sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pão francês


Olá pessoal! Nessa postagem falarei sobre mais uma incrível experiência em Chennai. Dessa vez estive lá para participar da ACE Global Village 2012, que é um evento onde os intercambistas do ACE program de todas as cidades da Índia se reúnem para uma espécie de intercâmbio cultural. Esse evento tem como finalidade apresentar aos indianos a diversidade cultural da TCS que tem escritórios no mundo inteiro.

O plano foi nos dois primeiros dias recebermos palestras e aquelas atividades (chatíssimas) de muito blah blah blah onde você espera pacientemente pelo coffee break ou almoço, onde você finalmente come e, o mais importante, conversa com as outras pessoas e faz de fato um intercâmbio cultural. No terceiro dia o objetivo é apresentarmos aspectos dos diversos países, continentes e etnias. Além de cozinharmos e oferecermos para degustação aos indianos alguma comida típica de cada um dos 30 países representados pelos 70 intercambistas do ACE program.

Começando pelo primeiro dia, tive que acordar bem cedo para pegar o avião para Chennai. Fui acompanhado da minha colega de apartamento, a colombiana Natália. O voo era às 6 da manhã, imaginem o sacrifício que não foi acordar antes das 4 para não correr riscos. Eu sei que de um dia pro outro eu mal dormi 2 horas seguidas.

Ao chegar no aeroporto me juntei aos outros ACErs de Mumbai que estavam pegando o mesmo voo. A viagem foi tranquila e acabamos chegando bem cedo em Chennai, por volta de umas 8 da manhã. No aeroporto nos juntamos a outros ACErs vindo de outras cidades como Delhi, Baroda e Kolkata. De brasileiros ali tínhamos a Amanda do Espírito Santo, o Bruno de Minas Gerais, o Igor do Rio de Janeiro e a Laura de São Paulo (mas eu só fui saber que ela era brasileira um tempo depois, sabe como é, brasileiro não tem um rosto padrão). Se bem que o Bruno quando chegou de Kolkata eu já vi logo que era brasileiro pelo jeito que ele chegou já num sorrisão pro povo, e o jeito de falar que não tinha como não ser brasileiro.

Fomos recepcionados pelo meu velho amigo Anderson e o Eliabe de São Paulo, que é de Mumbai, mas já tinha chegado antes, pois ele fazia parte do comitê da organização do evento. Pegamos um ônibus fretado diretamente para Siruseri, o maior escritório da TATA não só na Índia, mas na Ásia.

No ônibus fui acompanhado do Bruno e do Igor. Fiz amizade rapidamente com os dois, principalmente o Bruno, mineiro e cheio das armadas igual um dos meus melhores amigos que também é de Minas. Ele acabou virando meu parceiro de birita na viagem, do mesmo jeito que esse meu amigo é lá em Aracaju. No ônibus também descobri que a Laura era brasileira. Ela veio à Índia após ter passado 7 meses na França. Como os brasileiros totalizavam de longe a maior delegação (12 no total), decidiram colocar ela como representante da França. Mais para frente eu explico como eu fui parar no estande dela para ajudá-la na distribuição do prato dela para milhares de indianos canibais famintos.

O complexo de Siruseri é de fato impressionante! Parece aquelas construções imponentes do novo mundo árabe. Tudo muito espelhado e moderno. Eu soube que esse escritório ganhou um prêmio de arquitetura em 2011, não deve ter sido à toa. Lá as salas de conferência são muito modernas e confortáveis. As cantinas têm todo tipo de opção, parece que você está num shopping center. Se você quer salada, tem um quiosque só pra isso, se você quer comida indiana no bandejão, tem. Se você quer um suco de fruta poderoso, tem de tudo que é fruta. Se você cansou e quer um hambúrguer com fritas e coca-cola, também tem. Tudo nas diversas cantinas espalhadas pelos andares do complexo.

Depois de muito esperar para almoçar, chegamos na cantina para termos o almoço. Lá encontrei alguns dos membros da velha gangue de Chennai: O Fabian da Colômbia, a brasileira Pérola de Goiás, a Simona da Romênia, entre outros. Mas almocei com a Luísa da Venezuela, a Cristina da Costa Rica e o Juan de Porto Rico, o trio de Delhi. Foi bem legal conhecer eles. Quem tinha o sotaque mais diferente era a Luísa. No começo eu achei estranho, achei que ela tava fingindo, depois percebi que ela falava espanhol do mesmo jeito, e depois, sério, fiquei fã, muito engraçadinho. O sotaque venezuelano é mais cantado que o meu sotaque sergipano. Sem contar que a Luísa é doida pelo Brasil, quando ela tentava falar português é que era engraçado, porque estranhamente o sotaque dela ajudava a soar até bem em português a pronuncia do que ela tentava dizer.

