quinta-feira, 29 de março de 2012

Viagem ao Japão parte VI e Holi, o festival das cores


Olá pessoal! Desculpem-me ter demorado tanto pra escrever. A viagem ao Japão já fez mais de um mês, mas eu preciso encerrar esse capítulo! Não vai demorar muito, relaxem. Antes disso devo dizer que demorei tanto porque de repente tive tanto trabalho, mas tanto trabalho! Acho que trabalhei uns quatro meses em um. Às vezes fiquei muito chateado por não ter tempo, quero fazer muita coisa. Todo dia eu quero aprender um pouco mais de Hindi, ler um livro, falar com meus pais, assistir a algum seriado. Mas, é impossível fazer tudo isso com as poucas horas do dia que me restam depois de um dia de trabalho, e escrever pra este blog então, acaba se perdendo na lista de prioridades. Estou escrevendo só agora porque achei um tempinho livre aqui no trabalho.

Sem mais enrolação e fazendo esforço para lembrar o que precisa ser escrito. Quando partimos de Tóquio para Osaka pegamos um dos trens que devíamos pegar invés daquele que vai direto só parando em Yokohama. Porém, não pudemos saber o porquê, mas o trem foi cancelado quando parou em Nagoya. Acabou que ficamos presos lá, o próximo trem só sairia por volta das 6 e meia da manhã do outro dia! Não queríamos gastar muito dinheiro para passarmos só algumas horas num hotel, tentamos ficar ali mesmo na estação, mas todos foram obrigados a sair e deixar a estação vazia. Tudo que havia era um restaurante 24h em frente à estação. Pensamos que poderíamos pedir qualquer coisa e dormir com a cabeça abaixada na mesa, mas não... ali era terminantemente proibido dormir e volta e meia uma tia vinha pra acordar a Dani que queria dormir toda hora. Teve até um que foi expulso porque não conseguia acordar, mesmo com o prato feito na frente dele resolveram cancelar, não aceitar o dinheiro dele e levar ele pra fora. O restaurante tava cheio de pessoas na mesma situação. Se ferraram porque o trem cancelou e não podiam fazer mais nada a não ser esperar.

Nessa, ainda com meu espírito “caralho, eu tô no Japão!” resolvi encarar a situação com bom humor e fui para uma dessas milhões de lojinhas de conveniência que tem em cada quarteirão do Japão. Lá aproveitei pra comprar umas cervejas e ficar bebendo do lado de fora enquanto encarava Dani e Anderson dentro lutando contra o sono. Pra falar a verdade estávamos absurdamente cansados, precisávamos mesmo dormir, mas o fato é que só eu tenho baterias de lithium.

E fiquei ali brincando de tomar cerveja e fazer fumacinha com o frio (eu nunca canso de fazer isso no frio, acho que tenho problemas!). Também pude constatar que Nagoya era um lugarzinho errado pra caramba! Eu dei uma volta no quarteirão só de onda e o que eu vi de japonesinha bêbada àquela hora da madrugada chegando com os playboyzinhos de carro e olho puxado. É meus caros, não importa pra onde você vá, se há dinheiro e modernidade, as mesmas criaturas surgem não importa onde.

Outra brincadeira que eu fazia era deixar a lata de cerveja na cestinha de uma bicicleta que tava na rua, entrar no restaurante pra conversar com Dani e Anderson, ir no banheiro, e voltar pra latinha intocada. Depois disso tive que pedir algo, porque além de não poder dormir o cliente não pode ficar sem consumir por mais de uma hora e meia (muito espertinhos, já devem ser acostumados com os viajantes dos trens bala).

