quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tudo mudou em tão pouco tempo!

Então pessoal, peço mil desculpas por ter passado tanto tempo sem escrever pro Blog. Eu tive meus motivos, pois passei por uma fase muito complicada aqui antes de finalmente ter tudo ajustado e de repente num espaço de apenas um mês tudo ter mudado completamente.

O que aconteceu é que após muita luta e negociação consegui me livrar de uma vez por todas do meu Problemático (com ‘P’ maiúsculo) colega de apartamento africano. Como já está tudo resolvido há mais de duas semanas eu vou tentar ser breve, pois não quero ficar gastando linhas e linhas do meu blog com o que não vale à pena.

Primeira coisa, aprendam a lição comigo. Caso você seja um intercambista, não se mude com qualquer pessoa só porque você está desesperado pra achar um lugar pra morar logo. Mais vale você se sacrificar quanto tempo leve gastando duas horas e meia pra chegar no trabalho até achar um lugar e pessoas certos que cometer um erro como esse.

O que aconteceu é que eu me mudei com um sujeito trapaceiro e muito desconfiado que atrasou bastante o aluguel e todas as outras coisas relacionadas ao apartamento. E ainda tinha a cara de pau de reclamar das pessoas, disso, daquilo. Enfim, passaria horas listando o quão problemático era viver com esse rapaz africano. Jamais vi um nível tão grande de irresponsabildade. Como uma pessoa vem de um país tão pobre e necessitado (Benin, na África) e desperdiçava tanta comida, fazia tanta sujeira e não dava valor a nada. E ainda por cima esse sujeito de 26 anos já é pai de uma menina de 5 anos de idade! Para mim ele é um desastre ambulante. Não gosto de julgar ninguém, mas eu tenho toda a certeza do mundo que aquele cara ainda vai pegar um problema muito sério na vida dele por se meter em tantos problemas.

Bom, o sujeito foi embora e não tem mais nenhum negócio comigo. Mas como a vida é sempre uma caixinha de surpresas, e num é que o negão acabou resolvendo minha vida sem querer? Ele num faz ideia. O indiano (o Amit) que ele acabou trazendo quando estávamos desesperados para achar alguém para dividir apartamento resolveu ficar (ele ia embora porque também não estava mais suportando o africano). Eu fiquei bastante amigo dele, e ele acabou trazendo um amigo do trabalho pra se juntar a nós. Esse amigo dele, o Rohit, é um cara muito gente fina e faz um tipo mais sério e responsável que o Amit. Extremamente organizado, fez o favor de concertar tudo que estava precisando de concerto no apartamento (chamou eletricista pra concertar a tomada do arcondicionado que tinha quebrado, entre outras coisas). Contratou uma empregada, ficou no pé dela pra ajeitar a casa todinha que estava uma bagunça.

E não é que o apartamento agora tá uma beleza? Tudo limpinho e a empregada ainda por cima lava minha roupa! Agora eu só me preocupo em cozinhar! Que é algo que gosto (e que por sinal, pessoas de Aracaju, eu estou ficando realmente bom nisso, sério!).

E uma semana depois de ter ajeitado tudo, no quarto pequeno onde ficava o africano agora temos uma colombiana, a Natália! Muito gente boa ela, apesar do inglês dela ser complicado de entender e ter um sotaque espanhol pesadíssimo. Ela é muito organizada e bem humorada. Muito bom acordar, ir pra cozinha e dizer “Buenos dias!”. Ela responde numa alegria, muito bom!

Voltando de novo no tempo. Em conjunto com os problemas que eu estava tendo com o apartamento, eu já estou solto no mundo outra vez... sempre estive né! Acharam o quê, que eu ia criar limo com alguém? Pois então, da próxima vez serei mais específico com o termo namoradinha. Vou ser mais sincero para não confundir a cabecinha de vocês. A minha peguete, Shruti, sim, peguete, agente acabou que não estamos nos vendo mais e tal, nunca fomos nada oficial, mas como eu passei um mês inteiro pegando ela eu dei a ela o título de namoradinha . Sabe como é, a vida aqui em Mumbai não é fácil! São literalmente centenas de caras para cada menina. E o pior, desculpem o linguajar, mas 90% deles fazem o tipo nem-fode-nem-sai-de-cima. Vocês não sabem quantas vezes nos clubs eu já recebi um “ei, elas estão comigo!” de caras que ficam pagando bebida para as meninas, tudo, mas não tomam atitude nenhuma e ficam bem bêbados fazendo nada. Essa semana foi o cúmulo! Eu estava no maior dancing-with-myself (dançando comigo mesmo) perto de duas garotas, sem intenção alguma, eu tava ali na minha dançando sozinho, de repente chega um rapaz, “ei, elas estão comigo!” e as meninas começaram a reclamar de mim, e eu só pensando “que porra é essa?”. Aí meu grande amigo indiano, o Kishor, falou pra elas “ei, o rapaz tá dançando no espaço dele, se ele tá perto, a vá, agente tá num club, todo mundo dança perto”.

Bom, nesse mesmo dia e lugar eu vi uma garota de boina dançando sozinha (primeira vez que vejo uma garota completamente sozinha num club). A vítima perfeita não? Bom, não vou entrar em detalhes do cafezinho e da conversa que tivemos depois do club, mas 2 x 0 pra mim na Índia! Vocês iriam adorar saber o nome dela, porque é um nome brasileiro, não muito comum, mas é um nome duplo com um sobrenome totalmente brasileiro. O motivo é porque ela vem de uma família católia. Enfim, vou manter o mistério, caso ela vire minha namoradinha... ah tábom! Minha peguete... eu revelo.

Antes que as senhoras e senhoritas de família venham me dizer que sou um putão, não sou! A culpa não é minha! Talvez alguém desperte o velho Leonardo adormecido que os meus bons amigos conhecem... por enquanto é esse que tá aí se divertindo e colecionando muitas histórias pra contar.

Enfim! Tudo mudou! Tudo mudou muito em menos de um mês! Como diz uma música que gosto e me apoio muito (uma das tantas de heavy metal que funcionam quase como minha religião) “A vida é como um jogo, nunca desista, pois ela nunca será sempre a mesma coisa”.

Antes de finalizar este post, com certeza outras histórias de menor relevância (ou não, hehe) devem ter acontecido, mas não estou muito lembrado nem quero fazer do meu blog meu diário né!
Um abraço pessoal, em breve, no natal, viajarei para Chennai, lá no outro lado da Índia para visitar meus amigos aracajuanos Daniela e Anderson e diminuir um pouco a solidão que sinto de passar um natal longe da minha família e dos meus bons amigos. Se eu sinto saudades? Caras, às vezes eu tenho que dizer pra mim mesmo quando penso quanto tempo estou sem ver minha mãe e quanto tempo ainda falta pra ver ela e todos os meus amigos e famliares, “nem pense muito nisso, nem pense muito nisso...”. Tirando isso estou muito feliz agora, minha evolução pessoal continua num rítmo que me traz cada vez mais felicidade e realização pessoal. Até mais pessoal!

sábado, 29 de outubro de 2011

Diwali e algumas histórias atrasadas

Antes de falar sobre o Diwali, maior festival dos milhares de festivais da Índia, vou contar-lhes algumas histórias que ficaram atrasadas por conta da minha falta de tempo (e lezeira).

Na outra semana depois da viagem para Delhi e estados vizinhos eu fui para Goa. Esse é um estado minúsculo que fica ao sul de Maharashtra (o estado em que Mumbai é a capital). Levam cerca de 12 horas de trem, a viagem é bem agradável e eu gostaria muito de poder viajar de trem no Brasil. Seria ótimo se existisse ao menos um linha chamada “litorânea” que cruzasse todas as capitais, do Natal-RN a Porto Alegre-RS. Mas, é utopia não é?

Enfim, Goa é um estado de influência portuguesa. Lá eu vi muitas coisas escritas em português (por exemplo, me hospedei num hotel chamado Avé Maria). Mas se você pensa que no cardápio temos coisas em hindi e em português, se engana! Todos os cardápios vem como segunda língua, russo! Não me pergunte por que. Eu só soube que lá em algum momento da história onde houve uma ocupação russa (eu não vi nenhum russo a não ser a Alyia, a namorada do Fabricio, o peruano).

No mais, o que devo dizer, além de finalmente ter jogado bola na beira da praia tomando cerveja, é que em Goa não há taxas sobre bebidas alcoolicas, então por exemplo, enquanto em Mumbai eu gasto 95 rúpias (R$3,39) em uma garrafa de 650ml na lojinha ou 300 rúpias (R$10,70) numa garrafinha de 250ml na balada, em Goa só na balada essa mesma garrafinha sai por 30 rúpias (R$1,07), na balada! O preço fora da balada eu num vou nem dizer pra vocês não ficarem com raiva de mim!

Bom, imagine aí. E isso aí é só o começo do que é Goa. Como isso aqui é um blog de família (e minha mãe é leitora assídua) o que eu tenho pra falar de Goa pra vocês acaba aqui.

Oi!? Do que eu estava falando mesmo? Ah! O Diwali! Não, primeiro ainda tenho mais algumas histórias atrasadas pra contar...

Primeiro, nós intercambistas de Mumbai do ACE/AIESEC nos inscrevemos numa competição de futebol num clube bem legal em Churchgate. Eu estava super empolgado, me escalei logo como atacante e estava louco pra jogar, pense numa sexta-feira que demorou pra chegar. Chegando lá eu fiquei empolgado vendo todas aquelas equipes, o gramado bom, etc. O problema foi que 20 minutos antes de a gente ter nossa primeira partida começou a chover lindamente. Mas assim, choveu chovendo mesmo, com raios, trovões e tudo (até soube que essa mesma tempestade chegou em Aracaju alguns dias depois).

O campo ficou uma merda, completamente arrombado, lamacento e terrível pra jogar! Eu que não tinha chuteira me ferrei completamente. A única coisa que fiz foi escorregar na frente da minha namoradinha indiana, a Shruti (herança de Goa). Devo ter topado na bola umas 2 vezes só. Resultado, perdemos todas as partidas, até mesmo as que aconteceram no sábado, porque não teve jeito, o campo estava terrível (e nós somos um pouco pernas de pau também, admitamos).

A outra história que tenho pra contar foi a competição de doces que a minha amiga Rashmi me convidou a participar. Eu cozinhei brigadeiro. Lá na competição só tinha mulher (mas no juri tinha um ou dois homens). Eu sei que cada mulher que provou do meu brigadeiro soltou aquele “hummmm” da Ana Maria Braga. Brigadeiro pra eles era como se fosse algo de outro mundo. E para aqueles que enxeram meu saco no facebook porque eu não usei chocolate granulado (e nem tem aqui) e os brigadeiros pareciam toletinhos de cocô, minha mãe teve uma ideia genial! Na próxima vez vou comprar uma barra de chocolate e ralar!

Eu sei que no fim das contas nem sei quem ganhou, eu acho que inventaram essa competição só pra comerem docinhos de graça. E pra falar a verdade, meu brigadeiro era o melhor que tinha lá. Vi cada receita complicada. Brigadeiro só leva quatro coisas: leite condensado, manteiga, chocolate em pó e alegria de viver.

Agora vamos ao Diwali! Esse festival é tão importante para a Índia quanto o natal é para o ocidente. Até nos cartazes dos filmes lançados nessa época saem: “Neste Diwali...”. Também conhecido como o festival das luzes, o Diwali é celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogos de artifício. Nele é celebrado o assassinato de Narakasura, uma dinvindade que simboliza o mal. Essa divindade foi um rei (lendário, não significa que ele existiu de fato) de milhares de anos atrás, que tinha muitos poderes e uma vez governou praticamente todos os reinos da Terra. Mas numa guerra Krishna (esse vocês já devem ter ouvido falar) e Satyabhama conseguiram derrotá-lo e por fim matá-lo. Antes de morrer, Narakasura pediu que recebesse uma última benção de sua mãe e que sua morte dali pra frente fosse celebrada naquela mesma data todo ano num festival repleto de luzes.

