quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Salamat Datang!


Malásia! Sim, viajem boa arretada! Vamos continuar nossa aventura por esse lado de cá do planeta. Muita gente me acha louco por ter tido a coragem de chegar sozinho em outro país (a Malásia) confiando apenas no mapa do google maps que eu havia baixado andes de desembarcar no país. Como eu não tinha internet eu podia apenas ver minha posição atual sem calcular rotas. Enfim, vamos contar as coisas em ordem cronológica né?

Na segunda-feira, lembram daquele casalzinho da historinha de alguns dias atrás? Aqueles que ficavam falando besteirinhas em hindi na minha frente? Pois é! Os dois moram no mesmo prédio que eu e foram ficando mais meus amigos, só que o rapaz desse casal (que posteriormente eu confirmei que são um casal de namorados, então eu estava certo nesse sentido) teve um problema com o apartamento dele, pois a situação do dono do apartamento dele era irregular, pois bem, eu cedi meu sofá por uns dias pra ele não ficar sem teto! Hoje o casal é bem amigo nosso e até tem vindo nos visitar aqui, eles são legais mesmo, e eu noto que agora eles já não fazem de jeito algum brincadeirinha do tipo comigo. E o rapaz achou um apartamento bem perto daqui.

Na terça e quarta-feira nada demais a não ser minha vontade de chegar logo quarta-feira à noite para que eu pudesse pegar o voo para Kuala Lumpur (capital da Malásia). Então, na quarta-feira à noite peguei meu rickshaw e fui pro aeroporto. Aprendi agora uma palavrinha bem legal 'Bayaad' ou algo parecido, que significa 'irmão mais velho' ou seria como se eu estivesse chamando ele de 'brother'. Desde então minha vida com os motoristas de rickshaw tem melhorado um pouco mais.

Bom, devo dizer que aqui o aeroporto é uma burocracia... primeiro os guardinhas de armas pesadíssimas como rifles AK-47 ficam por todo o canto e pedem sua passagem aérea para verificar, só que eles não sabem inglês direito e levam meia hora pra que eles te liberem pra entrar no aeroporto e fazer seu check-in em paz. Depois disso, além da checagem de segurança da bagagem, imigração, etc. sua bagagem é verificada no raio-x de novo antes de entrar na aeronave! Mas tipo, você não tem contato com outro lugar antes de entrar na aeronave, mas mesmo assim você tem essa re-checagem.

Antes de embarcarmos para a Malásia devo afirmar que aeroportos e aviões são lugares muito bons para achar mulher bonita. Os dois comentários que quero dizer aqui são que no mesmo avião que eu havia uma indiana que, sério, ela devia ser carioca, nunca vi uma indiana tão gostosona como aquela, e dava pra ver que ela era indiana (cabelo liso, aquela cara de indiana que ao redor do olho é levemente mais escuro, tudo indicando), mas putz! Que corpão era aquele, ela era carioca, não é possível! E o outro é a aeromoça, cara, eu casava com ela na hora! Velho, muito sei lá, uma cara de japinha só que com o olho aberto como uma pessoa não-japa, uma boquinha linda e putz, parecia uma bonequinha! Ah eu casava com ela sim, pena que eu não tirei foto.

Após 5 horas de viagem e tendo deslocado mais 2 horas e meia de fuso-horário (ou seja, eu já estava a uma diferença de 11 horas em relação ao Brasil, praticamente no fuso-horário do Japão, que são 12 horas) eu finalmente cheguei na Malásia. Eu fui com 50 dólares em espécie e devo dizer que como eu não sabia nada, absolutamente nada sobre a Malásia, a não ser o circuito de formula 1 e as Petronas Towers, eu achei o seguinte 'pronto, o cara aqui no balcão vai me dar logo um milhão! hahahhahahaha'. Ledo engano, o cara me deu 140 Ringgits (a moeda da Malásia) e eu pensei 'ei velho, num era pra trocar por reais não!'.

Bom, eu percebi que o aeroporto era bonitão, mas nada demais, guarulhos é muito maior, mas o que me chamou atenção foi a qualidade do asfalto e dos carros (que ainda assim tinham o sentido contrário em relação ao Brasil, já que eles, assim como a Índia, foram colonizados pela inglaterra). Então durante a estrada eu fui percebendo que eu não estava num país qualquer. O asfalto da estrada era impecável e as casas que eu podia ver eram enormes e muito bem feitas, os prédios também. O aeroporto de Kuala Lumpur fica a 52km da estação de ônibus/metrô KL Sentral (sim, com 's').