Finalmente amanheceu e partimos para Osaka. Ficamos um tempo no aeroporto e tchau Japão! Iniciei minha jornada de volta a Mumbai, pensem de uma vez só fazer Osaka para Kuala Lumpur, Kuala Lumpur para Chennai, Chennai para Mumbai. Cheguei em casa morto! Bom, já falei muito do Japão nas outras postagens e encerro finalmente a viagem aqui. Eu só sei que um dia vou voltar lá com todos os meus amigos viciados em Japão assim como eu, e dessa vez vou sabendo nem que seja um nível intermediário da língua japonesa! Promessa é dívida, nem que eu já esteja casado e com dez filhos, mas eu vou voltar pra te visitar Japão! Acho que descobri uma parte do seu segredo de organização, vou tentar aplicar isso na minha vida quando voltar, vou testar no meu quarto primeiro, acho que minha mãe vai achar uma ótima ideia.

Agora vamos falar do Holi, o festival das cores! Acontece no dia 8 de março e é um festival popular. Não tem cunho religioso, então é finalmente um feriado onde você pode ficar louco, pintar todo mundo, sair todo imundo de tinta na rua, melecar o McDonalds, etc. Eu nunca vi a Índia tão louca e zoada como nesse dia. Foi realmente divertido. Não que o povo se agarre na rua, mas mil vezes o Holi que o carnaval.

Fizemos uma reunião próximo a Andheri. Lembro de ter brincado bastante com umas crianças que tinham pistolas de água. Saí molhando o povo todo! Lembro que no fim do dia todo mundo com tinta até no cérebro rasgaram a camisa de todos os caras, inclusive a minha (já tínhamos sido avisados pra usar uma camisa que não fôssemos mais usar). No fim das contas virei um mendigo colorido!

Assim encerro mais uma postagem. Dessa vez não tenho tanto pra escrever porque estive realmente ocupado esse mês. E agora então, estou vendo a reta final do meu intercâmbio na Índia. Meu visto indiano expira no dia 17 de junho, então essa fica sendo a data limite para o meu retorno ao Brasil. Quando eu tiver uma data definitiva eu divulgo. Não vejo a hora de comer pastel, tapioca, churrasco, tomar açaí, skoll geladíssima e ver mulher de biquini na praia que fica logo ali. Um abraço!

terça-feira, 6 de março de 2012

Viagem ao Japão Parte III: “Muqueca né?”


Só mais uma pausa para falar de mais um fato interessante. Talvez nem tanto, enfim. Enquanto aqui na Índia com aquele calor de rachar eles te fazem beber um copo d’água “natural” (pra mim não tem essa de natural, é quente), lá no Japão, naquele frio de lascar, te dão um copo d’água geladíssimo e com bastante gelo ainda mais! Como deve ser! Mais um ponto para os japoneses, afinal não importa que temperatura esteja fazendo, cerveja e água devem ser gelados e pronto! (tô zoando viu, sem problemas se você costuma pedir água de coco natural ou suco de laranja sem gelo).

Vamos para Tóquio, enfim! A jornada começa pegando o trem bala na estação de Kyoto. A sensação é engraçada. Você está num trem, mas não sente a roda no trilho. A sensação é de estar no avião próximo à velocidade de decolar, mas o avião nunca decola. E o balancinho também é diferente. Pra você brasileiro que não viaja de trem infelizmente (infelizmente mesmo! É uma vergonha não termos trens entre as capitais e principais cidades! Na Índia você vai para todos os cantos de trem. E no Japão você vai até ao banheiro de trem, enfim) não vai saber a diferença entre o trem bala e o trem normal. Mas se você já viajou de avião, o balancinho que o trem bala dá tem a mesma sensação do balanço do avião.

A paisagem japonesa é muito diferente da do Brasil quando se fala em viajar por terra. Enquanto viajando pelo Brasil vemos aquelas imensidões de fazendas ou terras sem nada ou só vegetação, no Japão só não tem coisa nos morros e encostas das montanhas. Porque o que se vê é sempre casas, prédios e fazendinhas (como se fossem uns quarteirões todos bem bonitinhos, muitos com equipamentos de estufa e sempre perto de casas, o “interior” japonês ainda assim é um pouco urbano). Mas nada, nem mesmo por um quilômetro seguido, se compara àquelas imensidões desabitadas que temos nas beiras das estradas brasileiras, mas nada perto daquilo mesmo! E sem esquecer que no plano de fundo sempre há uma cadeia montanhosa. Também de dentro do trem bala para Tóquio se destaca uma montanha totalmente branca. Ela se destaca mesmo, porque o sol bate na neve branca e faz com que aquele monte fique destacado, como que de propósito naquela paisagem marrom e verde. Sim, é o monte Fuji. Pretendo visitá-lo de verdade um dia. Aquilo parece ser algo que precisa ser visto com calma e apreciado de perto.