Depois do almoço seções chatas, slides, atividades, etc. Eu sentava com o Bruno, o Fabrício do Peru e Marcos do México pra ficar fazendo e falando besteira. Também tinha um cara da Sérvia por perto, o Marko, o qual eu rapidamente apelidei de Petkovic, óbvio!

Lembro também de ir no banheiro e de repente um estrangeiro dizer “Oi!”, e eu “Opa! Brasileiro?”, ele “Não” (sem ironia, e o sotaque era muito bom), e eu “Oxente e por que o português??”, ai ele: “É porque eu sou espanhol e minha mãe é portuguesa”. Pra mim foi uma sensação engraçada, porque era um gringo falando português muito bem, geralmente a gente não usa nosso português para ficar batendo papo com gringos, não é? Esse era o Júlio da Espanha.

No fim do primeiro dia pegamos o ônibus fretado para a TQ (transit quarters, o hotel). Na volta vim com o Bruno falando muita besteira, rindo e combinando a biritagem que estava por vir. Paramos numa wine shop para comprarmos o mé. Não sei porque cargas d’água o ônibus não nos levou até a TQ, e sim nos deixou na avenida para andarmos milhares de quilômetros com todas aquelas bagagens nas estradinhas de barro com poças, muito comum em Chennai. Pra falar a verdade Chennai parece muito aquelas cidadezinhas de beira de praia, onde asfalto é só nas avenidas, o restante é barro. Só sei que quando já estávamos todos de saco cheio com aquilo, sem saber onde diabos ficava a TQ e todos calados e concentrados nos buracos da estrada de barro, o Karim do Egito soltou a máxima “WHERE IS THE FUCKING TQ??”. Algo do tipo “CADÊ A PORRA DA TQ”. Eu tô rindo disso até hoje quando eu lembro. O jeito ignorante que ele falou foi muito engraçado, eu fico imitando toda hora, aquele “FUCKING” foi da alma.

No segundo dia foi o maior sacrifício acordar cedo. Mas os baldes de água fria no banheiro me ajudaram a acordar. Eu mal tinha dormido 2 horas seguidas. Mas tudo bem, eu sou de ferro! (É nada! Vocês tinham que ver meu estado no domingo). Na cantina da TQ já fiz logo amizade com o dono falando o pouquinho de Tamil (a lingual local) que eu sei. Eu sempre me divirto um bocado com isso. Eu sei perguntar “Tamil terima?” (“Você sabe Tamil?”) ou “Hindi pata hai?” (“Você sabe Hindi?”).

Nesse dia durante a tarde combinamos que teríamos uma apresentação de dança no próximo dia para algumas regiões do mundo. As divisões foram: América do Norte, representado pelos americanos Douglas da Carolina do Sul, Christina, a nordestina dos EUA, Lydia , a americana meio chinesa, a texana Maricela (por isso esse nome meio mexicano) e o mexicano que ficou avulso na dança, o Marcos; Europa, representado por pelo menos umas mais de 15 pessoas, dentre elas o Petkovic, digo, o Marko da Sérvia, a Magdalena da Polônia, as meninas da Romênia Simona, Angela, Alina e Monica, a Vanja (lê-se Vania) da Eslovênia, o Júlio da Espanha, além de pessoas que não lembro os nomes agora, mas sei que tinha gente da Ucrânia, Dinamarca e da Rússia também, uma mistureba europeia; África, representado por mais umas 20 pessoas ou mais, dentre elas o Chinedu e mais algumas pessoas da Nigéria, aquele meu antigo problema, digo, ex-colega de apartamento Tiburce de Benin, o Anthony (Tonito), Frank e mais algumas pessoas do Kenia, David, outro David e Mukasa da Uganda, Karim do Egito, Fatma e mais outro rapaz da Tunísia, além de tantos outros africanos que eu não consegui memorizar os nomes, mas que somavam pelo menos uns 8 ou mais países diferentes; Ásia, representada apenas pela chinesa de Hong Kong, a Chanchalai, mais conhecida como Jenifa (todo chines pode escolher um nome internacional); e a maior delegação, com mais da metade dos 70 intercambistas… Latin Americaaaaa!! (América Latina), representados pelos brasileiros Anderson, a gaúcha Bibiana, Bruno, Igor, Eliabe, as capixabas Nádia e Amanda, Pérola e Emeline, a brasileira Laura não conta porque representou a França e dançou com os europeus, e a Daniela não participou da conferência, pois estava viajando, além deles um tal de Leonardo também, o Percy da Bolívia, os colombianos Andres, Fabian, Natalia, John, Wilman e Andrea, a Cristina da Costa Rica, o Juan de Porto Rico e a Luisa da Venezuela, os peruanos Fabrício, Elsa e um rapaz que chegou havia só alguns dias (a mesma situação que eu e Anderson na ACE Conference do ano passado), além do mexicano Marcos que dessa vez não ficou avulso na dança.