Na quarta-feira dia 26, foi de fato o Diwali e tivemos um feriado. Primeira coisa que fiz foi dormir loucamente até meio dia. Pra mim o Diwali foi o festival da comilança. Acordei faminto e recebi a visita de um africano e um turco, o David-from-Uganda (David da Uganda) e o Mutafah, respectivamente. Este último é um gordinho muito engraçado que só faz gordice. Saimos do apartamento empolgados pra comermos um subway de 12 polegadas (30cm) cada. De lá ainda tomamos um café gelado de meio litro (eu to ferrado se eu sair direto com essa cara!). Durante a noite resolvi ir sozinho mesmo para Churchgate e ver a queima de fogos em Marine drive. Antes disso eu passei no Mc Donald’s e pedi um Mc chicken, quando só faltavam duas bocadas o funcionário chega e diz: “Temos que trocar o seu hamburguer, está queimado”. Eu nem tinha percebido que a parte debaixo do pão estava um pouco queimada. Primeiro eu não entendi, quando entendi eu pensei “Opa! Nem queria!”. Aí lá vem o garçom com outro Mc Chicken! Ou seja, praticamente comi 2 pagando um! É o Diwali!

Lá em Marine drive eu vi muitas pessoas nas ruas, muitos prédios com iluminação do mesmo jeito que o natal. Como eu tava sozinho e não tinha mais o que fazer depois de passar quase uma hora caminhando ouvindo fogos e respirando toda aquela fumaça resolvi voltar pra casa. Bom, foi legal pra desestressar e refrescar a cabeça. Além de curtir um pouco o clima de um festival que outrora eu nem fazia ideia que existia! A sensação que eu tinha era de estar no meio do réveillon com aquele povo todo nas ruas soltando fogos.

No mais, espero que vocês tenham curtido mais esse post. Vou tentar manter o blog vivo, pois não só é apenas algo prazeroso pra mim e divertido pra vocês, mas é um registro da aventura que está sendo viver aqui na Índia. Um grande abraço pra vocês! Continuem acompanhando o blog e mandem sua opinião de vez em quando, ela é muito importante pra mim! Feliz Diwali!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Macacos me mordam!

Olá pessoal! A fantástica viagem à Nova Delhi e proximidades começa agora! Nos próximos parágrafos vou descrever como foi a viagem que teve desde a benção dos deuses indus até uma emocionante perseguição babuína.

Comecemos na minha vinda do trabalho. Cheguei todo apressado, preparei algo pra comer, fiz a mala rapidão e fui pro aeroporto encarando o trânsito infernal de Mumbai. Quando chego no aeroporto a atendente diz que eu tava atrasado pro voo, pensem no desespero que senti! Mas o ajudante chegou e disse pra irmos correndo. Só que ele estava falando realmente sério. Agora imaginem a cena, dois caras correndo saguões e saguões como se estivessem correndo da polícia ou caçando uma guiné. Meu irmão! Corri loucamente e cheguei na aeronave pensando que ia morrer. Agradeci absurdamente a boa vontade do cara, diga aí?

O avião que peguei é da companhia aérea Indigo. Muito legal, gostei do serviço, é uma companhia de baixo custo. O avião é muito similar aos que peguei no Brasil, mas achei tudo mais conservado, e os bancos se não me engano tinham revestimento de couro. No mais, era como se fosse um avião da Gol só que mais confortável.

Chegando em Nova Delhi encontrei meus amigos de Aracaju: Anderson, Dani e Wolney (namorado de Dani que estuda na Bélgica). Já fomos atrás de uma cervejinha, claro, mas obviamente que num tinha, estamos na Índia lembra? Nunca que ia ter cerveja pra comprar àquela hora.

Pegamos um táxi pré-pago e fomos procurar um hotel. Achamos um bem legal numa rua que tinha muitos hotéis, mas a iluminação das faxadas lembravam cabaré, isso sim. Mas olhando dentro eram hotéis normais. Você acha que eu ia achar um cabaré? Tamo na Índia rapá!

Após acordarmos, fomos tomar o café da manhã e passamos horas discutindo os planos da viagem, quem mandou todo mundo tá ocupado o tempo todo? É a vida!

Resolvemos alugar um carro com motorista e fazer um misto de carro e ônibus. Alguns trens estavam em greve e a gente não tinha tempo de decifrar todos aqueles códigos pra saber que trem tá disponível pra onde, etc. O site dos trens é horrível e muito complicado de navegar (se é pra a gente que somos de computação, imaginem como é a coisa).

Saímos por aí com o motorista do bigodinho de pedreiro, porém muito brother. Fomos no forte vermelho, muito bonito esse forte e eu só ficava imaginando os arqueiros atacando por entre aqueles buratos no alto da parede gigantesca do forte. Eu gosto muito de ver esse tipo de construção antiga e minha imaginação vai longe quando eu as vejo. Fico pensando em cada detalhe e funcionalidade das coisas.

Depois disso fomos numa mesquita. A Daniela precisou vestir uma burca (não era aquela burca toda fechada claro) e eu também! Só porque eu tava de camisa regata! Me vestiram de mulherzinha velho! Tirando isso, muito massa dentro da mesquita.

Visitamos muitos lugares. Lembro de no fim da tarde termos visitado um parque e alguns túmulos. Deixamos uma cervejinha com o motorista brother e fomos dormir no mesmo hotel. No outro dia, acordamos relativamente cedo, relativamente, pra viajarmos para Agra, em Uttar Pradesh, um estado vizinho a Nova Delhi, passando por Haryana, outro estado. Lá em Agra visitamos muitos lugares, fomos numa manufatura de mármores. Muito interessante o processo e deu vontade de comprar uma peça, custava cerca de R$600~R$700, mas era absurdamente bonito e da mesma forma barato em relação a qualquer outro lugar do mundo (uma peça daquela no brasil provavelmente custaria cerca de R$2000 ou mais). Um trabalho manual muito bem feito mesmo, impressionante. Todas as artes baseadas no Taj Mahal.

Falando nele, um parágrafo só para descrevê-lo. Quando cheguei ao local onde fica o Taj Mahal, não era possível vê-lo porque o local é cercado por muralhas enormes. Fomos para a fila do ingresso, e lá descobrimos que indiano paga Rs. 20/-, e estrangeiro paga Rs. 700/-. Muito caro, porém tentamos comprar o ingresso indiano por sermos residentes, e provavelmente na lei isso é o correto, pois trabalhamos aqui, pagamos os impostos e tudo mais. Mesmo assim, o cara do ticket queria nos cobrar o preço estrangeiro. Quando fui tentar novamente eu dei a sorte de que do nada uma moça na fila me viu com as 20 Rúpias na mão e me vendeu o ingresso dela. Peguei o ingresso e fui pra fila pra entrar no Taj Mahal. E não é que o guardinha viu meu documento de residente e aceitou? É um fato incrível aqui na Índia. A lei é da cabeça do guardinha, se ele achar que é, é, se ele achar que não é, não é, e pronto!

Enfim, entrei muito ansioso e fiquei admirando aquele complexo todo. Quando entro num portal a esquerda de repente me deparo com aquele monumento... o Taj Mahal! Incrível! No momento que olhei pra aquilo eu me arrepiei, sério! Se eu vim pra Índia foi pra ver aquilo. O templo tem uma história muito interessante. O rei fez o palácio como um túmulo pra sua amada que havia morrido. Gastou milhões de Rúpias e mais de 20 mil escravos. Em volta da portão imenso de entrada há inscrições em árabe, uma declaração de amor. O homem que pintou aquilo teve suas mãos amputadas ao término disso pra que garantissem que aquilo jamais seria escrito daquela maneira em nenhum outro lugar. O rei também tinha a ideia de construir um templo de igual magnificência próximo ao Taj Mahal para ser o seu túmulo, mas ele sabia que não daria tempo já que só o Taj Mahal levou 26 anos pra ser construído, então pediu pra sua família que ele fosse enterrado lá junto de sua amada após sua morte.

Isso é interessante, pois dentro do Taj Mahal há exatamente no centro o que provavelmente é o túmulo da rainha, e logo ao lado, mas não de forma simétrica, o túmulo do rei. Dá pra perceber que foi uma decisão tomada após o término do Taj Mahal.

Um fato engraçado que aconteceu foi que um bando, sim, literalmente, um bando de menininhas (acho que de uns 9 pra 10 anos) se amontoaram à minha volta e pediram pra tirar foto! Como se eu fosse um artista! Foi muito legal e eu mandei aquele sorriso Colgate pra foto. (Oh o jabá, vou cobrar viu!)

Dormimos em Agra e no outro dia fomos para Jaipur, a cidade cor de rosa, no estado do Rajastão. Esse estado faz fronteira com o Paquistão, foi massa ver aqueles rebeldes do talibã com metralhadora....

Eu tô brincando Mamis, relaxe aí! Num teve na disso não, você acha!? Lá visitamos muitos lugares interessantes e andamos de camelo! Devo confessar que foi um pouco assustador quando o bixo levantou, é inesperadamente alto! Muito alto mesmo! O camelo se ajoelha pra você subir nele, mas você não faz ideia do quão alto aquele bicho é! Enfim, meu espírito Indiana Jones falou alto como sempre e eu fiz foi me sentir o aventureiro das arábias montado no meu camelo irado, enquanto admirava o palácio da água na margem da estrada. Esse é um palácio que foi construído bem no meio de um lago, é bem diferente.

No outro dia pegamos um ônibus para Pushkar. Um lugar que fica a duas horas de ônibus em relação a Jaipur. Devo dizer que estava fazendo um calor absurdo, o céu azul, mas não intenso como o de Aracaju, era um azul borrado. A paisagem me lembrou absurdamente do sertão baiano que eu vou de vez em quando pra visitar minha avó. Sério, chega deu nostalgia, o cheiro de criação de animais, aquela vegetação verde, mas ao mesmo tempo seca, com aquele chão de terra levemente avermelhado. Aquelas pedras todas. Se eu tirasse uma foto ali e dissesse que era no sertão baiano ninguém perceberia a diferença. Quem já foi sabe como é, e pode confiar em mim, se for o caso, você já esteve num local igualzinho a um lugar distante na Índia.

Lá em Pushkar fomos em um dos dois únicos templos Brahms restantes (sim, daquela casta dos mercadores da novela Caminho das Índias). Lá recebi a benção de todos os deuses indianos, dei flores, lavei minhas mãos no lago e recebi aquela pintura na testa. O único fato brochante foi o rapaz ter cobrado 500 Rúpias pra isso, cortou o clima. Mas, tirando esse fato a experiência foi muito boa.

Ainda nesse mesmo dia e lugar encontramos duas meninas brasileiras num restaurante! Pense, elas chegaram lá conversando em português aí se depararam com a gente com aquela cara de quem tá entendendo tudo, elas até mandaram um "Oi!". Lembro que uma era do Rio de Janeiro e a outra de Brasília. O engraçado foi eu ter perguntado pra uma delas: "Sim, e vocês são de onde?", ela me respondeu "do Brasil". E eu: "Sim porra, eu sei! hahahahaah De onde no Brasil!". É que eu acho que pra elas deve ter sido muito espanto achar alguém do Brasil naquele fim de mundo.


Lá em Pushkar ainda, comprei mais um livro de auto-estudo Hindi. Espero ter tempo para estudar esses livros, mas que tá osso tá... Enfim, voltamos para Jaipur.
No outro dia em Jaipur, antes de voltarmos para Delhi fomos num forte onde poderíamos andar de elefante, mas naquele dia específico não era possível por causa de um festival (um dos milhões de festivais que a Índia tem, diga se de passagem). Porém, quem disse que ficaríamos sem andar de elefante? Fomos num elefantódromo (?) e alugamos dois elefantes. Demos um rolé e foi muito massa! Imagine você andar num bixo da altura de um ônibus! Engraçado era ver as criancinhas vendo aquela criatura monstruosa passar como se fosse nada. Eu garanto que minha priminha choraria horrores com aquele bixo do tamanho de um dinossauro. Eu quase choro! (to zoando, claro).