Também pude ver um pouco de neve acumulada na beira da ferrovia. Mas ainda assim, indo ao Japão, não matei meu desejo por ver neve caindo do céu (por tão pouco! Soube que nevou em Tóquio cerca de uns 3 ou 4 dias depois que parti do Japão). Uma dica importante aos turistas é que há dois tipos de trem bala que você não pode pegar com seu J-Rail Pass, o “NOZOMI” e o “MIZUHO”. Eles são iguais aos outros, mas a diferença é que param em poucas estações. Esse que pegamos, por exemplo, só pára em Yokohama antes de seguir para Tóquio. Tivemas uma senhora sorte porque a guardinha, muito educada, tentou se comunicar comigo em japonês, e iria nos cobrar mais de 12mil yenes (R$255) pela passagem. Eu nem tava com esse dinheiro na hora. Então ela, como percebeu que não tínhamos feito por maldade, apenas pediu que trocássemos de trem em Yokohama (um dos tipos é o “HIKARI”, você vai pingando em um bocado de estações, mas é o que o seu J-Rail Pass lhe dá direito a quantas vezes você quiser andar nele, lembrando que é o mesmo trem bala, só muda isso). Ela me deu até o horário exato do trem bala que eu ia poder pegar! Tudo muito explicadinho (mas claro, eu só entendi o que deu), anotado num papel. No fim eu falei sorrindo “Wakarimashita! Domo arigatou!!” (“Entendi! Muito obrigado!!”). Ela fez aquele mesmo sorriso surpreso que adoro arrancar dos indianos quando falo Hindi. Nem me senti!

Passado o susto, chegamos em Tóquio no fim da tarde. Tínhamos que chegar numa estação chamada Kagurazaka. Mas pessoal, diferente dos trens de Mumbai onde eu já decorei o nome de 80% das estações (na linha central eu já sei até a ordem!). A malha ferroviária de Tóquio é sem noção! Um emaranhado de trens e metrôs. Não importa se sua avó mora no subúrbio ou na caixa-prego, você vai chegar lá de trem. E ficamos ali sem conseguir entender aquele sistema complexo e o quanto a gente deveria pagar pelo trecho (o J-Rail pass só cobre uma linha que cruza algumas das principais estações). Um trecho custa no mínimo 120 Yenes (R$2,50). É caro se comparado à Índia, onde você paga Rs. 8/- (R$0,28) e vai de uma ponta a outra de Mumbai, mas a qualidade é incomparável (e a lotação também). Massa mesmo é em Aracaju-SE, onde se paga o valor do trem japonês para andar de ônibus (e não importando o tamanho do trecho), pelo que tenho visto na internet.

Eu sei que eu tenho feito pausas demais pra finalmente falar o que fiz em Tóquio. Mas vale mais essa. Vamos falar agora do transporte no Japão. A quantidade de carros nas ruas é relativamente baixa (ou talvez seja só impressão, por conta de todas aquelas avenidas largas, até mesmo na pacata Osaka havia algumas). Os carros não buzinam de jeito algum. Pra falar a verdade se você fechar os olhos em qualquer lugar do Japão, até mesmo em Tóquio, você vai achar que tem 10 pessoas e 2 carros na rua. Você só se toca quando abre os olhos. Japonês sabe falar baixinho e ficar quieto, uma qualidade muito boa que eu preciso absorver deles! O meio de transporte principal depois do trem é a bicicleta. Você pode largar sua bicicleta em qualquer lugar, sem cadeado algum. Ninguém vai mexer nela. Isso significa que você pode estacionar sua bicicleta para fazer compras ou até mesmo largar ela de frente pra estação de trem ou metrô e buscar ela na volta. Perfeito! Eu não usaria carro se vivesse num lugar assim! As calçadas são largas e pedestres e ciclistas têm juízo. (Já em Mumbai quase ninguém anda de bicicleta, vale mais a pena ir andando, é tanta gente que o espaço de uma bicicleta chega a ser um desaforo! Em Aracaju a gente não faz isso porque poderiam até espalhar vários locais onde você poderia trancar sua bicicleta, mas o povo lá é metido a besta, quem é que quer chegar de bicicleta? O povo lá quer chegar de carro até mesmo se o restaurante for a cem metros de casa).