Esse último parágrafo enorme com todos esses nomes foi só pra vocês terem uma ideia de todo o tipo de gente de todos os cantos do mundo que estavam participando dessa conferência. Aqui vai um fato interessante que aconteceu. Os africanos ficaram chateados porque ficou combinado que os árabes do Egito e da Tunísia, além de participarem da dança africana, teriam um tempo exclusivo para fazer uma apresentação árabe com a finalidade de mostrar que a TCS também está presente no oriente médio e no mundo árabe. Eu tenho certeza que a ideia foi do idiota do Tiburce, pensem num sujeito que gosta de se amostrar! Eu sei que passamos uns 10 minutos num impasse porque algum africano ainda argumentou “ah, se esses 2 países vão ter uma apresentação só pra eles, então vai ter que ter uma apresentação pra cada país africano”. Nisso o Tiburce quando viu que não ia dar em nada, levantou e saiu. Eu acho é pouco que ele acabou ficando no vácuo, porque ninguém deu importância e acabou que os africanos cederam. Ninguém me tira que a ideia dessa questão que aconteceu não partiu desse babaca do Tiburce (Se ele usa google tradutor pra ler meu blog ou algum amigo dele, dane-se).

A questão serviu pra mostrar que infelizmente há um pouco de baixa auto-estima por parte dos negros africanos. Eu acho que infelizmente eles pagam injustamente por conta de alguns deles que fazem muita besteira. A exemplo mesmo do Tiburce, pra cada africano safado e enrolado igual a ele existem centenas de africanos boas pessoas e honestas, eu tive contato em Chennai na minha viagem anterior, por exemplo, com africanos realmente muito inteligentes e capacitados como o David da Uganda e o Frank do Quênia que moram na casa do Anderson. Eu e o David terminamos empatados no xadrez e além disso eu lembro que ele tinha acabado de tirar uma certificação de alto nível em Java. Já o Frank deu um show em mim no xadrez, não ganhei nenhuma, e ele tinha altas manobras muito inteligentes.

Voltando à conferência, agora vocês vão ver que América Latina é América Latina. Depois da discussão toda e da questão africana fomos para o coffee break. Decidimos que a música da gente iria ser Kuduro (aquela que começa em espanhol e depois é cantada em português). Eu lembro que eu tinha dado a ideia de dançarmos La Bamba, já que era a mais conhecida na América Latina, mas acho que Kuduro foi melhor ideia porque ela é famosa aqui também, todo club em Mumbai toca essa música. Quando voltamos do coffee break, todas as salas disponíveis no andar já estavam ocupadas com o pessoal da Europa, América do Norte e África. Achamos um espaço vazio entre as duas salas… então fizemos lá mesmo, com latino americano não tem tempo ruim!

Combinamos os passos e ficou bem legal. Todo mundo muito animado, e mesmo sendo a maior delegação, aquele espaço curtinho nos serviu muito bem. Me fez pensar mesmo que nós da América latina compartilhamos algo na nossa cultura que só tem nesse lado de cá (digo, daí!) do planeta. É uma facilidade pra se divertir e sorrir com tão pouco.