Após o término do rolé de elefante voltamos para aquele forte. Lá dentro estava acontecendo uma festividade relacionada ao festival. Adimiramos um pouco a paisagem, compramos um doce (maldito doce...) e fomos indo embora, quando de repente, não mais que de repente avistamos um macaco que estava a curtir sua banana numa boa, só que tínhamos que dar uma de fotógrafos do Discovery Channel e chegamos bem perto dele. O sacana percebeu e começou a se aproximar pra vir resolver a treta com a gente, e num é que ele percebeu meu doce!? Um segundo se eu num percebesse ele ia tomar da minha mão, me arranhar, sei lá. Sabe o que aconteceu comigo? Corri como se tivesse fugindo da polícia! Sim, virei presa de macaco! Corri e comecei a gritar por ajuda (em português mesmo). Quando eu estava disparado eu ainda senti que o macaco topou no meu pé, ele ia me pegar mesmo! Só que eu, de uma espécie mais evolída, consegui ser mais ágil!

Com vida, sem nenhum arranhão e com o doce na mão, voltei pro carro e seguimos para Delhi. Nessa volta nada de especial já que estávamos chegando poucas horas de pegarmos o voo para Mumbai (e Chennai, no caso dos demais).

Essa viagem foi incrível e eu jamais vou esquecer o que vi. Eu posso dizer que o Brasil é mais bonito que a Índia, mas eu queria que o Brasil ao menos tivesse uma história tão rica e com tantos monumentos de passados muito mais remotos que o tempo dos fortes e navios negreiros. Nesse quesito a Índia bate o Brasil de mil a zero.

Espero que vocês tenham gostado, que talvez tenham a sensação de ter viajado um pouco junto comigo. Espero também ter estigado muitos a vir um dia a esse país incrível e culturalmente rico (mesmo que às vezes você discorde da cultura). Peço desculpas por ter levado tanto tempo pra atualizar o blog, ainda tenho algumas histórias atrasadas pra escrever, mas é a falta de tempo (e de saco às vezes, não que eu que eu não goste de escrever, mas tá osso!). Afinal, aqui eu lavo, passo, cozinho... é a vida! Um abraço!


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tá fazendo sol!

Ae pessoal! Depois de ficar um tempo sem escrever por falta de tempo (e de saco), venho aqui continuar a minha aventura. Agora eu decidi cozinhar sempre, eu senti que eu tava emagrecendo comendo aquela comida chata da cantina e agora tenho comido altos arroz, feijão, frango, peixe, macarrão. O que dá na telha ou eu falo com minha Mamis na webcam e pergunto como faz ou eu consulto o pai dos burros (Google).

E não é que eu to virando um bom cozinheiro? Pois é! Altos indianos me dizem que minha esposa vai ser muito feliz. Eita povo que só pensa em casar hein? Enfim. Agora invés de me surpreender todo dia com uma comida nova (não tenho visto mais nada novo e enjoei enjoando de tudo ali), agora estou surpreendendo os indianos todo dia com minha comida brasileira. Só por exemplo, como o meu astral mudou completamente, assim que eu comi meu primeiro almoço de feijão, arroz e frango empanado, putz! É como se eu tivesse mudado de vida! Eu passei uns poucos dias comendo só arroz puro no almoço, aquilo não estava me fazendo bem.

Bom, vamos ao fim de semana o qual eu pulei e não escrevi nada ainda. A história interessante que tenho pra contar é que recebi na minha casa dois dos meus melhores amigos aqui (mais pra frente vou descrever pra vocês quem são esses meus melhores amigos aqui) o peruano Fabrício e o indiano Kishor. Este último trouxe uma garrafa de whisky pra agente beber. Tomamos umas cervejinhas aqui e um pouco desse whisky e fomos para uma boate. Lá encontramos todos os outros da nossa comunidade AISEC/ACE program. Foi muito divertido, tinha futebol passando na televisão (invés de cricket, graças a Deus!). Na volta ficamos no meu apartamento conversando muito eu, o Kishor, um amigo nosso do escritório (outro indiano), Wilmar, colobiano, Fabrício e Natália, colombiana. Discutimos e filosofamos altas coisas, até sobre nós latino-americanos que não sabemos uma vírgula dos termos católicos em inglês. Nenhum de nós não sabe nem como se reza em inglês. E é estranho por que na Bíblia eles usam termos de inglês arcaico e nem eu nem os outros latino-americanos fazemos ideia. Bom, rolou outras discussões interessantes, cada um com seu sotaque inglês diferente, mas todo mundo se entendendo!

Também estava com agente a namorada do meu colega de apartamento. Uma canadense negra que sonha em um dia ir na Bahia! Eu dei todo o apoio do mundo e disse pra ela que a Bahia é um lugar especial. Além de ser de onde minha mãe veio eu realmente gosto do astral daquela terra.

Fato que não devo deixar de acrescentar é a folga do meu colega de apartamento, o Tiburce, de Benin, África. Agente deixou a garrafa de whisky na mesa da sala e o cabra safado bebeu um bocadão e foi dormir, enquanto estávamos na rua! Pensem que eu fiquei barriado! E ele nem pediu desculpas pro indiano (aaah se fosse eu que tivesse pago pela garrafa eu ia dar a peste!). Muito folgado esse meu colega de apartamento.

Bom, na outra semana na sexta-feira fui pra uma boate acompanhando toda nossa turma AISEC/ACE program. Antes disso devo contar-lhes que temporariamente veio morar aqui uma menina da Polônia que arranha no português e fala espanhol perfeitamente! A Olga. Muito gente fina ela. Então na minha casa recebi além da minha nova colega de apartamento, a brasileira Amanda, que veio pra provar da minha macarronada e brigadeiro. Uma chicleteira de Vitória-ES que curte algumas músicas do Iron Maiden (vá entender!). Se bem que no meu notebook eu tenho Cazuza, White Snake, Júlio Nascimento, Helloween, Iron Maiden, Alceu Valença, assim, uma coisa totalmente haver com a outra (vá entender!). Recebi aqui além dela o Fabrício e o mexicano Marcos.

Enfim, foi bem legal e agente saiu de uma boate (porque eles já iam fechar, um pouco mais de meia-noite) pra outra. O engraçado foi ver altas indianas (boazinhas bagarai) em altas fantasias descendo do andar de cima. Provavelmente algum indiano riquinho tava fazendo uma festa a fantasia no andar de cima dessa boate.

No sábado à tarde fui pra Churchgate encontrar com o povo pra comprarmos os tickets do trem pra Goa. Um estado muito menor que Sergipe que fica ao sul de Maharashtra (esse estado aqui onde fica Mumbai). Vai rolar um feriadão e agente vai aproveitar pra ir lá, jogar bola, tomar cerveja a Rs. 30/- (R$1,00 e uns quebrados) e falar português! (Goa é um estado com altíssima influência portuguesa). Tá ótimo, vai ser muito massa.

Lá eu almocei com todo mundo e ainda comi um pouco de um hamburguer de carne (droga, quebrei minha promessa de não comer carne na Índia!). Lá também chegou mais um brasileiro do Rio de Janeiro pra se juntar à nossa comunidade AISEC/ACE program, estamos dominando isso aqui!

À noite saí com meu amigo indiano Kishor, ele trouxe de novo uma garrafa de whisky, dessa vez eu bolei um plano maligno de colocar Ice Tea com pimenta na garrafa vazia e largar pra ver se o folgado tomava, mas o indiano me convenceu a não fazer a brincadeira. É, ele tinha razão e eu deixei pra lá. Aí fomos com uma turma de indianos, até andei um pouco num Corolla playboy (digaí, nunca andei de Corolla playboy em Aracaju, mas na Índia né).

Eu fui até um clube com esses caras e foi assim, um dos caras que trabalham no meu escritório foi lá convencer o cara pra agente entrar sem mulher. Aqui clube tem uma história que você tem que entrar com mulher pra entrar de graça. Aí você pensa que é pra poder rolar a maior pegação lá dentro. Que nada! Fica um bando de indiano dançando igual leso e você não vê um raio de pessoa se pegando. Aí ele conseguiu botar agente pra dentro porque ele é amigo do gerente. Já dali fomos pra outro club e foi engraçado porque esse mesmo cara levou uma meia hora e nada de conseguir botar agente pra dentro. Aí eu já tava todo me achando né, cheguei e me meti na conversa. "Amigo, eu to aqui, meus amigos e eu queremos entrar pra tomar nossa cerveja, vamos gastar algum dinheiro, vai ser bom pro clube, é mais vantagem pra vocês deixar agente entrar", coisas do tipo, ele me respondeu que precisa ter 25 anos pra beber no clube, aí eu respondi "Você acha que alguém no meio dessa multidão vai parar pra olhar meu passaporte? Por favor!". Num foi nem 5 minutos de papo furado com o segurança e ele botou agente pra dentro. Ué, eu só fiz mandar o naipe sincero! Bom depois fui terminar a noite na casa dos caras comer salgadinho picante e tomar só mais um pouquinho de Kingfisher que ninguém é de ferro né.

Pessoal, agora parte atemporal. Vou lhes contar quem são os meus amigos mais próximos aqui, os indianos e os estrangeiros. Além dos brasileiros Eliabe e Amanda.

Kishor (Indiano) - Trabalha no mesmo complexo que eu, no projeto da Siemens. Muito gente fina, só é meio gago no inglês, mas é brother. Gosta de se divertir comigo e já estamos armando altos esquemas pros fins de semana. O que eu gosto nele é que ele parece ter o sexto sentido bem aguçado. A frase favorita dele quando vai falar comigo é "do one thing: ..." (faça isso:). Ele fala isso direto.

Nikhil (Indiano) - Trabalha no mesmo complexo que eu, pega o mesmo ônibus e faz academia comigo. Já foi no Brasil, volta e meia tá com a camisa da seleção e é muito gente boa. Tá aí pra me ajudar no que der e vier e todo dia eu converso com ele na volta no ônibus. Já falei do Brasil com ele até enjoar.

Aditi (Indiana) - Trabalha no mesmo escritório que eu, Chrysler. Muito gente boa, é minha companhia no almoço junto com alguns outros colegas e me ajuda muito. Ela anda muito comigo no dia a dia, além de pegar  o mesmo ônibus que eu. Odeia doce e ama comida picante. Eu sempre tiro bastante onda quando ela reclama de algo picante como: "Você reclamando de picante?".

Rashmi (Indiana) - Trabalha no mesmo complexo que eu. É a ex do meu folgado colega de apartamento. O cara enrolou ela pra caramba, mas enfim eles terminaram. Muitíssimo gente boa e me ajuda bastante. Já me emprestou a cozinha pra que eu fizesse o frango tailandês e me ajudou no mercado a comprar os vegetais todos. Tenho uma amizade muita boa com ela. Não temos nenhum interesse extra amizade e ela vive me cutucando porque ela fortemente suspeita que a Aditi é doida por mim. Eu realmente gosto da amizade dela. É alguém que ainda vai me ajudar muito, e tá sempre disposta pra me ajudar.

Fabrício (Peruano) - Muito gente boa, chegou na Índia no mesmo tempo que a Daniela e ela já tinha me falado que ele era um cara bom. Louco por futebol, tem uma namorada russa que parece uma criança, mas tem a minha idade. Eu gosto de sair com ele e agente tira muita onda, comenta das meninas, etc. de um jeito que me lembra muito o jeito brasileiro, afinal somos latino americanos! Tá aí pro que der e vier e ele me chama pros encontros com o povo da comunidade AISEC/ACE program, ele é como se fosse minha ponte pro pessoal.

Finalmente as Monsões estão acabando e parou de chover toda hora. Teve até céu azul! Acho que depois de eu ajustar mais algumas coisas que precisam ser ajustadas eu vou conseguir me adequar legal e passar esse ano tranquilo. O clima já está me ajudando bastante!

Bom, eu tenho mais algumas histórias pra contar de coisas que eu vi muito engraçadas, mas só serve eu contando ao vivo e imitando, então fica pra quando eu voltar. No mais, essa semana viajo pra Dehli! Vou visitar muitos lugares, tirar muitas fotos e ver meus grandes amigos Anderson, Daniela e Wolney. Um grande abraço pra todos vocês. Tenho conseguido aprender muita coisa extra computação aqui. Não é fácil, mas eu acho muito válido aprender ao mesmo tempo sobre certas coisas e isso ainda por cima ser com pessoas de todos os cantos do planeta, além desses indianos todos. Dia 29 faço três meses. Parece até um namoro esse meu relacionamento com a Índia não?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Até teve sol

Bom pessoal! Eu deixei pra escrever dois fins de semanas em uma única postagem, pois não tive tanta coisa pra escrever no fim de semana passado. O que aconteceu foi que na sexta-feira eu fui pra um lugar bem legal chamado Blue Waters em Andheri West. Muito massa mesmo! É um bar bem legal com telões onde passam esportes. Pena que o que tava passando era cricket (alguém por favor ensine os indianos a jogar futebol!).

