quinta-feira, 29 de março de 2012

Viagem ao Japão parte VI e Holi, o festival das cores


Olá pessoal! Desculpem-me ter demorado tanto pra escrever. A viagem ao Japão já fez mais de um mês, mas eu preciso encerrar esse capítulo! Não vai demorar muito, relaxem. Antes disso devo dizer que demorei tanto porque de repente tive tanto trabalho, mas tanto trabalho! Acho que trabalhei uns quatro meses em um. Às vezes fiquei muito chateado por não ter tempo, quero fazer muita coisa. Todo dia eu quero aprender um pouco mais de Hindi, ler um livro, falar com meus pais, assistir a algum seriado. Mas, é impossível fazer tudo isso com as poucas horas do dia que me restam depois de um dia de trabalho, e escrever pra este blog então, acaba se perdendo na lista de prioridades. Estou escrevendo só agora porque achei um tempinho livre aqui no trabalho.

Sem mais enrolação e fazendo esforço para lembrar o que precisa ser escrito. Quando partimos de Tóquio para Osaka pegamos um dos trens que devíamos pegar invés daquele que vai direto só parando em Yokohama. Porém, não pudemos saber o porquê, mas o trem foi cancelado quando parou em Nagoya. Acabou que ficamos presos lá, o próximo trem só sairia por volta das 6 e meia da manhã do outro dia! Não queríamos gastar muito dinheiro para passarmos só algumas horas num hotel, tentamos ficar ali mesmo na estação, mas todos foram obrigados a sair e deixar a estação vazia. Tudo que havia era um restaurante 24h em frente à estação. Pensamos que poderíamos pedir qualquer coisa e dormir com a cabeça abaixada na mesa, mas não... ali era terminantemente proibido dormir e volta e meia uma tia vinha pra acordar a Dani que queria dormir toda hora. Teve até um que foi expulso porque não conseguia acordar, mesmo com o prato feito na frente dele resolveram cancelar, não aceitar o dinheiro dele e levar ele pra fora. O restaurante tava cheio de pessoas na mesma situação. Se ferraram porque o trem cancelou e não podiam fazer mais nada a não ser esperar.

Nessa, ainda com meu espírito “caralho, eu tô no Japão!” resolvi encarar a situação com bom humor e fui para uma dessas milhões de lojinhas de conveniência que tem em cada quarteirão do Japão. Lá aproveitei pra comprar umas cervejas e ficar bebendo do lado de fora enquanto encarava Dani e Anderson dentro lutando contra o sono. Pra falar a verdade estávamos absurdamente cansados, precisávamos mesmo dormir, mas o fato é que só eu tenho baterias de lithium.

E fiquei ali brincando de tomar cerveja e fazer fumacinha com o frio (eu nunca canso de fazer isso no frio, acho que tenho problemas!). Também pude constatar que Nagoya era um lugarzinho errado pra caramba! Eu dei uma volta no quarteirão só de onda e o que eu vi de japonesinha bêbada àquela hora da madrugada chegando com os playboyzinhos de carro e olho puxado. É meus caros, não importa pra onde você vá, se há dinheiro e modernidade, as mesmas criaturas surgem não importa onde.

Outra brincadeira que eu fazia era deixar a lata de cerveja na cestinha de uma bicicleta que tava na rua, entrar no restaurante pra conversar com Dani e Anderson, ir no banheiro, e voltar pra latinha intocada. Depois disso tive que pedir algo, porque além de não poder dormir o cliente não pode ficar sem consumir por mais de uma hora e meia (muito espertinhos, já devem ser acostumados com os viajantes dos trens bala).

Finalmente amanheceu e partimos para Osaka. Ficamos um tempo no aeroporto e tchau Japão! Iniciei minha jornada de volta a Mumbai, pensem de uma vez só fazer Osaka para Kuala Lumpur, Kuala Lumpur para Chennai, Chennai para Mumbai. Cheguei em casa morto! Bom, já falei muito do Japão nas outras postagens e encerro finalmente a viagem aqui. Eu só sei que um dia vou voltar lá com todos os meus amigos viciados em Japão assim como eu, e dessa vez vou sabendo nem que seja um nível intermediário da língua japonesa! Promessa é dívida, nem que eu já esteja casado e com dez filhos, mas eu vou voltar pra te visitar Japão! Acho que descobri uma parte do seu segredo de organização, vou tentar aplicar isso na minha vida quando voltar, vou testar no meu quarto primeiro, acho que minha mãe vai achar uma ótima ideia.

Agora vamos falar do Holi, o festival das cores! Acontece no dia 8 de março e é um festival popular. Não tem cunho religioso, então é finalmente um feriado onde você pode ficar louco, pintar todo mundo, sair todo imundo de tinta na rua, melecar o McDonalds, etc. Eu nunca vi a Índia tão louca e zoada como nesse dia. Foi realmente divertido. Não que o povo se agarre na rua, mas mil vezes o Holi que o carnaval.

Fizemos uma reunião próximo a Andheri. Lembro de ter brincado bastante com umas crianças que tinham pistolas de água. Saí molhando o povo todo! Lembro que no fim do dia todo mundo com tinta até no cérebro rasgaram a camisa de todos os caras, inclusive a minha (já tínhamos sido avisados pra usar uma camisa que não fôssemos mais usar). No fim das contas virei um mendigo colorido!

Assim encerro mais uma postagem. Dessa vez não tenho tanto pra escrever porque estive realmente ocupado esse mês. E agora então, estou vendo a reta final do meu intercâmbio na Índia. Meu visto indiano expira no dia 17 de junho, então essa fica sendo a data limite para o meu retorno ao Brasil. Quando eu tiver uma data definitiva eu divulgo. Não vejo a hora de comer pastel, tapioca, churrasco, tomar açaí, skoll geladíssima e ver mulher de biquini na praia que fica logo ali. Um abraço!

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