Nesse dia ficou estritamente proibido biritar ou farrear, pois no outro dia seria o dia mais importante e teríamos que estar em Siruseri o mais cedo possível. Mesmo dormindo relativamente cedo eu queria ter dormido muito mais. Chegamos em Siruseri e já partimos para a cozinha. Eu que fazia parte da equipe de cozinha já fui ajudando logo onde eu podia. Comecei descascando batatas com as romenas, pra salada delas. Depois fui bater a massa da panqueca eslovena da Vanja (lê-se Vania, viu!), aí fui assar as panquecas. Como a Vanja era a chefe da equipe de cozinha ela nem tocou nas panquecas, pois tinha que ficar coordenando tudo. Foi quando eu achei engraçado, pois quem se juntou a mim foi o Fabrício e um auxiliar indiano, eu falei: “olhe pra nós, um brasileiro, um peruano e um indiano assando panqueca eslovena, só no Global Village mesmo!”. A panqueca era bem gostosinha e doce. Eu brincava dizendo que estava cozinhando chapatti esloveno (chapatti é um tipo de panqueca comum aqui na Índia, não tem gosto de nada e é usada pra comer todo tipo de comida Indiana).

Também lembro de cortar plantanos (algo que nunca vi no Brasil e é intrigante, você jura que é uma banana e quando abre tem consistência e aparência de mandioca, ou macaxeira no bom sergipanês, ou aipim na Bahia, enfim, vocês entenderam!) para uma receita do Porto Rico. Foi quando cortei meu dedo e comecei a sangrar loucamente. Lavei e manchei o detergente todo de vermelho, mas meu dedo está OK, relaxe aí Mamis!

Por fim eu descasquei uns pepinos para uma receita da Turquia e cortei uns cubos de queijo para um macarrão peruano. Pensava eu que iria poder provar cada uma dessas comidas, que engano. Depois de averiguar um pouco como tava indo alguns outros pratos (tá, eu sei que eu sou um desastre ambulante, mas eu até que levo jeito pra cozinha, sério!) fui ajudar a Nádia e o Igor no estande brasileiro. Modéstia parte, ficou o mais bem decorado de todos! Mas também, com tanto brasileiro! Massa foi a Jenifa da China que fez algo do mesmo nível (ou até melhor) completamente sozinha, esse povo do olho puxado, dá até raiva! (brincando! Mas vão ser eficiente pra lá viu!).

Bom, depois de muito blah blah blah, fala disso, daquilo do ACE program fomos para os estandes. O brasileiro Eliabe é que apresentou, ele fez muito bem, ele é desse povo bem animado e descontraído, agitou legal.

Nos estandes a ideia era calmamente apresentar nossos países e oferecermos uma amostra de alguma comida típica daquele país. Mas quando percebemos, começamos a ver a maré de indianos encher rapidamente. Nisso eu lembrei de um comentário de algum indiano aleatório quando eu estava caminhando por Siruseri “Ah! The food festival!” (“Ah o festival de comida!”), eu já estava sentindo que isso ia dar merda. Com aquela multidão de indianos se formando rapidamente uma das meninas falou: “A Laura tá sozinha lá no estande da França, vai algum de vocês meninos ajudar ela!”. Eu me ofereci, mal sabia eu que eu seria o salvador da pátria… francesa!

Eu sei que a menina havia cozinhado um tipo de sopa de cebola. Quando eu cheguei lá só deu tempo de dizer: “Oi Laura, vim ajudar!”. Começou a bagaceira, de repente pensei que estava no meio dos trens de Mumbai. Um empurra empurra, eu sei que eu peguei as baguetes e comecei a oferecer os pedacinhos e a sopa pra molhar o pão. Comecei a fazer aquilo freneticamente, me senti Jesus distribuindo o pão para a multidão faminta. A gente ficou besta, mal dava pra acreditar que aquele povo era funcionário da Tata igual a gente. Muito tumulto, e eu ficava pedindo calma. Mas como Leonardo é leso e o mundo pode estar desabando que ainda assim eu não deixo de leseira, um dos indianos finalmente perguntou algo da França, ele perguntou de onde eu era na França, eu rapidamente perguntei pra Laura “Rápido, uma cidade na França!”, ela “Ora, Paris!”, eu “Não, eu quero outra, uma qualquer!”, ai ela me disse uma que eu não lembro agora, mas eu imitei direitinho pro indiano. É claro que no meio daquilo tudo eu queria dar uma de francês mesmo! “Já que estamos na merda, vamos se melar!”.

Pois então, o brasileiro, nordestino cabra da peste, hiper patriota e regionalista, foi salvar o dia logo no estande da França. Eu ainda não engulo o Zidane e o Henry, mas fazer o quê? Acontece! (brincando mais uma vez, claro que um dia quero tomar um cafezinho olhando para a torre Eiffel).