Tomei minhas cervejinhas e conversei com a maioria do pessoa do ACE program. Tirando isso o que aconteceu foi que contraí uma puta diarreia! Tive um fim de semana de rei... Então não pude sair de casa no sábado nem no domingo. Ainda bem que eu utilizei o remédio que minha Mamis tinha colocado pra mim! Mas, no mais eu passei o fim de semana em casa.

Na quarta-feira da outra semana eu fui convidado pela brasileira Amanda para um Pizza Hut em Powai, pois um rapaz de Uganda (um país africano) foi alocado para um projeto em Chennai (onde meus amigos Anderson e Daniela estão atualmente) e o pessoal decidiu se despedir dele por lá. Na ocasião havia um argentino e eu não resisti: 'Hey man... TOOOO BAD FIVE WORLD CUPS!!' ('Ei cara... FOI MAL CINCO COPAS DO MUNDO!!'). Assim, nem ele nem os outros latino americanos que estavam deram muita importância e só deram uma risadinha de leve, mas que o argentino fez uma micro-expressão facial de cara de cú, ele fez. O que inflou meu ego absurdamente por dentro (eu fico rindo até agora lembrando).

Na semana o fato relevante foi que na quinta-feira tivemos o feriado de lord Ganesha. Quem assistiu a novela caminho das Índias pode se lembrar de que divindade indiana se trata. Para quem não viu ou não lembra, é aquela mulher com cabeça de elefante e quatro braços. Eu nesse dia resolvi organizar a casa, dar uma boa limpada e comer um frango no KFC...


Já no fim de semana eu fui com uma amiga indiana no sábado para uma feira onde pude comprar fresquinho todos os ingredientes para fazer um frango tailandês que minha mãe me ensinou pelo skype. A indiana Rashmi me emprestou sua cozinha e alguns outros ingredientes (como o molho Shoyu). O impressionante é que ficou muito bom mesmo! Eu fiquei bastante satisfeito em comer algo bom, bem feito e não-picante.


Esse arroz com cebola, cenoura e ervilhas também ficou muito bom e foi minha mãe que me ensinou também. Eu tô levando jeito pra coisa!

Bom, e assim foram essas minhas últimas duas semanas. Eu tenho falado muito sobre o Brasil pro pessoal da Índia e não vejo a hora de poder dar outra aula de português, pra mim foi muito bom! Eu só preciso que meu supervisor tenha tempo disponível. No mais a experiência continua. Devo dizer que tenho muitos desafios diários aqui, como suportar o trânsito de Mumbai, tomar conta da casa, choque cultural, etc. Mas o maior obstáculo de todos até agora é a saudade. Então para quem pensa em ir pro outro lado do mundo, está aí uma coisa que você tem que lidar constantemente. Um abraço pra todos vocês! Em breve mais um aventura interessantíssima. No fim do mês estou viajando pro norte da Índia e terei oportunidade de ver o Taj Mahal! (finalmente!) Até mais! Namastê!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Meter!

Olá pessoal! Vamos a mais um fim de semana em Mumbai! De quando voltei da Malásia até a sexta-feira nada muito importante aconteceu a não ser a decoração dos festejos da independência da Índia que estava por todo o escritório (seria legal se eu tivesse tido a oportunidade de me dividir em dois e deixar um metade aqui curtindo as comemorações). Uma decoração bem interessante com as cores da bandeira da Índia (laranja, branco e verde).

Na sexta-feira recebi a visita de uma pernambucana que mora em Bangalore, uma cidade mais ao sul da Índia. Ela havia feito uns contatos para se hospedar aqui e acabou não dando certo, eu acabei por ajudá-la hospedando ela aqui em casa. De cara já foi muito legal ouvir aquele sotaque pernambucano característico ao telefone quando ela veio me pedir informações de como chegar até minha casa. Com certeza um sotaque mais familiar que dos outros brasileiros que vivem aqui. O nome dela é Natália.

Nesse dia fomos até a casa do Eliabe, que fica pro lado de Andheri. O problema foi que o Eliabe me passou o endereço da rua com um espaço que não existia (Jeeja Mata road invés de Jeejamata road), o que acabou por burlar meu google maps e fazer com que levássemos mais que o dobro do tempo pra achar o lugar. Bom, chegando lá conversamos com ele por um tempo e foi onde eu descobri o porquê do meu google maps ter falhado em achar o local. A volta foi muito mais rápida e levamos menos de meia hora pra chegar.

No sábado eu dei uma de guia turístico e levei a Natália e o colombiano que está temporariamente hospedado aqui pra conhecer Churchgate e alguns pontos turísticos (Mahalakshmi temple, Gateway of India, Taj Mahal Hotel, essas coisas), foi muito legal e ótimo ter almoçado mais uma vez no café Mondegar (onde fui num dos primeiros dias aqui com o Anderson e o outro colombiano John, lembram?). Nesse meio tempo eu tive a oportunidade de botar moral num taxista que tentou dar aquela robadinha básica na gente. A Natália perguntou quanto tempo ia levar até chegar num lugar lá, e o taxista notando que se tratavam de gringos já foi mandando o 'fifty Rupee!' (50 rúpias), aí foi que eu respondi em hindi 'Tumku kya mee pahgal lagta huin? Meter! Meter!' ('Tá pensando que sou louco? Taxímetro! Taxímetro!'). Num instante o cabrinha disse algo do tipo 'Tá tá! Meter, meter...'. Nem me senti! Botei moral no fi-duma-égua oxente! A corrida custou 30 rúpias.

À noite saímos pra encontrar alguns outros brasileiros, só que num deu nem pra conversar muito com eles, era uma balada e eu num tenho saco pra ficar conversando gritando com o povo, e ainda por cima eu estava puto porque eu estava fedendo e tinha pisado em merda na rua. Espero em breve ter a oportunidade de conhecer melhor os outros brasileiros que moram aqui.

No domingo eu não acompanhei a Natália e o colombiano Wilmar no passeio deles porque eu pretendia lavar e passar umas roupas. Só que eu resolvi deitar na cama pra descansar só um pouquinho... o problema é que esse pouquinho foi a tarde toda! Dormi que sonhei. Então só acabei as tarefas domésticas lá pela noite. Eu havia prometido a eles que ia cozinhar, e foi aí que eles tiveram que esperar pacientemente eu ir no supermercado, comprar frango, fazer o frango, esquentar o arroz e fritar as batatinhas! Além de fazer um brigadeiro. Foi bem legal!

No outro dia a Natália foi embora e fez falta, foi muito legal o fim de semana com uma brasileira por aqui. Após um fim de semana bem divertido o mais interessante que tenho pra contar pra vocês é que uma menina comentou que meu sotaque português é engraçado, parece que falo cantando. Eu ri muito porque pessoas de outros estados brasileiros têm essa impressão do sotaque sergipano, e ouvir isso de uma indiana? Foi bastante interessante.

Ah! Eu já ia esquecendo, um fato muito interessante aconteceu na segunda-feira, eu comecei a dar aulas de português no escritório! Sim, com slides e tudo bonitinho! Foi muito legal ensinar as coisas para aquelas pessoas (inclusive dois caras muito importantes do escritório). Um deles pegou a lógica dos números em português e acertou de primeira dizer 'cento e quarenta e um' pra 141. O engraçado foi meu supervisor tentando falar a palavra 'mulher', e eu já previa isso, porque o som do 'lh' é meio difícil de dizer pra pessoas de outras línguas. Eu me senti muito honrado e feliz por ver aquele povo aprendendo português de verdade. Eu vou continuar uma vez por semana dando essas aulas. Não que eu seja obrigado ou esteja achando ruim, muitíssimo o contrário! A ideia foi minha e eu curti muito!

Bom, além da língua eu dei uma 'introdução' à geografia do Brasil. O legal é que no outro lado do planeta muita gente num sabe nem que no Brasil falamos português e que a capital é Brasília, nem mesmo chutar que a gente fala espanhol como muito americano/europeu faz! Muito indiano num sabe nem o que é São Paulo ou Rio de Janeiro, contrariando o que muita gente pensa que essas cidades são tão famosas assim. Enfim, uma amiga minha aqui acha que eu devo ser louco por ter dado a aula tão naturalmente e rindo sendo que dois dos caras mais importantes do escritório estavam assistindo a aula (e eles dois foram os que mais se divertiram, aliás). Mas eu sou meio louco mesmo, eu num sei distinguir importância de pessoas, por mim pode ser alguém famosíssimo ou uma autoridade absurda que eu num fico nem um pingo nervoso ou trato diferente.

Muito orgulhoso por de alguma forma estar sendo um embaixador do Brasil na Índia, eu espero que vocês continuem a ler o blog e a me apoiar nessa experiência tão diferente! Um abraço!



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Salamat Datang!


Malásia! Sim, viajem boa arretada! Vamos continuar nossa aventura por esse lado de cá do planeta. Muita gente me acha louco por ter tido a coragem de chegar sozinho em outro país (a Malásia) confiando apenas no mapa do google maps que eu havia baixado andes de desembarcar no país. Como eu não tinha internet eu podia apenas ver minha posição atual sem calcular rotas. Enfim, vamos contar as coisas em ordem cronológica né?

Na segunda-feira, lembram daquele casalzinho da historinha de alguns dias atrás? Aqueles que ficavam falando besteirinhas em hindi na minha frente? Pois é! Os dois moram no mesmo prédio que eu e foram ficando mais meus amigos, só que o rapaz desse casal (que posteriormente eu confirmei que são um casal de namorados, então eu estava certo nesse sentido) teve um problema com o apartamento dele, pois a situação do dono do apartamento dele era irregular, pois bem, eu cedi meu sofá por uns dias pra ele não ficar sem teto! Hoje o casal é bem amigo nosso e até tem vindo nos visitar aqui, eles são legais mesmo, e eu noto que agora eles já não fazem de jeito algum brincadeirinha do tipo comigo. E o rapaz achou um apartamento bem perto daqui.

Na terça e quarta-feira nada demais a não ser minha vontade de chegar logo quarta-feira à noite para que eu pudesse pegar o voo para Kuala Lumpur (capital da Malásia). Então, na quarta-feira à noite peguei meu rickshaw e fui pro aeroporto. Aprendi agora uma palavrinha bem legal 'Bayaad' ou algo parecido, que significa 'irmão mais velho' ou seria como se eu estivesse chamando ele de 'brother'. Desde então minha vida com os motoristas de rickshaw tem melhorado um pouco mais.

Bom, devo dizer que aqui o aeroporto é uma burocracia... primeiro os guardinhas de armas pesadíssimas como rifles AK-47 ficam por todo o canto e pedem sua passagem aérea para verificar, só que eles não sabem inglês direito e levam meia hora pra que eles te liberem pra entrar no aeroporto e fazer seu check-in em paz. Depois disso, além da checagem de segurança da bagagem, imigração, etc. sua bagagem é verificada no raio-x de novo antes de entrar na aeronave! Mas tipo, você não tem contato com outro lugar antes de entrar na aeronave, mas mesmo assim você tem essa re-checagem.

Antes de embarcarmos para a Malásia devo afirmar que aeroportos e aviões são lugares muito bons para achar mulher bonita. Os dois comentários que quero dizer aqui são que no mesmo avião que eu havia uma indiana que, sério, ela devia ser carioca, nunca vi uma indiana tão gostosona como aquela, e dava pra ver que ela era indiana (cabelo liso, aquela cara de indiana que ao redor do olho é levemente mais escuro, tudo indicando), mas putz! Que corpão era aquele, ela era carioca, não é possível! E o outro é a aeromoça, cara, eu casava com ela na hora! Velho, muito sei lá, uma cara de japinha só que com o olho aberto como uma pessoa não-japa, uma boquinha linda e putz, parecia uma bonequinha! Ah eu casava com ela sim, pena que eu não tirei foto.