Chegando em KL Sentral mandei logo um sorvetinho do Mc Donalds. Achei uma wi-fi e tracei a rota de onde eu estava até o hotel (maravilha!). Fui caminhando pela cidade e ficando bestificado com a qualidade da cidade, de tudo, dos prédios, da limpeza impecável das ruas, tudo! A sensação que eu tinha é que eu deveria estar em algum pais europeu desenvolvido. Bom, o calor de Kuala Lumpur era aracajuano e eu estava suando feito cuscuz, e o pior, a bateria do meu android estava acabando! Mas enfim, mesmo tendo errado a estação e ter percebido a tempo no google maps, eu fui caminhando até o hotel e consegui encontrá-lo.

Um hotel simples, quarto pequeno, mas com o precioso ar-condicionado, energia pra carregar meu android e wi-fi pra traçar as rotas pra onde eu quisesse ir e fica a dica pros que pretendem virar viajantes como eu, peguem um android, baixem o mapa de onde vocês forem antes de chegar lá, caso vocês consigam um chip com internet, perfeito, caso não (o que foi o meu caso), vocês poderão ver ao menos sua posição atual, e toda vez que tiverem contato com uma rede wi-fi poderão traçar um rota, ou seja, vocês terão sempre a cidade na palma da sua mão! (viva a tecnologia! A salvação dos lesos e loucos como eu!).

Bom, até aqui devo dizer que o trem de Kuala Lumpur é invejável, tem ar-condicionado, cobre bem a cidade, ele é 'flutuante', o nível dele é acima das ruas, então quando você está dentro dele é como se fosse sobrevoando as ruas, não é lotado e ainda por cima é barato! Custa de 1 a 2 Ringgits (de 50 centavos a R$1,00), milhões de vezes melhor que o trem da Índia, e  melhor que as linhas mais novas de São Paulo.

O hotel que eu ficava era em Jalan Petaling (rua Petaling). Com isso tenho outro comentário sobre a Malásia. A língua deles é totalmente escrita em caracteres ocidentais, ou seja, nosso alfabeto sem os acentos, como no inglês! Aprendi um bocado de palavra só lendo o que tinha em cima e embaixo (inglês) das placas. Por exemplo: 'Salamat Datang' (bem-vindo), 'Keluar' (saída), 'Pintu' (porta), 'Jalan' (rua) e algumas outras.

Não fiz muita coisa no primeiro dia por estar morto de cansaço e estar completamente sozinho, os meus amigos Daniela e Anderson que trabalham atualmente em Chennai estavam por vir no outro dia, então apenas dei alguns rolés e à noite tomei umas 2 cervejinhas no Reggae Bar bem pertinho do hotel, onde joguei sinuca com um inglês, não tenho certeza se o nome dele era Richard ou algo parecido, mas eu disse que gostava de Iron Maiden e de Beatles (duas bandas inglesas), ele achou legal.

Na madrugada Daniela e Anderson chegaram e eu tava com tanto sono que eu respondi em inglês completamente bêbado de sono a eles com a porta batendo, teria sido hilário pra alguém que tivesse dentro do quarto. Bom, no outro dia acordamos cedo e fomos tomar café bem próximo do hotel. O engraçado foi ver a rua do hotel completamente vazia e limpa, pois durante o dia aquilo ali fica mais cheio que a 'feira das troca', repleta de chineses vendendo todo tipo de bugiganga. Sabe imitações perfeitas de tudo ou aquele tipo de coisa que você nunca pensou que existisse? Então. Pois nesse café eu ri, ri, ri, de quase chorar porque havia um chinês atrás da gente com aquele sotaque bem 'englaçado' de chinês velhinho, um sotaque de senhor Miagui, pronto, imaginem, e ainda por cima ele soltou um arroto absurdo! (na china arrotar significa um ato de educação, que a comida estava boa). Pois eu comecei a rir descontroladamente e Daniela pedia pra eu parar pois ela estava sentada de frente pro chinês e já não tava mais aguentando prender o riso. Quando a gente menos espera o chinês solta outro arroto de parecer que ia vomitar! Aí eu já tava quase chorando de rir e dizendo a Anderson 'eu sei que ele tem que ser educado, mas ele também não precisa se esforçar tanto e ser tãããão educado assim! HAHAHAAHAHA'.