Claro que devem ter outras coisas que eu tenho pra falar dos japoneses, indianos e aracajuanos, mas vamos deixar isso para um bom papo numa mesa de bar onde eu posso comparar alguns pontos de vista. Sem mais pausas vamos para Tóquio! Com a ajuda de uma mulher bem estranha a gente conseguiu chegar na estação certa. No fim entendemos o esquema do trem de Tóquio! (Ponto para mim! Já sei me virar de trem em Tóquio, quem for pra lá me chame!). A acomodação foi mais uma vez arrumada por Dani (mais um muitíssimo obrigado para ela, pensem numa pessoa que sabe a arte de viajar!), foi um tipo de couch surfing (surf de sofá). Nisso você se hospeda por alguns dias na casa de alguém de graça em troca de intercâmbio cultural (seja cozinhando algo, ensinando sua língua ou ensinando inglês). Existem sites na internet onde você pode procurar por isso, mas claro que sempre tenha muito cuidado e pesquise direitinho pra onde você tá indo (a sensação que tive agora foi a dos caras que fazem coisas legais na TV, sabem que são legais, estão loucos para dizer “façam porque é muito foda!”, mas têm que dizer “não façam isso em casa!”). Enfim, eu confio na Daniela e no fim das contas foi muito legal sim!

O “host” (o hospedador) se chama Hiroshi. Ele já é bem acostumado a fazer esse tipo de coisa. Também já viveu nos EUA por um tempo. A casa era muito legal e japonesa (vocês já sabem o adjetivo que já vem embutido nessa palavra, não é?). O nosso trato foi trazermos comida indiana e cozinharmos alguma comida brasileira. Trouxemos massa para fazer chappati (um tipo de pão), massalas (pimentas indianas em pó), pimentas (o fruto), curries indianos (acho que a gente pode dizer que é “coloral”) entre outras coisas. A comida brasileira que fizemos foi muqueca, como já havia dito. O engraçado de procurar verduras fora do Brasil são os tamanhos e aparências dos vegetais e frutas nos outros países. O pimentão japonês era pequenininho, parecia de brinquedo (o pimentão indiano é igualzinho ao brasileiro), a cebola, diferente da cebola indiana que é pequenininha, devia ser transgênica ou proveniente de Itu, eita cebola gigante! O alho então, cada dente tem o conteúdo de uns quatro ou cinco dentes. O limão não é redondinho, é aquele que tem um formato bem diferente que a gente vê nas figurinhas que representam um limão, mas que não tem nada a ver com o limão que a gente está acostumado a ver. O tomate na mesma situação da cebola, é o dobro do tamanho do tomate brasileiro e quatro vezes maior que o tomatinho indiano. O mais engraçado é que a missão de comprar tudo isso foi dada a mim, Dani e Anderson estavam cansados e com frio, enquanto eu estava no espírito “puta-que-pariu-eu-tô-em-Tóquio-velho!!!!”.

No fim das contas eu achei tudo. Ou quase tudo, teve umas folhinhas que deveriam ser qualquer coisa menos o coentro que Dani pediu. Mesmo assim ela ainda foi na minha onda de colocar aquilo dentro da muqueca. Pelo menos não estragou a muqueca, não foi o mesmo sucesso que ficou a de Chennai, mas ela ficou boa, relaxem aí. O arroz era umas bolinhas estranhas, eu tentei, tentei cozinhar aquilo, mas ficou uma papa. Pelo menos embolado na farinha de carne seca e na muqueca, ninguém notou que o arroz estava mesmo pura papa!