Após 5 horas de viagem e tendo deslocado mais 2 horas e meia de fuso-horário (ou seja, eu já estava a uma diferença de 11 horas em relação ao Brasil, praticamente no fuso-horário do Japão, que são 12 horas) eu finalmente cheguei na Malásia. Eu fui com 50 dólares em espécie e devo dizer que como eu não sabia nada, absolutamente nada sobre a Malásia, a não ser o circuito de formula 1 e as Petronas Towers, eu achei o seguinte 'pronto, o cara aqui no balcão vai me dar logo um milhão! hahahhahahaha'. Ledo engano, o cara me deu 140 Ringgits (a moeda da Malásia) e eu pensei 'ei velho, num era pra trocar por reais não!'.

Bom, eu percebi que o aeroporto era bonitão, mas nada demais, guarulhos é muito maior, mas o que me chamou atenção foi a qualidade do asfalto e dos carros (que ainda assim tinham o sentido contrário em relação ao Brasil, já que eles, assim como a Índia, foram colonizados pela inglaterra). Então durante a estrada eu fui percebendo que eu não estava num país qualquer. O asfalto da estrada era impecável e as casas que eu podia ver eram enormes e muito bem feitas, os prédios também. O aeroporto de Kuala Lumpur fica a 52km da estação de ônibus/metrô KL Sentral (sim, com 's').

Chegando em KL Sentral mandei logo um sorvetinho do Mc Donalds. Achei uma wi-fi e tracei a rota de onde eu estava até o hotel (maravilha!). Fui caminhando pela cidade e ficando bestificado com a qualidade da cidade, de tudo, dos prédios, da limpeza impecável das ruas, tudo! A sensação que eu tinha é que eu deveria estar em algum pais europeu desenvolvido. Bom, o calor de Kuala Lumpur era aracajuano e eu estava suando feito cuscuz, e o pior, a bateria do meu android estava acabando! Mas enfim, mesmo tendo errado a estação e ter percebido a tempo no google maps, eu fui caminhando até o hotel e consegui encontrá-lo.

Um hotel simples, quarto pequeno, mas com o precioso ar-condicionado, energia pra carregar meu android e wi-fi pra traçar as rotas pra onde eu quisesse ir e fica a dica pros que pretendem virar viajantes como eu, peguem um android, baixem o mapa de onde vocês forem antes de chegar lá, caso vocês consigam um chip com internet, perfeito, caso não (o que foi o meu caso), vocês poderão ver ao menos sua posição atual, e toda vez que tiverem contato com uma rede wi-fi poderão traçar um rota, ou seja, vocês terão sempre a cidade na palma da sua mão! (viva a tecnologia! A salvação dos lesos e loucos como eu!).

Bom, até aqui devo dizer que o trem de Kuala Lumpur é invejável, tem ar-condicionado, cobre bem a cidade, ele é 'flutuante', o nível dele é acima das ruas, então quando você está dentro dele é como se fosse sobrevoando as ruas, não é lotado e ainda por cima é barato! Custa de 1 a 2 Ringgits (de 50 centavos a R$1,00), milhões de vezes melhor que o trem da Índia, e  melhor que as linhas mais novas de São Paulo.

O hotel que eu ficava era em Jalan Petaling (rua Petaling). Com isso tenho outro comentário sobre a Malásia. A língua deles é totalmente escrita em caracteres ocidentais, ou seja, nosso alfabeto sem os acentos, como no inglês! Aprendi um bocado de palavra só lendo o que tinha em cima e embaixo (inglês) das placas. Por exemplo: 'Salamat Datang' (bem-vindo), 'Keluar' (saída), 'Pintu' (porta), 'Jalan' (rua) e algumas outras.

Não fiz muita coisa no primeiro dia por estar morto de cansaço e estar completamente sozinho, os meus amigos Daniela e Anderson que trabalham atualmente em Chennai estavam por vir no outro dia, então apenas dei alguns rolés e à noite tomei umas 2 cervejinhas no Reggae Bar bem pertinho do hotel, onde joguei sinuca com um inglês, não tenho certeza se o nome dele era Richard ou algo parecido, mas eu disse que gostava de Iron Maiden e de Beatles (duas bandas inglesas), ele achou legal.

Na madrugada Daniela e Anderson chegaram e eu tava com tanto sono que eu respondi em inglês completamente bêbado de sono a eles com a porta batendo, teria sido hilário pra alguém que tivesse dentro do quarto. Bom, no outro dia acordamos cedo e fomos tomar café bem próximo do hotel. O engraçado foi ver a rua do hotel completamente vazia e limpa, pois durante o dia aquilo ali fica mais cheio que a 'feira das troca', repleta de chineses vendendo todo tipo de bugiganga. Sabe imitações perfeitas de tudo ou aquele tipo de coisa que você nunca pensou que existisse? Então. Pois nesse café eu ri, ri, ri, de quase chorar porque havia um chinês atrás da gente com aquele sotaque bem 'englaçado' de chinês velhinho, um sotaque de senhor Miagui, pronto, imaginem, e ainda por cima ele soltou um arroto absurdo! (na china arrotar significa um ato de educação, que a comida estava boa). Pois eu comecei a rir descontroladamente e Daniela pedia pra eu parar pois ela estava sentada de frente pro chinês e já não tava mais aguentando prender o riso. Quando a gente menos espera o chinês solta outro arroto de parecer que ia vomitar! Aí eu já tava quase chorando de rir e dizendo a Anderson 'eu sei que ele tem que ser educado, mas ele também não precisa se esforçar tanto e ser tãããão educado assim! HAHAHAAHAHA'.

Pegamos o ônibus hop-on, hop-off que funciona da seguinte maneira. Você paga uma taxa e passa a poder pegar um ônibus que passa a cada 20 minutos em cada ponto turístico da cidade, ou seja, você desce no ponto, vê a atração e espera pelo próximo ônibus, ou caso não queira ver aquela atração, continua sentado no ônibus. Muito inteligente o sistema. Vimos alguns pontos turísticos e tiramos muitas fotos, o ruim é que por 2 vezes nos atrasamos e acabamos perdendo o último ônibus quando deram 6 da tarde. Aqui devo abrir outro parênteses sobre a Malásia. Eu não faço ideia o porquê, mas apesar de orientais com cara de japonês, a grande maioria deles são muçulmanos! Há mesquitas em todo canto cantando aquele moído estranho (que faz você se sentir em Bagdá). E estávamos na época de ramadan que rola no mês de Agosto, ou seja, eles não podem comer nem beber enquanto houver sol! Porém, o mais interessante é que eles são muito modernos, as meninas usavam cada shortinho curtinho maravilhoso que me fazia se sentir no Brasil, aliás, o bom é que tinha muita menina realmente bem feita e com qualidades, se é que vocês me entendem (diferente daquelas japonesas magrelas que estamos acostumados). Enfim, o ônibus encerrou porque tava na hora de comer! Mas pelo menos visitamos as Petronas Towers durante a noite... surreal aquelas torres, quase tenho torce-color de tanto olhar pra cima!

Decidimos então comprar as passagens para Pangkor Island com embarque já às 23h! Voltamos pro hotel, tomamos banho, fomos pro local do ônibus e seguimos viagem a mais de 300km de Kuala Lumpur até a cidade de Lumut onde pegamos o ferry boat até essa ilha. Dormir é para os fracos!

Chegando lá havia restaurante aberto às 4 da manhã, afinal na época do ramadan o malasiano deve poder comer a hora que quiser durante a noite. A mesquita próxima começou com aquele moído escroto outra vez e partimos pra ilha. Pelas fotos vocês devem fazer ideia que aquilo ali é o paraíso na Terra. E é! Nunca vi uma água do mar como aquela, verde e transparente quando você entra nela. Aliás, parece um pouco com a água de Xingó, naquele passeio de catamarã. Mas, aquilo é o mar! O fato interessante que tenho pra contar é que eu atravessei de caiaque até uma ilhota onde conversei com um nativo. Ele perguntou se eu era francês (eu tenho cara de francês?), o nome dele era Tam e ele disse ser de Pera (o mesmo estado onde fica essa ilha), o engraçado foi a reação dele 'aaah! Brasileiro, Ronaldo! Eu adoro Ronaldo!'. Cara, eu não sei se Ronaldo faz ideia de como ele é conhecido, até agora quem eu tive contato nesse mundo nunca vi ninguém que não soubesse quem é Ronaldo (e olha que desde que sempre me perguntam, quando num perguntam eu pergunto só pra confirmar).

No mesmo dia voltamos pra Kuala Lumpur e fomos dar um rolé na noite. Tudo muito iluminado, cerveja, bares, gente na rua até 4 da manhã (sim, dormir é para os fracos!). Agente passou por uma odisseia noturna atrás de um bar belga que tínhamos avistado durante o ônibus hop-on hop-off só porque Anderson havia dito que já provou uma cerveja belga e gostou (Anderson não bebe uma gota de álcool normalmente, tínhamos que achar esse bar a todo custo!). Não achamos o bar e voltamos mortos de cansaço pro hotel. Bom, pelo menos nesse meio tempo o que eu comi de Mc Donalds e Burguer King (só pra comer carne) num está no gibi. Eu acabei por burlar duplamente a Índia. Perdi as comemorações do dia da Independência e comi hambúrguer de carne (eu ri quando vi o anúncio do Mc Donalds, 'muuuuuu 100% beef'). Aquele anúncio causaria uma guerra civil na Índia.

Bom, no outro dia sim, conhecemos Kuala Lumpur de verdade. Estávamos mais descansados e andamos a cidade toda pra lá e pra cá de trem. Visitamos o máximo de lugares que conseguimos e já estávamos tendo a noção de que lado ficavam as coisas, como se já estivéssemos em Kuala Lumpur há dias, a frase de Daniela exprimia perfeitamente: 'de repente Kuala Lumpur ficou pequena!'. Foi muito bom ter a sensação de ter explorado a cidade de verdade, mesmo sabendo que com certeza devem ter muitas outras coisas pra ver. A coisa mais sensacional de se ver obviamente são as Petronas Towers, aquilo ali é incrível tanto de dia quanto de noite.

Eu encerrei a viagem indo cedinho no outro dia de volta pra estação principal KL Sentral (onde fomos umas mil vezes) e peguei meu ônibus até o aeroporto (ah sim, eu vi onde fica o circuito de formula 1, fica relativamente próximo do aeroporto). Devo dizer que a Malásia é incrível. Eu sei que eu deixei de contar muitas peculiaridades de cada lugar que vocês puderam ver nas fotos, mas deixarei isso pra contar pros meus amigos na mesa do escondidinho! (na verdade é que eu to morrendo de sono e já digitei uma redação enorme e não quero espantar leitores!). Espero que vocês tenham gostado e tenham (junto com as fotos) feito um pouco dessa viagem junto comigo! Até mais, se você lê e gosta então fico bastante feliz e grato! Um abraço!

domingo, 7 de agosto de 2011

Net boa!

Olá pessoal! Finalmente coloquei uma internet realmente boa! 4Mbps a 1000 Rs. (R$35,00) por mês, muito barato! Agora o mais engraçado é a instalação dessa internet... sério pessoal, se vocês já estiveram na Bahia e acharam que lá tudo é muito armengado, vocês têm que vir pra Índia, a Bahêa é fichinha comparado a isso aqui. A internet é um cabo que vem da janela! Sim! Um cabo que sai do topo do prédio onde a internet está instalada e vem até meu computador pela janela! Agora está explicado o que são aqueles fios que saem dos prédios (alguns prédios mais altos que 12 andares, uns 25 andares) para outros.

Voltando à missão Índia. Na segunda-feira fui num supermercado Haiko. Tem de tudo lá e é razoavelmente perto daqui, na verdade eu acho perto, mas todo indiano acha um absurdo porque às vezes eu não pego um rickshaw pra ir lá, mas eu sempre respondo 'Ah vá! É uma distância andável!' (uns 20min caminhando). Aliás, não sei se eu já contei aqui o como os indianos enchem meu saco porque eu como cerais, pão, queijo, leite, essas coisas que muito brasileiro come no jantar. Tá certo que eu queria comer cuscus com calabresinha frita, mas num vou achar o cuscus e muito menos a calabresinha. Mas sério! É um saco o 'Porque você come isso no jantar?'. Eu cresci comendo pão com queijo e tomando leite com Nescau (oh o jabá de quando o blog ficar famoso!) no jantar e estou muito bem até hoje!

