sério!). Eu expliquei que no Brasil (sim, isso vai soar óbvio pra vocês), compramos uma garrafa de 650ml gelada, quase empedrando, e tomamos em copos, geralmente dividimos com todo mundo na mesa. Aí eu entendi porque eles estranharam tanto eu ter comprado mais de uma garrafa.

Após esse jantar bem apimentado (na verdade eu fui no banheiro e bochechei bastante água pra amenizar). Eles me convidaram a ir numa boate não muito longe e dormir no apartamento. Também foram muito legais e me emprestaram uma toalha limpa pra que eu pudesse tomar um banho (eu, como um bom brasileiro que gosta de estar bem cheiroso e não-preguento agradeci loucamente). Pegamos o rikshaw e fomos nessa boate tranquila e vazia (que bom, terroristas não atacam lugares vazios como aquele, relaxe aí Mamis!). Dançamos e tomamos umas cervejinhas lá (geladas, como devem ser). E encontramos mais pessoas do ace program. O que já percebi é que todos do ace program são como um bom grupo de amigos, todos gostam de sair juntos e se enxergam como pessoas vindas do mesmo lugar (o que é verdade, somos todos terráqueos!).

A festa acabou às 2h da manhã! O que principalmente pra mim, os sul americanos e as americanas, achamos um absurdo! Na minha cabeça pensei 'velho! 2h da manhã eu tô com meus amigos na mesa do escondidinho lá em Aracaju pensando em pedir polenta frita, ah, e mais uma heineken bem gelada, por favor!'. Então entrei no rikshaw com um dos peruanos. Estava chovendo (sério?) e pedimos pro motorista ir pro R-city Mall que não era tão longe dali (pros padrões aracajuanos é até longinho, mas pra Mumbai, fica de um bairro pro outro). Só que o motorista nos levou na caixa prego, um pouco depois da casa do chapéu, se bem que eu vi uma placa indicando que dali reto era Bolivari, ou seja, estávamos no rumo certo pra casa do caralho. Ele nos levou pro City Mall. Cara, eu e o peruano 'barriamos' absurdamente, porque o peruano tinha sido bem claro, R-city Mall, o que fazia mais sentido julgando onde estávamos. Aí voltamos aquele caminho todo e quando passamos por um buraco na avenida o rikshaw quebrou (ê beleza!). Eu falei 'puta que pariu!' e o peruano 'puta madre!'. Bom, pelo menos rapidinho passou outro rikshaw e o motorista do que estávamos conversou em hindi pro cara (sim, aqui sempre que um hindi fala em hindi, óbvio, o povo não fica se fazendo de besta como às vezes fazem com nosso inglês, porque muito indiano tem noção básica de inglês já que eles aprendem na escola para se comunicarem com indianos dos outros estados que falam línguas diferentes, não sei se eu já havia explicado isso pra vocês).

Chegamos são e salvos no apartamento do peruano em Powai. Me arrumaram um colchonete e eu dormi ali até meio dia do outro dia. Levantei, vi que os caras estavam dormindo profundamente. Eu não estava nem um pouco afim de esperar eles... levantarem, fazer as higienes, decidirem onde comer, putz! E ainda mais, a bateria do meu telefone tinha acabo de arriar. Ou seja, uma parte de mim também havia acabado de arriar! Dei tchau pra um africano que mora lá e fui embora. Só que, vocês não vão acreditar! Do lado da porta do elevador dava pra ver através do vidro fosco na porta do outro apartamento. Estava rolando um ritual! Havia um cara que aparentava ter uns 20 anos e um senhor, ambos sentados de joelhos como japoneses. Até aí tudo bem, o problema é que havia uma fogueira no meio da sala, sim, um fogueira! Maldita hora pra bateria do telefone arriar! Eu fiquei bestificado vendo o cara colocando uma espécie de óleo e a fogueira aumentando e o apartamento se empesteando de fumaça! Eu pensei 'esse povo é doido, só pode!'.

Bom, peguei um rikshaw pra estação de trem em Andheri, ficava na casa do chapéu em relação ao apartamento. Desci do trem em Bolivari e eu estava faminto. Tão faminto que eu não poderia esperar ir para a acomodação, tomar banho e ter que procurar onde comer às 2h da tarde. O problema é que eu estava rodando em modo offline, ou seja, tive que me virar com a informação que eu tinha em cachê, ou seja, o caminho até o Mc Donalds que fica relativamente próximo à estação. Eu queria e não queria comer outro Chiken Maharaja Mac, mas sabia que havia uns mini shoppings no caminho até lá, então entrei em um deles e comi 2 salgados (um era um sanduíche de frango picante e o outro um pão com frango moído picante com frapê de café e chocolate, uma delícia!). Só que um dos salgados tinha no título 'spicy chicken' (frango picante), mas tava muito de leve o picante, muito mesmo! O que me fez formular algumas teorias, eu pensei 'tá, tudo bem, aqui quando tem dizendo que é picante, é porque é mais picante que a média... será que eu to ficando com a língua indiana, tipo, acostumado? Será que isso não é tão picante assim mesmo ou... será que o negócio mega picante do cara da Tunísia coisou a minha língua e agora eu nem sinto picante direito?'.

Foi revigorante a sensação de energia voltar pro corpo, pois eu já tava era desmaiando de fome, afinal a última coisa que eu tinha comido tinha sido o ensopado mega picante da noite anterior. Voltei pra acomodação, fui no Oberoi Mall em Goregaon, que é relativamente perto daqui, e comprei uma extensão indiana. Aqui as tomadas são de dois ou três pinos, mas o encaixe é algo como se fosse 2x a grossura ta tomada brasileira, mas pelo menos minhas tomadas encaixam nessa extensão. Voltei e chovia muito (não me diga?).

No mais, na terça-feira estou me mudando pro meu flat em Sun City, na borda leste de Powai (há um ônibus que leva 20min~30min até Thane, daquele com ar-condicionado que vem dos céus pra levar Leonardo no trabalho). Estou realmente ganhando gosto por escrever nisso aqui, adoro seus elogios e críticas pessoal!
Namastê!

Um comentário:

  1. 1-Qual foi a comida típica da Tunísia que seu colega fez?!?
    2-Eu tomo cerveja quente porque gosto!E bebo pouco também!Não achei nada estranho, nem revoltante!
    3- Só para constar,sobre o comentário: "Tá, interrompendo um pouco a história, eu filosofei hoje enquanto andava num rickshaw que saber uma língua que as pessoas ao redor não sabem é um recurso muito bom em certas ocasiões e tive a ideia louca de que cada grupo de amigos deveria ter um língua própria, porque é como se você transmitisse uma mensagem pra outra pessoa quase que por telepatia, a mensagem só chega a quem te interessa! Tá certo que na verdade é sacanagem e você acaba excluindo pessoas no ambiente da conversa. Mas que é muito útil dependendo da situação é!", ter uma idéia, ainda que boa(ou ruim, complexa ou simples, interessante ou desinteressante, importante ou não, fica a critério do julgamento de valoração de cada um), não significa necessariamente filosofar.

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