Bom, aos trancos e barrancos a muqueca ficou boa e todos nós e os japoneses da casa do Hiroshi gostaram e comemos tudo. Durante isso eu conversei muito empolgado com os japoneses. Falei o que eu sabia de japonês, dos animes que assisti, dos personagens, o que passou no Brasil quando eu era criança. Ninguém lá sabia quem era Jaspion! O problema é que como todos nós tínhamos de 20 a 25 anos, e Jaspion foi da década de 70 (no Japão), nenhum japonês da nossa geração assistiu, mas como chegou no início dos anos 90 no Brasil, a gente assistiu como se fosse do nosso tempo!

Lembro do japonês me mostrar o número um do mangá de Dragon Ball, e ele tinha a coleção toda! O Hiroshi me prometeu que quando vir ao Brasil vai me trazer um número daquele, eu disse pra ele que em troca vai levar uma camisa da nossa seleção pra casa. Bom, depois de conversar um monte com os japoneses (Dani e Anderson ficaram mais observando toda a abestalhação do menino que finalmente se encontrou com seus “conterrâneos”), fomos dormir.

Por negligência, ou talvez, junto com isso o cansaço da mudança repentina de clima e fuso horário, só acordamos lá pelas onze da manhã. Combinei de encontrar o Akira (aquele japonês que conheci em Chennai) na estação de Kichijouji, próximo de onde ele mora. Quando o encontramos comemos um McDonald’s e ele nos falou que vai voltar à Índia em breve para ir num casamento indiano de um amigo dele (espero que isso aconteça algumas vezes comigo também no futuro!). De lá fomos num Karaoke. Teria sido impossível se não fosse um japonês com a gente, pois as atendentes não falam inglês, o equipamento do Karaoke é totalmente em japonês, enfim, se você quiser cantar num Karaoke japonês terá que fazer um amigo japonês também!

As músicas que cantei foram Kurenai do X-Japan, Junjou na Kanjou e Tactics do anime Samurai X. Para conseguir cantar eu usei o celular do Akira para ver as letras das músicas no nosso alfabeto, já que a letra das músicas do Karaoke apareciam todas no alfabeto japonês. Eu sei que eu me diverti absurdamente, foi como realizar um velho desejo que eu tinha de cantar num Karaoke japonês. Saí todo empolgado, e o Akira também, diz ele que minha pronúncia em japonês é perfeita, parece até que eu sei a língua. O que de fato na verdade só cantei bem porque eu já ouvi essas músicas milhões de vezes. Queria ter canto mais, porém o Akira tinha uma entrevista de emprego e teve que ir. Uma pena!

Após isso, fomos à cidade eletrônica de Akihabara. O aspecto de lá é bem futurista. Com todos aqueles prédios envidraçados, telões e propagandas. Esse lugar é famoso por vender eletrônicos e artigos relacionados aos animes e os mangás. Eu vi muito nerd comprando esse tipo de coisa. Sem contar que Akihabara era muito barulhenta e o engraçado é que toda vez que o barulho diminuia a gente se dava conta que estava saindo de lá. Também aproveitamos para comprar uns presentes.

Depois de Akihabara resolvemos ir à Tóquio Tower. Um monumento estilo a torre Eiffel. De lá é possível ver como Tóquio é densa. Era impressionante a quantidade de prédios por cada quarteirão, tudo muito juntinho. Aonde a vista alcança você consegue ver aquelas luzes vermelhas piscantes do topo dos prédios. Não se via o fim da cidade e a paisagem iluminada era hipinotisante. Um lugar realmente singular a ser visitado.

Quando voltamos, antes de dormir, joguei um pouco de Winning Eleven (um jogo de futebol famoso do Playstation) no PS3 com os japoneses. Fizemos Brasil contra Barcelona. O problema é que o uniforme da seleção era totalmente verde. Eu fiquei indignado, e o pior de tudo é que o uniforme número dois era verde com branco! Dois uniformes que jamais existiram! Bom, eu perdi as duas partidas, mas botei a culpa na camisa, cada uma! Se eu tivesse jogado com a amarelinha teria ganhado de certeza, hum!