Na terça-feira foi quando ocorreu a instalação da internet. O ruim foi o começo do dia. Eu sabia que esse dia ia chegar, sim, eu sabia... o dia em que eu iria esquecer o meu ID card (cartão de identificação da empresa que eu uso pra abrir as portas, etc.). Pensem na raiva. Todo dia eu tomo muito cuidado para não esquecê-lo, mas eu sempre soube que um dia isso ia acontecer. Então eu tive que ficar no ônibus, voltar pra casa, ver que o cartão estava no chão (na verdade eu derrubei ele sem perceber) e esperar pacientemente até 11h30 para pegar o segundo turno do ônibus (aqui você pode escolher pegar o ônibus das 8h30 e voltar 18h30 ou pegar o de 11h30 e voltar 21h30). Mesmo com alguns indianos vindo perguntar 'ah, soube que você esqueceu o cartão hoje' e eu só pensando 'caralho, a rádio pião aqui é tensa!', no fim do dia eu dei uma de joão sem braço e saí no turno das 18h30 (eu entreguei o resumo diário a tempo, por que não?). Bom, não vou esquecer o cartão mais, agora sempre ponho ele na minha mochila assim que deixo o escritório (boa Leonardo!).

Na quarta-feira e quinta-feira nada muito relevante aconteceu. Bom, as comidas da cantina já estão virando padrão, eu sei que falta eu provar algumas coisas, mas sério mesmo, comida indiana num é lá essas coisas, tudo é apimentado (pela milésima vez), e o que eles chamam de doce é levemente doce beirando o 'tá faltando açúcar nessa porra aqui!'. Eu ainda vou tentar provar algum restaurante sofisticado de comida indiana para ver se é uma questão de nível.

Na sexta-feira (o dia da alegria, já que há uma 'lei' entre meus colegas de trabalho de irmos almoçar fora) fomos comer pizza no Dominos. Foi engraçado aquela roda de indianos conversando e tal. Eu fiquei na minha, teve até uma amiga que pediu pro povo falar inglês pra que eu num ficasse excluído, mas eu num tava muito aí pra conversa não, eu queria era comer a porra da pizza deliciosa, gostosa, oh-my-god-it's-non-spicy! (meu Deus, não é apimentada!). Agora, cabe dizer que por enquanto ao mesmo tempo indiano pensa que sou meio bestão (ah, dá um desconto, eu num sei falar hindi, quer o que?) eles não são tão maliciosos. Racharam o bico, se acabaram de rir porque eu fiz um trocadilho com o nome de um carinha lá. Eu sei que o assunto da conversa era apelidos, como é meu apelido no Brasil (eu expliquei que o apelido 'leo' - com pronúncia 'lio' - é o apelido inglês do meu nome, mas no Brasil me chamam de 'léo'). Enfim, o nome dele é Dahval, e em hindi a palavra Pahgal equivale a doido ou idiota, algo do tipo. Aí eu disse que eu poderia chamar ele de Pahval! (a junção dos dois nomes). Se acabaram de rir com aquilo.

Eu também queria sair metralhando apelidos sacanas em português em todo mundo, mas ninguém ia entender mesmo e eu acho isso anti-ético. Mas que eu fiquei rindo sozinho fiquei (é que eu queria apelidar um cara de cabeção, outro de cabeça-de-rapa-côco, entre outros apelidos piores ainda). Sério, tá eu sou bestão, eu fiquei rindo sozinho imaginando esses e outros apelidos naquele povo.

Na noite da sexta-feira eu recebi a visita de um amigo indiano de um brasileiro que estava aniversariando nesse dia (o Eliabe). Como ele trabalha no mesmo complexo que eu, ele me acompanhou até minha casa e de lá foi comigo e com o Tiburce (meu colega de apartamento) pra um Mc Donald's num sei aonde (eu tomei umas cervejinhas e liguei o foda-se). O engraçado é que o indiano que tava com a gente é todo moderninho, bebe, fala de mulher, etc. Bom, dessa vez não comi um Chicken Maharaja Mac (chega né Leonardo!), só fiquei beliscando batatinha. Dali fomos numa boate que era dentro do mini-shopping onde ficava esse Mc Donald's. Foi bem divertido, dancei, ri, falei com mais brasileiros (no total eram 5: eu, Eliabe, Jéssica, Gustavo e Gabi). Eu me achava muito duro pra dançar música eletrônica, mas até meu dois pra cá dois pra lá é muito mais fluente que os gringos dançando, sério! Os brasileiros realmente têm molejo!

Bom, de lá voltamos pro meu apartamento com nosso amigão peruano e sua namorada russa (já viraram meus brothers), além deles um latino americano (esqueci o país dele) e uma americana, eles ficaram um tempo no nosso apartamento pra finalizar a night, afinal a boate fechou 1h20 (hora em que as coisas começam, não?). Antes de ir dormir eu fiquei um tempão conversando com o indiano que veio dormir com agente, foi bem legal, era muito difícil de entender ele porque ele é meio gago no inglês e tenta sempre falar muito rápido (além do velho sotaque indiano). Tirando isso ele é legal. Aliás, ele me falou umas besteirinhas em alemão e eu entendi perfeitamente, o sotaque dele tava ótimo, isso reforça minha teoria que o povo aqui aprende esse sotaque 'errado' num sei de onde. Pra vocês entenderem, a palavra 'we' (nós) eles falam 'vi' invés de 'ui', 'what' (o quê) eles falam 'vat' invés de 'uót' e uma série de outras coisas que muitas vezes você acaba não entendendo porra nenhuma do que eles tentam lhe dizer em inglês.

No sábado além de estar moído do dia anterior eu tava afim mesmo de ficar na minha e ver uns filmes. Comi uma pizza Dominos no almoço e assisti dois filmes ('Sucker Punch' e 'Battle Los Angeles'). Já no domingo eu acordei com vontade de cozinhar, de comer algo brasileiro! Então fui no Haiko e comprei algumas coisas. Fiz um frango frito com cebola no óleo e manteiga, batata frita e arroz branco soltinho! Sério, ficou muito bom! Eu devo ter levado umas 2h fazendo porque eu fiz uma coisa de cada vez pra não queimar, afinal eu não tenho tanto tempo de prática assim na cozinha! Comi até ficar cheio! Assisti mais um filme ('I am number four') e um pouco de 'Lie to Me').

Leitores, não se desesperem! Eu não saí esse fim de semana e assim não tive tantas coisas interessantes pra escrever aqui, mas me aguardem! Essa quarta à noite pego o avião pra passar o feriado da independência da Índia num lugar muito legal. Vou para Kuala Lumpur, capital da Malásia, na terça-feira escreverei como foi a experiência. Não deixem de ler o blog! Um enorme abraço transatlântico a todos os meus amigos no Brasil, um feliz dia do amigo! Sinto uma falta enorme de todos vocês! Até mais!

domingo, 31 de julho de 2011

Buvons!

Olá pessoal! Mais uma semana recheada de acontecimentos interessantes aqui em Mumbai - Maharashtra - Índia. Estou com minha nova moradia ficando cada vez mais ajustada, pra falar a verdade falta apenas contratar um serviço de internet bom e voltar a baixar meus seriados e filmes. Como parte desse ajuste, após pegar um ônibus e um rickshaw para chegar no trabalho na segunda-feira, resolvi me informar do ônibus que passa muito próximo de onde moro (basta eu descer uma ladeira) e me deixa no mesmo lugar. Então nesse mesmo dia eu paguei a taxa mensal e utilizei esse ônibus. Muito prático, agora vou e retorno nele sem precisar me espremer em algum ônibus lotado ou trem onde sempre tem algum indiano que não passa desodorante.

Falando nisso, houve um dia nessa semana que eu estava escovando os dentes após o almoço e havia um funcionário me olhando com uma cara muito estranha, como que achando um absurdo aquilo. Ele me falou algo em hindi que eu não entendi, mas pelos gestos ele estava me sugerindo usar um simples enxaguante bucal ou coisa do tipo. Bom, eu num estou nem um pingo aí pro que os outros pensam e continuo escovando meus dentes depois de todas as refeições, inclusive depois do lanche das 5 e meia.

No outro dia eu tive uma resposta mais clara do porque daquele homem ter achado estranho. Eu estava mais uma vez escovando os dentes, mas dessa vez acompanhado de um dos meus colegas de escritório. Ele estranhou e perguntou 'o que você tá fazendo?', eu respondi 'escovando os dentes?', ele respondeu 'porquê?', eu respondi 'acabei de comer?', ele respondeu 'mas você só precisa fazer isso quando acorda pela manhã'. E assim, sem que ele tivesse noção do 'PUTA QUE PARIU' que meu pensamento gritou eu respondi 'eu sou acostumado a escovar após toda refeição' (de maneira bem polida e calma, pra não evidenciar minha consternação), e ele me respondeu rindo 'a legal, curta aí sua escovação de dentes'. Ou seja, é por isso que eu vejo milhões de indianos com dentes horríveis, com placa e todo tipo de doença bucal. E outra, até hoje num vi um único indiano de aparelho! Eu não vou aderir a esse costume e muito pelo contrário, todo indiano que me perguntar por que eu estou escovando os dentes, eu vou de forma bem humorada incentivá-los a escovar os dentes depois das refeições.

Enfim, não lembro exatamente se foi na terça ou na quarta, mas tenho que contar esse fato. Eu estava muito feliz e contente porque agora eu pego um ônibus que me pega e deixa em casa praticamente e eis que inventaram uma reunião... ou seja, tive que perder o ônibus e ficar entre pegar o trem logo ou esperar até o segundo horário do ônibus. Optei pela primeira opção já que tem uma menina no escritório que não contratou o ônibus, mas mora no mesmo prédio que eu. Fui com ela de trem. Não foi a primeira vez que eu fui com ela e com um cara que eu tenho quase certeza que é o namoradinho dela. Mais uma vez ela ficou conversando com ele em hindi, só que de uma forma que eu não gosto, porque eles se comunicam em hindi pra que eu não entenda, e eu percebi que mais uma vez ela estava falando de uma garota do escritório (a Aditi, que tá ficando muito amiga minha) e eu. Não sei se ela sabe, mas eu psicopaticamente falando, estudei expressões faciais no meu trabalho de conclusão de curso e sou viciado em 'Lie to me' (um seriado sobre isso). E, segundo meu estudo, a comunicação é feita através do diálogo e de outros meios pra que o sistema seja robusto de tal forma que agente consiga informações que um dos canais não tenham transmitido (tom de voz, expressões faciais, gestos, etc.). Blah, blah, blah Leonardo pare de se achar o cientista!

Enfim, eu posso não saber hindi, mas encaixando a informação de cada canal (a risadinha dela, o tom de voz, as palavras em inglês aleatórias que eles usam) eu percebi que ela devia tá falando alguma coisa de menina, do tipo se a Aditi me achou bonito, ou qualquer outra coisa. E pra piorar, eu tenho certeza que o namoradinho dela pensa que eu sou um desses gringos lesos, sabem, assim como brasileiro se acha muito esperto, eles também se acham, mas francamente... brasileiros são mais espertos, entendam porquê. Eu, como sempre me fazendo de besta disse 'ah eu sei do que você tá falando!', aí ela com expressão de espanto 'sabe??', 'e do que agente tava falando??', eu respondi 'ah, se Aditi tá pegando o mesmo ônibus que eu!', ela respondeu 'não não, agente tava falando de outra coisa'. Ela riu, o suposto namoradinho dela riu, aquele riso de deboche sabe? Com certeza ele deve achar que eu sou bestão e ela também, só que, eu consegui saber exatamente o que queria. Porque eu desconversei de propósito, a cara de espanto dela, seguida da cara de alívio por saber que eu não sabia o teor da conversa me deu a informação de que eu realmente soube o teor da conversa, entenderam? Eu consegui saber que ela tava falando coisa de menina, algo do tipo se a menina do escritório tá afim de mim, sei lá. Mas tanto ela quanto o cara nem sonham, e ainda acham que sou bestão. Ou seja, perfeito. Aliás, eu ainda tenho que contar o quanto é moleza dar uma de joão sem braço aqui na Índia, todo mundo pensa que estrangeiro é besta... tadinhos, brasileiro é brasileiro.