Pegamos o ônibus hop-on, hop-off que funciona da seguinte maneira. Você paga uma taxa e passa a poder pegar um ônibus que passa a cada 20 minutos em cada ponto turístico da cidade, ou seja, você desce no ponto, vê a atração e espera pelo próximo ônibus, ou caso não queira ver aquela atração, continua sentado no ônibus. Muito inteligente o sistema. Vimos alguns pontos turísticos e tiramos muitas fotos, o ruim é que por 2 vezes nos atrasamos e acabamos perdendo o último ônibus quando deram 6 da tarde. Aqui devo abrir outro parênteses sobre a Malásia. Eu não faço ideia o porquê, mas apesar de orientais com cara de japonês, a grande maioria deles são muçulmanos! Há mesquitas em todo canto cantando aquele moído estranho (que faz você se sentir em Bagdá). E estávamos na época de ramadan que rola no mês de Agosto, ou seja, eles não podem comer nem beber enquanto houver sol! Porém, o mais interessante é que eles são muito modernos, as meninas usavam cada shortinho curtinho maravilhoso que me fazia se sentir no Brasil, aliás, o bom é que tinha muita menina realmente bem feita e com qualidades, se é que vocês me entendem (diferente daquelas japonesas magrelas que estamos acostumados). Enfim, o ônibus encerrou porque tava na hora de comer! Mas pelo menos visitamos as Petronas Towers durante a noite... surreal aquelas torres, quase tenho torce-color de tanto olhar pra cima!

Decidimos então comprar as passagens para Pangkor Island com embarque já às 23h! Voltamos pro hotel, tomamos banho, fomos pro local do ônibus e seguimos viagem a mais de 300km de Kuala Lumpur até a cidade de Lumut onde pegamos o ferry boat até essa ilha. Dormir é para os fracos!

Chegando lá havia restaurante aberto às 4 da manhã, afinal na época do ramadan o malasiano deve poder comer a hora que quiser durante a noite. A mesquita próxima começou com aquele moído escroto outra vez e partimos pra ilha. Pelas fotos vocês devem fazer ideia que aquilo ali é o paraíso na Terra. E é! Nunca vi uma água do mar como aquela, verde e transparente quando você entra nela. Aliás, parece um pouco com a água de Xingó, naquele passeio de catamarã. Mas, aquilo é o mar! O fato interessante que tenho pra contar é que eu atravessei de caiaque até uma ilhota onde conversei com um nativo. Ele perguntou se eu era francês (eu tenho cara de francês?), o nome dele era Tam e ele disse ser de Pera (o mesmo estado onde fica essa ilha), o engraçado foi a reação dele 'aaah! Brasileiro, Ronaldo! Eu adoro Ronaldo!'. Cara, eu não sei se Ronaldo faz ideia de como ele é conhecido, até agora quem eu tive contato nesse mundo nunca vi ninguém que não soubesse quem é Ronaldo (e olha que desde que sempre me perguntam, quando num perguntam eu pergunto só pra confirmar).

No mesmo dia voltamos pra Kuala Lumpur e fomos dar um rolé na noite. Tudo muito iluminado, cerveja, bares, gente na rua até 4 da manhã (sim, dormir é para os fracos!). Agente passou por uma odisseia noturna atrás de um bar belga que tínhamos avistado durante o ônibus hop-on hop-off só porque Anderson havia dito que já provou uma cerveja belga e gostou (Anderson não bebe uma gota de álcool normalmente, tínhamos que achar esse bar a todo custo!). Não achamos o bar e voltamos mortos de cansaço pro hotel. Bom, pelo menos nesse meio tempo o que eu comi de Mc Donalds e Burguer King (só pra comer carne) num está no gibi. Eu acabei por burlar duplamente a Índia. Perdi as comemorações do dia da Independência e comi hambúrguer de carne (eu ri quando vi o anúncio do Mc Donalds, 'muuuuuu 100% beef'). Aquele anúncio causaria uma guerra civil na Índia.

Bom, no outro dia sim, conhecemos Kuala Lumpur de verdade. Estávamos mais descansados e andamos a cidade toda pra lá e pra cá de trem. Visitamos o máximo de lugares que conseguimos e já estávamos tendo a noção de que lado ficavam as coisas, como se já estivéssemos em Kuala Lumpur há dias, a frase de Daniela exprimia perfeitamente: 'de repente Kuala Lumpur ficou pequena!'. Foi muito bom ter a sensação de ter explorado a cidade de verdade, mesmo sabendo que com certeza devem ter muitas outras coisas pra ver. A coisa mais sensacional de se ver obviamente são as Petronas Towers, aquilo ali é incrível tanto de dia quanto de noite.

Eu encerrei a viagem indo cedinho no outro dia de volta pra estação principal KL Sentral (onde fomos umas mil vezes) e peguei meu ônibus até o aeroporto (ah sim, eu vi onde fica o circuito de formula 1, fica relativamente próximo do aeroporto). Devo dizer que a Malásia é incrível. Eu sei que eu deixei de contar muitas peculiaridades de cada lugar que vocês puderam ver nas fotos, mas deixarei isso pra contar pros meus amigos na mesa do escondidinho! (na verdade é que eu to morrendo de sono e já digitei uma redação enorme e não quero espantar leitores!). Espero que vocês tenham gostado e tenham (junto com as fotos) feito um pouco dessa viagem junto comigo! Até mais, se você lê e gosta então fico bastante feliz e grato! Um abraço!

Nenhum comentário:

Postar um comentário