sábado, 29 de outubro de 2011

Diwali e algumas histórias atrasadas

Antes de falar sobre o Diwali, maior festival dos milhares de festivais da Índia, vou contar-lhes algumas histórias que ficaram atrasadas por conta da minha falta de tempo (e lezeira).

Na outra semana depois da viagem para Delhi e estados vizinhos eu fui para Goa. Esse é um estado minúsculo que fica ao sul de Maharashtra (o estado em que Mumbai é a capital). Levam cerca de 12 horas de trem, a viagem é bem agradável e eu gostaria muito de poder viajar de trem no Brasil. Seria ótimo se existisse ao menos um linha chamada “litorânea” que cruzasse todas as capitais, do Natal-RN a Porto Alegre-RS. Mas, é utopia não é?

Enfim, Goa é um estado de influência portuguesa. Lá eu vi muitas coisas escritas em português (por exemplo, me hospedei num hotel chamado Avé Maria). Mas se você pensa que no cardápio temos coisas em hindi e em português, se engana! Todos os cardápios vem como segunda língua, russo! Não me pergunte por que. Eu só soube que lá em algum momento da história onde houve uma ocupação russa (eu não vi nenhum russo a não ser a Alyia, a namorada do Fabricio, o peruano).

No mais, o que devo dizer, além de finalmente ter jogado bola na beira da praia tomando cerveja, é que em Goa não há taxas sobre bebidas alcoolicas, então por exemplo, enquanto em Mumbai eu gasto 95 rúpias (R$3,39) em uma garrafa de 650ml na lojinha ou 300 rúpias (R$10,70) numa garrafinha de 250ml na balada, em Goa só na balada essa mesma garrafinha sai por 30 rúpias (R$1,07), na balada! O preço fora da balada eu num vou nem dizer pra vocês não ficarem com raiva de mim!

Bom, imagine aí. E isso aí é só o começo do que é Goa. Como isso aqui é um blog de família (e minha mãe é leitora assídua) o que eu tenho pra falar de Goa pra vocês acaba aqui.

Oi!? Do que eu estava falando mesmo? Ah! O Diwali! Não, primeiro ainda tenho mais algumas histórias atrasadas pra contar...

Primeiro, nós intercambistas de Mumbai do ACE/AIESEC nos inscrevemos numa competição de futebol num clube bem legal em Churchgate. Eu estava super empolgado, me escalei logo como atacante e estava louco pra jogar, pense numa sexta-feira que demorou pra chegar. Chegando lá eu fiquei empolgado vendo todas aquelas equipes, o gramado bom, etc. O problema foi que 20 minutos antes de a gente ter nossa primeira partida começou a chover lindamente. Mas assim, choveu chovendo mesmo, com raios, trovões e tudo (até soube que essa mesma tempestade chegou em Aracaju alguns dias depois).

O campo ficou uma merda, completamente arrombado, lamacento e terrível pra jogar! Eu que não tinha chuteira me ferrei completamente. A única coisa que fiz foi escorregar na frente da minha namoradinha indiana, a Shruti (herança de Goa). Devo ter topado na bola umas 2 vezes só. Resultado, perdemos todas as partidas, até mesmo as que aconteceram no sábado, porque não teve jeito, o campo estava terrível (e nós somos um pouco pernas de pau também, admitamos).

A outra história que tenho pra contar foi a competição de doces que a minha amiga Rashmi me convidou a participar. Eu cozinhei brigadeiro. Lá na competição só tinha mulher (mas no juri tinha um ou dois homens). Eu sei que cada mulher que provou do meu brigadeiro soltou aquele “hummmm” da Ana Maria Braga. Brigadeiro pra eles era como se fosse algo de outro mundo. E para aqueles que enxeram meu saco no facebook porque eu não usei chocolate granulado (e nem tem aqui) e os brigadeiros pareciam toletinhos de cocô, minha mãe teve uma ideia genial! Na próxima vez vou comprar uma barra de chocolate e ralar!

Eu sei que no fim das contas nem sei quem ganhou, eu acho que inventaram essa competição só pra comerem docinhos de graça. E pra falar a verdade, meu brigadeiro era o melhor que tinha lá. Vi cada receita complicada. Brigadeiro só leva quatro coisas: leite condensado, manteiga, chocolate em pó e alegria de viver.

Agora vamos ao Diwali! Esse festival é tão importante para a Índia quanto o natal é para o ocidente. Até nos cartazes dos filmes lançados nessa época saem: “Neste Diwali...”. Também conhecido como o festival das luzes, o Diwali é celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogos de artifício. Nele é celebrado o assassinato de Narakasura, uma dinvindade que simboliza o mal. Essa divindade foi um rei (lendário, não significa que ele existiu de fato) de milhares de anos atrás, que tinha muitos poderes e uma vez governou praticamente todos os reinos da Terra. Mas numa guerra Krishna (esse vocês já devem ter ouvido falar) e Satyabhama conseguiram derrotá-lo e por fim matá-lo. Antes de morrer, Narakasura pediu que recebesse uma última benção de sua mãe e que sua morte dali pra frente fosse celebrada naquela mesma data todo ano num festival repleto de luzes.

Na quarta-feira dia 26, foi de fato o Diwali e tivemos um feriado. Primeira coisa que fiz foi dormir loucamente até meio dia. Pra mim o Diwali foi o festival da comilança. Acordei faminto e recebi a visita de um africano e um turco, o David-from-Uganda (David da Uganda) e o Mutafah, respectivamente. Este último é um gordinho muito engraçado que só faz gordice. Saimos do apartamento empolgados pra comermos um subway de 12 polegadas (30cm) cada. De lá ainda tomamos um café gelado de meio litro (eu to ferrado se eu sair direto com essa cara!). Durante a noite resolvi ir sozinho mesmo para Churchgate e ver a queima de fogos em Marine drive. Antes disso eu passei no Mc Donald’s e pedi um Mc chicken, quando só faltavam duas bocadas o funcionário chega e diz: “Temos que trocar o seu hamburguer, está queimado”. Eu nem tinha percebido que a parte debaixo do pão estava um pouco queimada. Primeiro eu não entendi, quando entendi eu pensei “Opa! Nem queria!”. Aí lá vem o garçom com outro Mc Chicken! Ou seja, praticamente comi 2 pagando um! É o Diwali!

Lá em Marine drive eu vi muitas pessoas nas ruas, muitos prédios com iluminação do mesmo jeito que o natal. Como eu tava sozinho e não tinha mais o que fazer depois de passar quase uma hora caminhando ouvindo fogos e respirando toda aquela fumaça resolvi voltar pra casa. Bom, foi legal pra desestressar e refrescar a cabeça. Além de curtir um pouco o clima de um festival que outrora eu nem fazia ideia que existia! A sensação que eu tinha era de estar no meio do réveillon com aquele povo todo nas ruas soltando fogos.

No mais, espero que vocês tenham curtido mais esse post. Vou tentar manter o blog vivo, pois não só é apenas algo prazeroso pra mim e divertido pra vocês, mas é um registro da aventura que está sendo viver aqui na Índia. Um grande abraço pra vocês! Continuem acompanhando o blog e mandem sua opinião de vez em quando, ela é muito importante pra mim! Feliz Diwali!

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