Depois eu soube que tinham cerca de 10 mil indianos assistindo o evento. Olha, eu acho muito bonito o senso de união e divisão dos indianos… Mas o senso de organização, respeito e cavalheirismo, ah, os indianos ainda têm que aprender um bocado! Eles não estavam nem aí se tinha mulher na frente, se tinha outra pessoa na fila, tiveram caras que nem molhar o pão na sopa fizeram, só pegou o pedaço do pão e pronto, tudo porque era “comida de graça”. Além de serem muito pedreiros em relação a mulher, um deles olhou pra Laura “E mulher lá é bom, não?”, mas de um jeito tão pedreiro, que eu senti até vergonha alheia.

Outra coisa que aconteceu é que depois de meia hora distribuindo pão e sopa loucamente alguém pergunta “É vegetariano??”, eu pensava que era, a Laura “Não, tem caldo de galinha”. Eu parei, pensei um segundo, porque eu sei que pelo menos uns 60% dos indianos são vegetarianos (ou mais), mas aí pensei “Foda-se!”. A situação tava longe de se ter peninha de um vegetariano que comeu sopa com caldo de galinha.

Depois do sufoco, um pouco vergonhoso por parte da Índia (mas calma indianos, eu ainda gosto muito de vocês!), fomos para as apresentações de dança. Primeiro a América do Norte que veio com um tipo de country típico dos EUA. Depois veio a América Latina com o Kuduro, e foi um sucesso! Ficou muito massa, e agitamos bastante. Arrancamos altos gritos na parte onde dançamos em casais. Depois disso tivemos a Europa, bem fria, dançaram o tema do filme Zorba, o Grego, era bonitinho, mas meio sem graça. Depois disso os africanos arrepiaram, a dança deles foi realmente muito boa, cheio de coreografias bem legais. Depois disso o momento asiático com a Jenifa, primeiro ela começou cantando algo em chinês (e muito bem por sinal), e depois todos nós fomos para o palco, e ela nos guiou num tipo de grito de guerra de Hong Kong. Eu só lembro que tinha um pedaço que ela parecia dizer “Saiu! Angu! Sou titia, sou titia!!”, muito engraçado. Pra finalizar tivemos a Fatma e o outro rapaz lá da Tunísia e o Karim do Egito numa dança árabe que ficou muito legal. A Fatma salvou o barco porque o Karim e o outro cara eram muito atrapalhados, o que fez tudo ficar realmente engraçado. No fim das contas foi um sucesso todas as apresentações.

O ápice do evento merece um parágrafo à parte. Fomos pro palco e dançamos a música que é a sensação do momento aqui na Índia, procurem no youtube “Kolaweri-di”. É uma música cantada de um jeito um tanto quanto preguiçoso, mas cola no seu ouvido que é uma beleza! A Simona da Romênia que inventou a maioria dos passos. Ficou muito bom, e arrancou altos gritos da plateia, os indianos foram a loucura, sério, porque essa música é realmente o hit do momento. E tem um momento da dança que imitamos um motorista de rickshaw, nessa hora os indianos mandaram um grito, parecia que estávamos num show de rock. Foi tão bom que pediram bis, e a gente fez a dança outra vez!


Depois de tudo isso voltamos para a TQ, cansadíssimos, mas com o espírito de missão cumprida. Biritamos violentamente pra comemorar. No outro dia pela manhã, morrendo, pegamos o ônibus para Pondicherry. Dessa vez tudo mais arrumado, não aquele cenário pós-apocalíptico que estava no réveillon por causa do ciclone. Eu e a brasileira Pérola queríamos porque queríamos comer o mesmo bife macio e suculento que a gente comia direto quando viemos da outra vez. Partimos eu, ela, o Bruno, as americanas Lydia e Christina, e o papito John. Não estávamos achando o lugar e a Christina disse “que tal a gente tentar esse que tá no guia?”, pois a ignoramos e ficamos igual barata tonta pra descobrir meia hora depois que o restaurante do guia da Christina era justamente o que queríamos (na caaaaraaaaaaaa!)

O bife tava ótimo, não tínhamos comido desde o café da manhã e já eram quase 6 da tarde, porque tínhamos parado em Mahabalipuram (patrimônio da Unesco), uma praia antes de Pondicherry onde tem ótimos templos e locais esculpidos em pedra. O lugar é bonito mesmo. Lembro que tinha uma pedra gigante que parecia ser fixada na rocha por mágica, porque ela era muito imensa e parecia que podia rolar dali a qualquer momento.