Bom, o restante da aventura eu vou contar na próxima e última postagem sobre a viagem ao Japão, relaxem porque a “viagem” acaba aqui, porque no outro dia até a vinda de volta a Mumbai só deu atrapalhada. Então basicamente vou contar o que deu errado e minhas conclusões sobre mais essa aventura. Um abraço!




quinta-feira, 1 de março de 2012

Viagem ao Japão Parte II: “Iron Maiden né?"


Ao acordarmos descobrimos que Osaka não é tão inocente assim e que provavelmente as garotas dos anúncios da revistinha do bar onde comi meu primeiro yakisoba japonês não moravam muito longe dali. Passeando pelas ruas bem bonitinhas e estreitas passamos por casas onde haviam mulheres sorridentes com a porta aberta, decotão a amostra e tabelas ao lado com preços e quantidades de minutos. Ali com certeza não era tempo para tirar foto ou conversar. Elas ficavam sentadas em almofadas como se elas fizessem parte de uma vitrine, tinha toda uma decoração em volta, roupa toda tradicional, porém com um senhor decote. Não que o bar onde trabalhamos tenha a ver com isso, e as japonesas generosas se situavam numa rua bem particular e eu lembro do marido da dona do bar citando sobre isso. Mas ele citou como se fosse nada, eu tenho a impressão que prostituição é legalizada no Japão, esqueci de perguntar, porque tanto a revista como as garotas não pareciam nem um pouco coisa ilegal ou que você precisasse fuçar muito para achar.

Passeamos mais pelas lojinhas de Osaka. O aspecto dessa cidade é algo como uma cidade do interior, claro que na versão japonesa. Compramos algumas lembrancinhas, almoçamos num restaurante bem legal. Mais uma vez você podia notar a forma de informação visual que os japoneses implementam. Na entrada você tem todos os pratos de mentirinha, feitos de plástico, mas tão bem feitos que alguns parecem de verdade. Lá dentro você encontra um cardápio com as imagens dos mesmos pratos. Ou seja, não importa se você não sabe japonês ou se já entrou no restaurante sem decidir o que queria, a informação visual está sempre a sua disposição. E os japoneses são muito bons nisso. Tudo lá tem uma figurinha, uma musiquinha, um áudio explicativo (muitas vezes em inglês) ou qualquer outra coisa que faça com que você, mesmo que seja leso (sempre vai ter mais um lugar com a mesma informação, de formas diferentes, para pessoas distraídas como eu), deficiente visual ou auditivo ou estrangeiro (uma pessoa que não fale japonês), tenha uma ideia do que está fazendo.

De repente enquanto caminhávamos me deparei com o tipo de santuário que eu nem estava lembrado de procurar durante essa viagem, uma loja de instrumentos musicais. Na mesma hora fiquei louco com todos aqueles amplificadores e guitarras Fender. Tinha guitarra, violão e baixo pra todos os gostos e de todas as cores. Comprei algumas palhetas e uma coisa que eu nem pensei duas vezes, fiquei louco, eu tinha que comprar. Um mini amplificador (quem já assistiu o filme Escola do Rock sabe o que é, tem uma cena em que o cara bota um desses no cinto e sai tocando a guitarra dele) que já vem com distorção, é movido a bateria ou pode ter uma fonte plugada, é de um tamanho que cabe na mochila ou mesmo numa bolsa, além de outras características que eu fui descobrindo e vibrando enquanto lia o manual. Sem esquecer do mais importante, aquele bixinho pequenininho faz muito barulho pro seu tamanho, se preparem! Não vejo a hora de plugar minha guitarra naquilo.

