segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Macacos me mordam!

Olá pessoal! A fantástica viagem à Nova Delhi e proximidades começa agora! Nos próximos parágrafos vou descrever como foi a viagem que teve desde a benção dos deuses indus até uma emocionante perseguição babuína.

Comecemos na minha vinda do trabalho. Cheguei todo apressado, preparei algo pra comer, fiz a mala rapidão e fui pro aeroporto encarando o trânsito infernal de Mumbai. Quando chego no aeroporto a atendente diz que eu tava atrasado pro voo, pensem no desespero que senti! Mas o ajudante chegou e disse pra irmos correndo. Só que ele estava falando realmente sério. Agora imaginem a cena, dois caras correndo saguões e saguões como se estivessem correndo da polícia ou caçando uma guiné. Meu irmão! Corri loucamente e cheguei na aeronave pensando que ia morrer. Agradeci absurdamente a boa vontade do cara, diga aí?

O avião que peguei é da companhia aérea Indigo. Muito legal, gostei do serviço, é uma companhia de baixo custo. O avião é muito similar aos que peguei no Brasil, mas achei tudo mais conservado, e os bancos se não me engano tinham revestimento de couro. No mais, era como se fosse um avião da Gol só que mais confortável.

Chegando em Nova Delhi encontrei meus amigos de Aracaju: Anderson, Dani e Wolney (namorado de Dani que estuda na Bélgica). Já fomos atrás de uma cervejinha, claro, mas obviamente que num tinha, estamos na Índia lembra? Nunca que ia ter cerveja pra comprar àquela hora.

Pegamos um táxi pré-pago e fomos procurar um hotel. Achamos um bem legal numa rua que tinha muitos hotéis, mas a iluminação das faxadas lembravam cabaré, isso sim. Mas olhando dentro eram hotéis normais. Você acha que eu ia achar um cabaré? Tamo na Índia rapá!

Após acordarmos, fomos tomar o café da manhã e passamos horas discutindo os planos da viagem, quem mandou todo mundo tá ocupado o tempo todo? É a vida!

Resolvemos alugar um carro com motorista e fazer um misto de carro e ônibus. Alguns trens estavam em greve e a gente não tinha tempo de decifrar todos aqueles códigos pra saber que trem tá disponível pra onde, etc. O site dos trens é horrível e muito complicado de navegar (se é pra a gente que somos de computação, imaginem como é a coisa).

Saímos por aí com o motorista do bigodinho de pedreiro, porém muito brother. Fomos no forte vermelho, muito bonito esse forte e eu só ficava imaginando os arqueiros atacando por entre aqueles buratos no alto da parede gigantesca do forte. Eu gosto muito de ver esse tipo de construção antiga e minha imaginação vai longe quando eu as vejo. Fico pensando em cada detalhe e funcionalidade das coisas.

Depois disso fomos numa mesquita. A Daniela precisou vestir uma burca (não era aquela burca toda fechada claro) e eu também! Só porque eu tava de camisa regata! Me vestiram de mulherzinha velho! Tirando isso, muito massa dentro da mesquita.

Visitamos muitos lugares. Lembro de no fim da tarde termos visitado um parque e alguns túmulos. Deixamos uma cervejinha com o motorista brother e fomos dormir no mesmo hotel. No outro dia, acordamos relativamente cedo, relativamente, pra viajarmos para Agra, em Uttar Pradesh, um estado vizinho a Nova Delhi, passando por Haryana, outro estado. Lá em Agra visitamos muitos lugares, fomos numa manufatura de mármores. Muito interessante o processo e deu vontade de comprar uma peça, custava cerca de R$600~R$700, mas era absurdamente bonito e da mesma forma barato em relação a qualquer outro lugar do mundo (uma peça daquela no brasil provavelmente custaria cerca de R$2000 ou mais). Um trabalho manual muito bem feito mesmo, impressionante. Todas as artes baseadas no Taj Mahal.