Durante a noite tomamos umas cervejinhas e fizemos muito barulho no hotel. Aqui eu tenho uma história muito engraçada pra contar. De repente eu estou andando com uma romena, a Alina e a chinesa Jenifa, eu vi gente sendo expulsa do terraço, e pensei, porque não? Botei na cabeça que eu queria era ir pro terraço, arrastei as duas pro elevador, aí aparece o peruano Fabrício perguntando o que tá acontecendo, eu puxei ele pra dentro do elevador “Vamos pro terraço!! Pssssiuuuu, silêncio”. Eu sei que numa aventura épica e eu passando as ordens (eu tenho um amigo de infância que com certeza consegue imaginar muito bem meu comportamento nesse tipo de situação) e eles rindo muito com meu plano mirabolante de dominar o terraço. Conseguimos subir e fomos expulsos, subimos pelo outro lado, expulsos pelos funcionários indianos mais uma vez. Mas tínhamos que conquistar o terraço! Então finalmente, fazendo tudo direitinho, conseguimos subir sem ninguém perceber, nos escondemos atrás dos ar condicionados e esse foi o momento mais engraçado. Imaginem um brasileiro, um peruano, uma chinesa e uma romena, um olhando pra cara do outro, adrenalina pura, fazendo sinal de silêncio um pro outro, coração pulando pela boca e as lanterninhas dos guardinhas do hotel passando de um lado pro outro. Quando eles disseram algo do tipo “não tem nada aqui!”. E foram embora… vivaaaa o terraço é nosso! Os três que estavam comigo olharam pra mim e agradeceram e estavam todos eufóricos porque a gente tinha conseguido dominar o terraço. Mas infelizmente depois de alguns minutos alguém seguiu o Fabian da Colômbia que foi fazer não sei o quê no terraço e nos descobriram… mas valeu à pena a aventura. Até agora quando eu olho pro Fabrício ou pra Jenifa (a Alina mora em Chennai), a gente ri lembrando da aventura do terraço.

Encerrei a noite num hotel em algum outro lugar de Pondicherry, fomos chamados (eu e minha equipe) no último minuto pela Amanda. O nosso ônibus nos levou numa festa (mas quase ninguém foi com a gente porque a maioria ou ficou no hotel ou tinha ido pra algum outro lugar) nesse hotel. Lá tínhamos comida boa de graça e cervejinha a 100 rúpias, nada mal! No fim da noite achamos algumas indianas (gatinhas, por sinal) tocando violão. O que vocês acham que Leonardo fez? Claro! Peguei um dos violões e toquei junto com elas, elas adoraram! (Porque eu não fui alocado pra Chennai!?) Encerramos a noite voltando pro hotel bem cansados e satisfeitos com a comida muito boa que tinha de graça por lá.

Para encerrar essa postagem, devo dizer que no ônibus de volta pra Chennai me bateu uma saudade de casa, pois havia já alguns dias que eu não falava direito com meus pais pelo Skype por estar tão ocupado e com tanta coisa acontecendo. Mas é normal quando se está longe de casa, você do nada percebe que está a sete mares de distância dos seus pais e que precisa ser paciente. Não dá pra simplesmente entrar num ônibus ou ligar o carro pra ir ver eles.

No mais, estou muito bem e feliz pela experiência. Esse intercâmbio que estou tendo é realmente muito especial, não sei se indo para a Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos ou Europa você tem essa chance de trocar experiências da forma que é aqui na Índia, por que aqui ninguém é nativo, ninguém é de casa. Sem preconceito ou exclusão com os indianos (até porque nessa loucura de país onde até eu sei palavras de uma língua que um outro indiano não sabe, a Índia é diferente!), mas é engraçado olhar pra um estrangeiro do intercâmbio e dizer “um dos nossos!”, como se ele fosse do mesmo estado ou da mesma cidade que a gente. Aqui a gente se vê de uma forma diferente e as barreiras culturais caem, somos todos iguais, ganhamos o mesmo salário e pegamos os mesmos trens lotados. Eu afirmo mais uma vez, aqui é diferente e é especial.

Um grande abraço pra todos vocês. E para aqueles que pensaram, “ufa, ele acabou!”. Por favor vão ler mais que isso aqui não foi nada! Espero que isso aqui possa servir de estímulo para que você seja um pouco mais aventureiro e queira descobrir o mundo lá fora, ou que ao menos com esse texto viaje comigo e mude sua opinião sobre o que na verdade todos nós somos. Até mais!


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