Testando isso eu peguei uma guitarra e comecei a tocar Wasted Years do Iron Maiden (minha música tema). Quando fui pagar o balconista todo sorridente com aquele jeito típico e sotaque bem forte japonês disse “Iron Maiden né?”. Eu ri viu, como ri. Até hoje quando lembro do jeito que aquele japonês falou eu riu.

Continuamos a andar pelas ruas da pacata Osaka e fomos pegar o trem para Kyoto. O engraçado é que chegando lá as cadeiras do trem estavam rodando! Sim, elas giram pro lado da viagem, além disso dentro você tem um pedal que permite girar a cadeira manualmente e formar grupos de seis pessoas, bem legal, não?

Chegamos em Kyoto à noite e no caminho para acharmos o Khaosan (um tipo de albergue japonês) paramos num tipo de loja que parece ter uma em cada esquina de lá. Uma loja onde vendem jornais, revistas, mangás, animes, camisas e acessórios relacionados a isso, hentai (desenho pornô japonês), pornografia e brinquedinhos sexuais. Sim, no Japão esses brinquedinhos, cremes, camisinhas especiais, etc., que você precisa ir numa sex shop vendem do lado de maquiagem, revistas ou roupas, não importa, como se fossem só mais um artigo (o que na minha cabeça realmente são, acho muito idiota esses enxames e blah blah blah, todo mundo quer e todo mundo faz sexo, um grande ponto para os japoneses, não parecem ser tão hipócritas!). Sem falar que os mangás e hentais têm versão homossexual (tanto lésbico como gay) e vende lá, do lado dos mangás de outros gêneros (ação, comédia, suspense, etc.). A impressão que tive é que os japoneses tratam o assunto sexualidade e desejo sexual (apesar de serem uma “raça” nerd e tímida) com bastante tranquilidade e normalidade. Aproveitando para dizer também que nenhum japonês torceu o pescoço ou esbugalhou os olhos para Dani ou qualquer outra estrangeira que vimos nas ruas (diferente de muitos indianos que me fazem até sentir vergonha alheia). Acho que japonês é tudo come quieto!

Assim, não foi só uma loja que visitei, e era o seguinte, uns 2 andares tinham muita coisa, mas eram outros 2 andares, um só com hentai e outro só com pornografia, um andar inteirinho! Chegando num andar desse você se depara logo com a capa dos filmes com aquela japonesa peladona. Brinquedinhos, cremes, camisinhas, cuecas, calcinhas e fantasias para todos os gostos. E quem olhando? Um vovozão, uma Tiazona com a filha ou sobrinha (claro que provavelmente de maior ou quase), os caras todos comportados, olhando com ar de normalidade (como deve ser!). Entrei no clima e olhei tudo de boas também porque ninguém é de ferro, não é?

O albergue japonês, o Khaosan, era muito organizado (eu nem vou mais usar essa palavra, esse adjetivo já vem embutido na palavra “japonês”). Como sempre tudo com muita informação visual e precisa. Por exemplo, você espera o elevador e tem um cartaz do lado dizendo o que cada andar tem. Dentro do elevador, do lado de cada botão tem um balãozinho explicando mais uma vez o que aquele andar tem. Tudo com aquele ar bonitinho, infantil e amigável. O Japão é um lugar muito confortável para gente lesada igual a mim!

Aquele albergue tava era melhor que muito hotel, depois então que eu entrei no banheiro descobri que eu tinha ido parar no albergue da NASA! O vaso sanitário (diferente do vaso gaúcho que é frio, ou com muita sorte há um secador do lado pra dar um jeito no choque térmico da sua perna e o vaso) já vinha com aquecedor embutido no assento onde sua perna e bunda tocam. Ao contrário do que acontece no RS onde você quer é pular do vaso e desistir de fazer o que você precisa, nesse você luta pra querer se levantar. Depois que no lado do vaso ainda havia pelo menos uns 10 botões. E era aguinha pra limpar o bumbum, opção de intensidade do jato, controle da direção do jato, aguinha na frente para as mulheres, entre outras coisas. Tudo impecavelmente limpo e cheiroso, daria para morar ali.