Enfim, a outra novidade é que eu dirigi um tata nano! Sim, o carro mais barato do mundo! Custa cerca de R$5200, tem um espaço interno muito pequeno, mas pelo preço? O carro é muito legal, sério! Eu dirigi me acabando de rir porque a direção aqui na Índia é com o motorista do lado direito. O mais legal foi na hora que o instrutor do test-drive pediu pra que eu desse seta pro lado. Eu acabei ligando o limpador do para brisa! Porque até isso é ao contrário! Vocês precisavam ter visto minha cara de felicidade. Eu tava igual um pinto no lixo. Porque eu nunca pensei que um dia fosse dirigir um carro onde o câmbio fica na mão esquerda.

Agora só falta eu dirigir um rickshaw. Eu já observei bastante e descobri como dirigir um (eu acho). O pedal único que fica na direita é o freio, o lado direito do guidão é o acelerador (igual acelerador de moto), o lado esquerdo do guidão é a embreagem (você solta pra sair com o rickshaw, e aperta pra trocar de macha) e gira pra baixo pra trocar de macha. Agora só falta roubar um! (Relaxe aí Mamis, eu tenho juízo, não quero começar uma guerra Brasil-Índia porque um brasileiro resolveu roubar um rickshaw!).

Bom, no mais provei aqui e ali comidas que pus no facebook. Mas, até agora nada de achar algo realmente gostoso (tirando o grão de bico que tava bom mesmo). Um dia eu encontro! Bom, na quinta-feira eu fui pro D-Mart em Powai comprar uns biscoitos, cereais e leite (como eu já disse pra Mamis quando eu tinha 5 anos, que um dia eu iria trabalhar pra comprar biscoito pra mim e pros meus filhos! O incrível é que esse objetivo de vida não mudou em quase 20 anos!). Eu fui de rickshaw. O problema foi a volta, começou a chover e rickshaw nenhum queria levar seu ninguém! Eu passei mais de meia hora esperando e resolvi ligar o foda-se. Peguei o google maps e voltei andando. Ele me dizia que minha casa estava a cerca de meia hora de caminhada. É aí que a lei de Murphy se aplica não é? Nem tava chovendo essas coisas todas quando eu fui, mas na volta? Parecia que o dilúvio estava por vir! Após travar uma batalha épica com aquela chuva que teria afundado minha Aracaju duas vezes eu cheguei no meu apartamento com biscoitos, cereais e leite! Missão cumprida! Por sinal tem um biscoitinho aqui com uma geleia vermelha no meio, putz, eu tenho que comprar mais desse!

Na sexta-feira eu estava pra receber a visita do Eliabe e da Gabriela, dois brasileiros. Então resolvi comprar o mé porque ninguém é de ferro né!? Eis que a lei de Murphy é cruel como sempre. Na hora que eu piso na rua cai um toró pior que o do dia anterior... mas era pra comprar o mé né, agente tem que fazer uma forcinha. Quando deu mais tarde os dois brasileiros me ligaram pra ir onde eles estavam porque tava um engarrafamento enorme. Vi o primeiro acidente realmente feio em Mumbai, tinha um carro todo amaçado na pista. Então, como eu já tinha bebido em casa eu fui andando até encontrar eles numa Pizza Hut (google maps pra chegar lá, é claro). Encontrei eles e fomos até um hotel muito chique pro lado do aeroporto internacional. Lá casal entrava de graça. Eu tava sozinho, o Eliabe e a Gabriela já tinham entrado porque eu tinha ficado no caminho conversando rapidamente com duas americanas amigas nossas. O segurança falou comigo e perguntou se eu ia pagar pra entrar ou se eu estaria acompanhado. Eis que eu dei uma de joão sem braço né. Peguei o telefone e falei 'um momento, é que eu acho que minha menina já subiu com meu amigo que tava acompanhado, deixa eu ligar aqui no celular...'. Aí fiz uma cara de preocupação porque o celular num atendia e o segurança achando que eu tava sendo sincero deixou eu entrar. Feito!

Eu nunca fui muito malandro não, mas em terra de cego quem tem olho é rei! O africano se acaba de rir com minhas armadas pra driblar o jeito enxerido de ser dos indianos que perguntam até com quem você está falando no celular. Absurdo né? Mas eu sempre desconverso. Um exemplo foi quando eu tava no escritório falando com uma menina no chat da empresa e meu colega do lado viu a janela dela minimizada. Ele falou 'fale com ela pra ela vir aqui, quero falar com ela!' e ficou ali do meu lado olhando meu monitor doido pra que eu abrisse a janela e ele visse o conteúdo. Que fiz? Disse 'um minutinho, deixa eu terminar aqui uma coisa'. Fiquei mexendo em coisas nada haver até que ele virou pro lado. Nessa hora eu fechei e abri de novo a janela da menina, assim a janela ficou vazia. Aí eu com a maior cara de bestão 'Ah sim! Vou chamar ela agora.'. Eu percebi a carinha de frustração dele quando viu que num tinha nada pra ele ver. E ele nem desconfiou do que fiz! Enfim, hoje eu tô inspirado não? Mas os preguiçosos que me perdoem, estou aqui pra falar mesmo!

Voltando ao hotel chique. Dançamos um bocado. Eu, Eliabe, Gabriela, um cara e uma menina da Tunísia, duas meninas dos EUA (por incrível que pareça as duas são muito bonitas de cara e de corpo), um negão da Uganda e uma menina de algum país europeu que eu num lembro. Nada demais aconteceu e fui pra casa de rickshaw com os dois brasileiros me acompanhando.

No sábado recebi a visita mais uma vez do nosso novo amigão, o peruano Fabricio e sua namorada russa a Alia (acho que é isso). Foi muito legal mais uma vez. Agente escutou System of a Down e descobri que eles ouviam as mesmas músicas na mesma época que joguei Counter Strike na lan house (lá pelos idos de 2002). Falei um pouco de Dota e outras coisas. Até me perguntaram se eu joguei Golden Axe do Mega Drive. Foi muito engraçado mesmo saber que eu tive uma adolescência praticamente igual a de um peruano e de uma russa. Globalização né Brasil guaranil! Eu sei que o peruano, que é fanático por futebol, ficou louco com o vídeo que mostrei no youtube da última partida entre Flamengo e Santos na vila Belmiro (ver os melhores momentos desse jogo me deixou com uma saudade absurda de assistir futebol, e olha que sou corinthiano roxo, mas que partidaço foi aquele!) . Daí fomos para uma balada na casa do caralho! Depois de Churchgate... Eu achei meio entendiante, desde que nem sou muito fã desse tipo de balada, e aqui na Índia baladas são chatas. Você vê indianos lesos mais velhos do que eu fazendo coisa de guri de 12 anos. Tá, eu sei, cultura, cultura... Mas eu já tava ficando entediado! Bom, nada demais aí a não ser agente voltando de taxi e eu falando um espanhol absurdo com o peruano. O engraçado é que eu até falo direitinho lembrando o que eu sei de quando aprendi no colégio, mas num consigo entender quase nada do que o peruano fala, ele fala muito rápido! Mas eu ri um absurdo, até agente xingando o taxista de todos os nomes porque ele queria cobrar mais do que devia. Muito divertido falar portanhol com ele.

No domingo fui num restaurante chinês muito bom, Mainland China. Os cozinheiros são chineses, ou seja, comida chinesa legítima. O ambiente é muito sofisticado e a comida nem se fala. Foi a melhor coisa que comi aqui! Sério, esses indianos têm que aprender a cozinhar com seus vizinhos chineses! Acho que até carne de cachorro deve ficar gostoso na mão deles! O meu colega de apartamento africano morreu de rir quando eu falei que eles deviam aprender a cozinhar com os chineses porque ele odeia a comida indiana. Eu to tentando provar de tudo, tudo mesmo, mas realmente tenho achado a comida indiana não lá essas coisas... mas é opinião pessoal, que fique bem claro!

Bom, depois de ter redigido essa redação enorme, espero que todos vocês pacientemente tenham lido e curtido! Adoro seus elogios e críticas, continuem lendo o blog e espero que vocês estejam sentindo como se estivessem fazendo essa viagem comigo, até mais!

domingo, 24 de julho de 2011

É o mundo


Olá pessoal! Vamos a mais uma semana em Mumbai! Na segunda-feira nada demais a não ser uma criaturinha que estava sentada no banco da frente no ônibus em que eu estava. Uma menininha que não parava quieta e ficava cantarolando o alfabeto ocidental em inglês de um jeito tão bonitinho que eu já estava vomitando altos arco-íris com aquilo. A criaturinha acho que era uma das crianças mais bonitas que já vi na Índia (é pessoal, aqui tem muita gente feia, perdoem minha sinceridade se algum indiano sabe português ou se está usando o google tradutor de alguma forma pra ler isso aqui), pensem, pele bem escura, cabelo absurdamente liso e mais absurdamente ainda preto, do jeito que é o esteriótipo das garotas mais velhas que acho bonitas aqui. Falando nisso às vezes no meio de milhões de meninas magras, sem bunda e esquisitas, vez em quando vejo umas com o esteriótipo dessa garotinha e com um tipo de olho que eu nunca vi no brasil de maneira alguma, é um tipo de castanho muito claro, às vezes até penso que é lente de contato, pra ser possível aquilo.

Enfim, algo que quero acrescentar neste blog é um pequeno puxão de orelha nos brasileiros. Olha, eu vi a garotinha cantando muito bem todas as letras do alfabeto em inglês e além disso, todo lugar que você vai sempre tem alguém lendo algum jornal em inglês. Muita gente, mas muita gente mesmo ou fala inglês (tá, tudo bem, com um sotaque horrível, às vezes me estresso por não conseguir entender) ou ao menos têm noções básicas de inglês (calma, eu posso estar enganado já que estou em Mumbai, a 'São Paulo' da Índia, num é a capital, mas as coisas acontecem aqui primeiro). Já no Brasil eu acho o cúmulo quando alguém faz o comentário do tipo 'Que chique! Você fala inglês!', pessoal, vamos mudar essa mentalidade! Falar outras línguas não é uma questão de querer ser melhor, mais importante ou para se exibir. É questão de querer ser um cidadão mundial!

Saber falar inglês e outras línguas faz você ser capaz de dividir experiências com pessoas que, caso você não souber falar pelo menos inglês, nunca iriam conhecer você, rir com você ou questionar as coisas da vida, como fazemos com nossos amigos. Então, peço a quem tem a oportunidade de aprender inglês, espanhol e as outras línguas (mas, por favor, no mínimo o inglês), leve a sério! Eu fico chateado porque isso já começa de criança, as escolas não aplicam um método para que você saia da escola capaz de se comunicar em inglês, ou seja, um grande desperdício de tempo e dinheiro! Porque não faz sentido, dá tempo sim, se ensinassem direitinho desde criança, no fim do terceiro ano do ensino médio qualquer pessoa seria capaz de falar em inglês. Não digo ser um falador ou escritor perfeito, eu mesmo passo longe disso, mas pelo menos o suficiente para se virar!
Eu lembro que em toda minha vida escolar, apenas no segundo ano do colégio que eu estudava, houve uma aula que o professor passou um texto de revista em inglês para agente explicar em português mesmo o que entendeu do texto. Cara! O que teve de colega meu cdf que tirava notas muito melhores que eu e que foram incapazes de descrever o que tinham lido de forma natural, como se tivessem lido em português, foi impressionante!

As pessoas não acreditam em mim até hoje que eu aprendi inglês jogando video-game, sério! Eu peguei um desses jogos de RPG (final fantasy 7), tomei vergonha e fui lendo as falas e aprendendo muitas palavras pelo contexto. Minhas notas de inglês no colégio deram um salto! Mas estou pagando o preço disso até hoje, já que aprendi a falar errado um bocado de palavras e meu sotaque é muito carregado. Porém, estou melhorando bastante! Antes de vir pra Índia assisti muitos seriados sem legenda até conseguir ter um nível de escuta aceitável (mas, eu comecei com seriados com legenda em inglês, vamos lá pessoal, é só uma questão de ir evoluindo a cada passo!). Então pessoal, só pra encerrar esse puxão de orelha e voltar à experiência Índia, por favor, aprenda inglês se você tem a oportunidade, não é esse sacrifício todo, eu aprendi me divertindo, experimentem ler textos em inglês, use o google tradutor quando não conseguir pegar a ideia toda no texto, não se preocupe se você não sabe todas as palavras, mais tarde aquela palavra vai fazer tanto sentido que você às vezes num vai saber nem como traduzir ela pro português. Quando isso acontecer é justamente quando você começou a aprender uma outra língua de verdade.