Falando nele, um parágrafo só para descrevê-lo. Quando cheguei ao local onde fica o Taj Mahal, não era possível vê-lo porque o local é cercado por muralhas enormes. Fomos para a fila do ingresso, e lá descobrimos que indiano paga Rs. 20/-, e estrangeiro paga Rs. 700/-. Muito caro, porém tentamos comprar o ingresso indiano por sermos residentes, e provavelmente na lei isso é o correto, pois trabalhamos aqui, pagamos os impostos e tudo mais. Mesmo assim, o cara do ticket queria nos cobrar o preço estrangeiro. Quando fui tentar novamente eu dei a sorte de que do nada uma moça na fila me viu com as 20 Rúpias na mão e me vendeu o ingresso dela. Peguei o ingresso e fui pra fila pra entrar no Taj Mahal. E não é que o guardinha viu meu documento de residente e aceitou? É um fato incrível aqui na Índia. A lei é da cabeça do guardinha, se ele achar que é, é, se ele achar que não é, não é, e pronto!

Enfim, entrei muito ansioso e fiquei admirando aquele complexo todo. Quando entro num portal a esquerda de repente me deparo com aquele monumento... o Taj Mahal! Incrível! No momento que olhei pra aquilo eu me arrepiei, sério! Se eu vim pra Índia foi pra ver aquilo. O templo tem uma história muito interessante. O rei fez o palácio como um túmulo pra sua amada que havia morrido. Gastou milhões de Rúpias e mais de 20 mil escravos. Em volta da portão imenso de entrada há inscrições em árabe, uma declaração de amor. O homem que pintou aquilo teve suas mãos amputadas ao término disso pra que garantissem que aquilo jamais seria escrito daquela maneira em nenhum outro lugar. O rei também tinha a ideia de construir um templo de igual magnificência próximo ao Taj Mahal para ser o seu túmulo, mas ele sabia que não daria tempo já que só o Taj Mahal levou 26 anos pra ser construído, então pediu pra sua família que ele fosse enterrado lá junto de sua amada após sua morte.

Isso é interessante, pois dentro do Taj Mahal há exatamente no centro o que provavelmente é o túmulo da rainha, e logo ao lado, mas não de forma simétrica, o túmulo do rei. Dá pra perceber que foi uma decisão tomada após o término do Taj Mahal.

Um fato engraçado que aconteceu foi que um bando, sim, literalmente, um bando de menininhas (acho que de uns 9 pra 10 anos) se amontoaram à minha volta e pediram pra tirar foto! Como se eu fosse um artista! Foi muito legal e eu mandei aquele sorriso Colgate pra foto. (Oh o jabá, vou cobrar viu!)

Dormimos em Agra e no outro dia fomos para Jaipur, a cidade cor de rosa, no estado do Rajastão. Esse estado faz fronteira com o Paquistão, foi massa ver aqueles rebeldes do talibã com metralhadora....

Eu tô brincando Mamis, relaxe aí! Num teve na disso não, você acha!? Lá visitamos muitos lugares interessantes e andamos de camelo! Devo confessar que foi um pouco assustador quando o bixo levantou, é inesperadamente alto! Muito alto mesmo! O camelo se ajoelha pra você subir nele, mas você não faz ideia do quão alto aquele bicho é! Enfim, meu espírito Indiana Jones falou alto como sempre e eu fiz foi me sentir o aventureiro das arábias montado no meu camelo irado, enquanto admirava o palácio da água na margem da estrada. Esse é um palácio que foi construído bem no meio de um lago, é bem diferente.

No outro dia pegamos um ônibus para Pushkar. Um lugar que fica a duas horas de ônibus em relação a Jaipur. Devo dizer que estava fazendo um calor absurdo, o céu azul, mas não intenso como o de Aracaju, era um azul borrado. A paisagem me lembrou absurdamente do sertão baiano que eu vou de vez em quando pra visitar minha avó. Sério, chega deu nostalgia, o cheiro de criação de animais, aquela vegetação verde, mas ao mesmo tempo seca, com aquele chão de terra levemente avermelhado. Aquelas pedras todas. Se eu tirasse uma foto ali e dissesse que era no sertão baiano ninguém perceberia a diferença. Quem já foi sabe como é, e pode confiar em mim, se for o caso, você já esteve num local igualzinho a um lugar distante na Índia.