Nessa primeira noite nos entupimos de bebidas e esses empacotados bonitinhos do Japão que crianças de 10 anos ou Leonardo ficam doidos pra experimentar. Eu experimentei bebidas pelo estilo da lata. A lata que tivesse me chamado mais atenção eu tava bebendo. O fato engraçado da noite foi a gueixa (não sei se ela era uma de verdade, mas a mulher estava vestida como uma). Eu e Dani fingimos que estávamos tirando uma foto com o espaço da porta da loja entre a gente. Enquanto isso Anderson tirou foto de cada passo que a mulher deu! Outro fato engraçado foi eu entrar num restaurante pra fazer xixi. Sentei no balcão, fingi que ia pedir algo, levantei pra ir no banheiro e saí fingindo falar ao celular. Engabelar eu aprendi na Índia! O garçom só fez comer poeira.

Batemos perna em Kyoto no outro dia. Lembro de querer muito visitar o Museu Internacional de Anime e Mangá de Kyoto. Mas ele estava fechado para manutenção até um dia depois de já termos partido para Tóquio. Fiquei triste, tava louco pra ir ver, vai ficar pra próxima! Lembro de ter começado a chover e nos abrigamos num Starbucks Coffee. Nada mais muito especial nesse dia aconteceu. A chuva nos atrapalhou e só no outro dia descobrimos que podíamos usar os guarda-chuvas do Khaosan de graça!

No outro dia visitamos um casarão japonês bem tradicional, era um prédio do tempo do shogunato (quem assistiu Samurai X ou se lembra de Japão nas aulas de história sabe o que é). Tiramos várias fotos da área externa, mas eu queria era poder tirar foto da área interna. Lá tinham várias salas interessantes, tudo do jeitinho da época dos samurais, algumas até com estátuas representando o que se passava naquela sala em particular. Um fato engraçado foi passar por crianças japonesas (um montão), todas começaram a sorrir pra mim, aí eu acenei dizendo “Konichiwaaaaa!” (“Boa tarde!!”), e elas responderam acenando e dizendo “Konichiwaaaaa!!”.

Antes de irmos para Tóquio, pausa para falar do atendimento Japonês. Toda loja que você for, não importa se é a Nike Store, o restaurante de Sushi ou a banquinha de frutas, todos os atendentes que te perceberem (se tiver 10, os 10 vão fazer) irão falar “Irashaimaseeeee” (como se fosse cantando, e significa algo como “bem-vindo”). E falam outras palavras de cumprimento, tudo num padrão rigoroso, todos os atendentes de todo tipo de loja dizem as mesmas palavras e agem da mesma forma. E não importa se você pagou uma bala com uma nota de 10mil yenes (R$212). Eles não questionam se você tem moedas(falo já delas) ou notas menores e te dão o troco em 2,7289 segundos e dizem “Arigatou gozaimashitaaaaaa” e outras palavras de cumprimento, te dão as moedas na sua mão e a nota fiscal, tudo com todo o cuidado do mundo. Agora vá no Brasil pagar um sorvete com uma nota de R$100? Pior, pague um rickshaw na Índia com uma nota de 500 rúpias? (nem tente com a de mil, melhor dizer que tá sem dinheiro, sério). Você conhecerá o que é simpatia e bom atendimento!

Agora falemos dos yenes. O Yene é uma moeda (LITERALMENTE). Tudo bem que tem a nota de mil, de 5 mil e de 10 mil, mas o que você vai gastar a maior parte do tempo são moedas de 1, 5, 10, 50, 100 e 500 principalmente as de 100 e 10. Eu já estava arrombando o zíper da minha carteira que já estava pesando 10 quilos. Então resolvi separar um bolso do casaco só pra colocar as moedas, minha vida mudou depois disso. É muito estranho comer e beber pagando com moedas. Você achando que tá pagando pouquinho e na verdade tá é pagando R$5, R$10, R$20 nessa brincadeira, só usando moedinha. Uma ,silada bino!

No próximo post iremos para Tóquio. Espero que tenham gostado de mais esse texto. Um abraço!

FIM DA PARTE II.