Lá em Pushkar fomos em um dos dois únicos templos Brahms restantes (sim, daquela casta dos mercadores da novela Caminho das Índias). Lá recebi a benção de todos os deuses indianos, dei flores, lavei minhas mãos no lago e recebi aquela pintura na testa. O único fato brochante foi o rapaz ter cobrado 500 Rúpias pra isso, cortou o clima. Mas, tirando esse fato a experiência foi muito boa.

Ainda nesse mesmo dia e lugar encontramos duas meninas brasileiras num restaurante! Pense, elas chegaram lá conversando em português aí se depararam com a gente com aquela cara de quem tá entendendo tudo, elas até mandaram um "Oi!". Lembro que uma era do Rio de Janeiro e a outra de Brasília. O engraçado foi eu ter perguntado pra uma delas: "Sim, e vocês são de onde?", ela me respondeu "do Brasil". E eu: "Sim porra, eu sei! hahahahaah De onde no Brasil!". É que eu acho que pra elas deve ter sido muito espanto achar alguém do Brasil naquele fim de mundo.


Lá em Pushkar ainda, comprei mais um livro de auto-estudo Hindi. Espero ter tempo para estudar esses livros, mas que tá osso tá... Enfim, voltamos para Jaipur.
No outro dia em Jaipur, antes de voltarmos para Delhi fomos num forte onde poderíamos andar de elefante, mas naquele dia específico não era possível por causa de um festival (um dos milhões de festivais que a Índia tem, diga se de passagem). Porém, quem disse que ficaríamos sem andar de elefante? Fomos num elefantódromo (?) e alugamos dois elefantes. Demos um rolé e foi muito massa! Imagine você andar num bixo da altura de um ônibus! Engraçado era ver as criancinhas vendo aquela criatura monstruosa passar como se fosse nada. Eu garanto que minha priminha choraria horrores com aquele bixo do tamanho de um dinossauro. Eu quase choro! (to zoando, claro).

Após o término do rolé de elefante voltamos para aquele forte. Lá dentro estava acontecendo uma festividade relacionada ao festival. Adimiramos um pouco a paisagem, compramos um doce (maldito doce...) e fomos indo embora, quando de repente, não mais que de repente avistamos um macaco que estava a curtir sua banana numa boa, só que tínhamos que dar uma de fotógrafos do Discovery Channel e chegamos bem perto dele. O sacana percebeu e começou a se aproximar pra vir resolver a treta com a gente, e num é que ele percebeu meu doce!? Um segundo se eu num percebesse ele ia tomar da minha mão, me arranhar, sei lá. Sabe o que aconteceu comigo? Corri como se tivesse fugindo da polícia! Sim, virei presa de macaco! Corri e comecei a gritar por ajuda (em português mesmo). Quando eu estava disparado eu ainda senti que o macaco topou no meu pé, ele ia me pegar mesmo! Só que eu, de uma espécie mais evolída, consegui ser mais ágil!

Com vida, sem nenhum arranhão e com o doce na mão, voltei pro carro e seguimos para Delhi. Nessa volta nada de especial já que estávamos chegando poucas horas de pegarmos o voo para Mumbai (e Chennai, no caso dos demais).

Essa viagem foi incrível e eu jamais vou esquecer o que vi. Eu posso dizer que o Brasil é mais bonito que a Índia, mas eu queria que o Brasil ao menos tivesse uma história tão rica e com tantos monumentos de passados muito mais remotos que o tempo dos fortes e navios negreiros. Nesse quesito a Índia bate o Brasil de mil a zero.

Espero que vocês tenham gostado, que talvez tenham a sensação de ter viajado um pouco junto comigo. Espero também ter estigado muitos a vir um dia a esse país incrível e culturalmente rico (mesmo que às vezes você discorde da cultura). Peço desculpas por ter levado tanto tempo pra atualizar o blog, ainda tenho algumas histórias atrasadas pra escrever, mas é a falta de tempo (e de saco às vezes, não que eu que eu não goste de escrever, mas tá osso!). Afinal, aqui eu lavo, passo, cozinho... é a vida! Um abraço!


Um comentário:

  1. Eita, eu viajei junto, viu?! :D

    Quase senti o calor da Dani dentro da burca e conseguiria desenhar (se tivesse alguma habilida pra isso :P ) um storyboard da cena do macaco! Morri de rir! hahahaha

    Escreve maiss!!!! :D

    Beeijoss

    ResponderExcluir