Enfim, na terça-feira eu me mudei para onde estou morando. Em Kanjur Marg, muito próximo de Powai (aquele lugar bacana de Mumbai onde temos calçadas amplas e ruas limpas). O apartamento é bem legal, tem tudo que preciso e tem uma boa aparência. Na rua tem mercearia, lavanderia e mais ou menos há uns 500 metros tem uma dessas lojinhas que vendem mé e o incrível suco de cevadis indiano! A cervejinha Kingfisher! Que, como já disse, não é lá essas coca-cola toda, tem 5% de álcool e é da mesma marca de uma companhia aérea. Eu acho que já contei isso aqui, mas imaginem, que legal, cerveja da TAM! Estranho seria, não? Bom, tenho onde lavar a roupa, onde dormir confortavelmente e onde comprar o mé. Então agora posso viver os próximos 11 meses na Índia, só preciso sobreviver à saudade absurda!

Sério pessoal, eu nunca soube o que é saudade até hoje! Tudo bem, se eu tivesse viajando e voltasse mês que vem, nah, minha mãe sentiria saudades, mas eu ficaria tranquilo, mas cara, é um ano! Muita água rola por debaixo da ponte em um ano! Acho que saudade é isso, toda vez que eu escuto músicas ou passo por situações que lembrem qualquer pessoa, seja meus pais, irmãos, amigos ou alguma das garotas que volta e meia povoam a minha mente, eu sinto bem mais forte aqui. Enfim, vamos voltar ao que interessa a vocês!

Voltando ao assunto apartamento. Estou dividindo o apartamento com Tiburce, um africano de Benin. A língua materna dele é francês. Ele é bem legal e tranquilo de conviver, já conversamos sobre como fazer esse apartamento funcionar direito, já definimos regras e estamos indo bem. O mais legal é que no sábado ele falou no facebook dele, em francês, claro: 'o Leonardo do Brasil diz que eu só preciso falar português pra ser brasileiro, já eu digo que ele é praticamente um africano!'. No mais, pretendemos trazer mais 2 pessoas para dividirmos a conta no fim do mês. É tranquilo, cabe esse povo, meu quarto é espaçoso e o apartamento tem 2 quartos e 2 banheiros, ou seja, meio quarto e meio banheiro pra cada, tá massa!

Bom, na quarta-feira e quinta-feira, nada muito relevante aconteceu a não ser as comidas aqui e ali que mostrei no facebook. Eu sei que por enquanto, sobre a comida indiana eu digo que não encontrei ainda nada que eu possa dizer 'nossa, faço questão de lá no Brasil ir ao shopping comer isso num restaurante de comida indiana!', porque assim, apimentado por apimentado, prefiro comida mexicana! Tá, eu ainda não fui no México provar comida original, o que tenho como referência é o Mexicano da rebiboca da parafuseta lá pro lado do aeroporto em Aracaju, o Texmex lá em Salvador e uma lanchonete mexicana onde comi lá em Curitiba. No mais, nada aqui ainda me empolgou muito, mas eu continuo provando de tudo, porque é sempre bom ir experimentando as coisas, vai que eu encontre algo realmente gostoso! Foi assim que descobri sushi e fiz amigos que diziam que não queriam comer sushi, sem nunca ter comido, e que agora comem e adoram!

Na sexta-feira recebemos a visita do 'landlord' (essa palavra pra mim sempre soa estranha, muito estranha, porque ao pé da letra seria 'senhor das terras', putz). Tentei parecer ser um cara sério e centrado, até 'I acted like armless John' (seria assim em inglês?) dizendo que eu tenho uma noiva no Brasil, só pro cara num desconfiar que algum dia eu vá transformar o apartamento dele num cabaré. Resolvemos todas as documentações e taxas e agora eu oficialmente tenho um cafofo na Índia. O dono do apartamento aparentemente gostou da gente (eu e o Tiburce somos ótimos atores!). Depois disso fomos comer um Chicken Maharaja Mac, porque não? O legal é que eu fui liberado e não precisei ir pro trabalho. Então, fui na lojinha, comprei umas cervejinhas e fui estudar alemão, sim! Se beber não dirija, se for beber estude línguas! Tudo flui melhor, meu inglês fica uma beleza, eu lembro de uma vez eu ter esquecido que tinha prova no outro dia, e que uma amiga minha só foi me lembrar umas 8 da noite na sexta, e a prova era sábado, pois! Eu fui pro bar com os exercícios e fiz tudo tomando cerveja e comendo amendoim. Tirei 9,5.

No sábado eu tive que ficar de castigo no apartamento esperando o marceneiro vir concertar a porta do quarto do Tiburce. Então almocei um incrível Cup Neodles sabor galinha caipira que trouxe do Brasil. Mais tarde fomos no R-city Mall em Ghatkopar. O plano era de lá irmos pra Andheri pegar um trem para ir num tal de Blue Frog. Uma boate onde supostamente estariam o pessoal do ACE Program. Mas quando eu vi no maps onde ficava... cara, ficava onde Judas perdeu as botas, um pouco depois da Puta que pariu fazendo o retorno na caixa prego, isso sem esquecer de cortar caminho na casa do chapéu! Ou seja, muito além da casa do caralho (fica depois de Churchgate, lembram aquele lugar lá do outro lado de Mumbai?). Além disso, se você chegasse lá após as 9pm você teria que pagar 500 Rs. (R$17,50). Pra encerrar duas da manhã e ter que pagar 300 Rs. (R$10,50) por cada garrafinha de cerveja? De jeito nenhum! Eu tenho uma coisa chamada juízo. Oxente, tá com a porra? Olhei pro africano e disse: 'bora pro ap, você chama alguém aí e agente toma umas cervejinhas por lá mesmo'.

Recebemos a visita do peruano Fabricio e de sua namorada da Rússia, esqueci-o-nome-delóvisk. Pessoal, foi muito legal conversar com esse povo. Imaginem, um brasileiro, um africano, um peruano e uma russa, todo mundo conversando e se entendendo. Nós, enquanto bebíamos (sacrifiquei um pouco da minha cachaça, minha 51, que trouxe, que por sinal o peruano disse que custa U$20,00 no país dele!) conversamos sobre o que pensamos sobre nacionalidades, sobre o povo indiano, sobre como às vezes eles fazem perguntas indiscretas como 'onde você está indo agora?', 'com quem você estava falando no telefone' ou, pior ainda, 'quanto você está ganhando por mês?'. É, pessoal, qualquer hora eu perco a paciência e mando um 'it's none of your business, sorry' ('desculpe, não é da sua conta'), mas por enquanto eu uso a técnica do 'act like armless John' e desconverso. Mas o ponto principal da conversa foi que chegamos ao consenso de que fazemos parte de uma camada da juventude mundial que está tendo oportunidade e que está convergindo para um tipo de pensamento. Pra mim foi de arrepiar ver aquelas pessoas dividir pontos de vista tão parecidos com os meus, de ver a vida de um jeito muito próximo, como se tivessem vindo do mesmo país. Todos falaram de seus governos corruptos, da pobreza em seu país, dos que têm e dos que não têm oportunidade. Pra mim o especial dessa experiência está sendo isso. No escritório eu vi uma situação que me deixou revoltado por dentro, eu realmente queria ter dado uma bronca nessa pessoa. A situação foi que uma menina viu meu facebook e viu que tinha um comentário do meu pai, e ela disse 'ah legal, põe no perfil do seu pai pra eu ver ele!' sem nenhuma maldade, aí o cara pergunta 'ei, porque você quer ver o perfil do pai dele?' e ela respondeu 'do mesmo jeito que eu iria querer ver o do seu se eu tivesse acabado de conhecer você, qual o problema?', eu só concordei com ela, mas eu queria ter feito mais, eu queria ter dado um sermão, porque a sociedade indiana ainda tá naquela fase muito hipócrita, eles têm uma coisa de se meter na vida das pessoas, de opinar e de querer separar coisas para homens e coisas para mulheres, isso está mudando, eu sei, aqui em Mumbai, mas ver um cara da minha idade com esse tipo de pensamento? Ele é um dos culpados pelo atraso. Eu contei essa situação pro pessoal no apartamento, e eles concordaram plenamente, então fiquei muito feliz, não é minha visão de brasileiro, é a visão de alguém que já sentiu o gosto da liberdade plena, como todos nós dessa camada social que temos não só no Brasil, mas em muitos outros países.

Bom, no domingo eu pedi pizza por telefone, uma namoradinha indiana do Tiburce veio e cozinhou algo picante (sério?) pra agente e eu resolvi vir e escrever para vocês! No mais, pessoal, tirando a parte da saudade, eu realmente estou numa experiência especial e estou na minha cabeça conseguindo fazer distinções como: opinião própria, opinião da minha cultura e opinião humana. Essa opinião humana é a parte que está me deixando feliz, porque, obviamente eu tenho minhas diferenças com esse povo todo tanto pela minha orientação cultural, como pela minha própria personalidade. Mas eu sinto uma felicidade muito grande de ver opiniões que apontam para o caminho da sociedade que tem liberdade plena e que prega respeito, mas sem exageros, sem repressões. Pessoal, vocês que estão lendo isso aqui também fazem parte dessa camada! Eu sei disso, vocês têm o acesso. Aproveitem e façam sua parte! Até mais!

domingo, 17 de julho de 2011

Achei um flat e dormi num colchonete

Olá pessoal! Após ter dormido relativamente cedo para uma sexta-feira-a-noite, mais uma vez, eu tive que acordar cedo no sábado para ver a questão do flat aqui em Mumbai. Na sexta-feira o Tiburce (um africano de Benin, país que fica entre o Togo e a Nigéria), que por sinal como todo africano (julgando os que conheci na conferência) odeia quando alguém pergunta logo de cara se ele é da África do Sul, da mesma maneira que nós nordestinos odiamos quando alguém do centro-sul do país já vem perguntando de somos bahianos ou cearenses (alguns ainda por cima perguntam, 'sergipe?'), enfim, acho que consegui descrever o sentimento deles né? Fomos encontrar o corretor (um baixinho com bigodinho de pedreiro, como muito indiano por aí) em frente ao D-Mart em Powai.

Esse bairro chamado Powai fica abaixo da floresta que atravesso para ir de Bolivari a Thane, mas fica muito mais perto de Thane que Bolivari, então eu me interessei em achar um apartamento por ali. Além disso, pessoal, Powai é muito massa! Calçadas largas, prédios bonitos, limpeza! É um lugar realmente arrumadinho, apesar de que em um quarteirão aqui e ali temos em terrenos baldios favelas como sempre. Mas a aparência é muito acima da média do que vejo por aí em Mumbai (até onde vi né, lembrem-se, isso aqui é maior que São Paulo). Após ter ido para o D-Mart errado porque o google maps acusava 2 e vocês sabem a lei de Murphy né? Eu chutei que ele estaria no outro e não no que o motorista do rikshaw havia me deixado (pra falar a verdade foi lerdice minha, porque o motorista do rikshaw tinha me deixado no D-Mart certo e eu só fui perceber quando voltei do outro, que fica há uns 20min de caminhada). Enfim, encontrei o Tiburce lá, pelo menos as voltas que dei deu tempo pra isso.

Encontramos o 'broker' (corretor, que por sinal meu cérebro sempre imagina algo como 'quebrador' invés de corretor) e fomos visitar um apartamento. Bom, não gostamos do apartamento, não valia a pena. Porém o corretor disse que havia um outro bem melhor pelo mesmo preço, mas que nós o encontraríamos às 6h da tarde. Decidimos então visitar um colega do ace program, o Fabricio do Peru. O apartamento era bem próximo dos que olhamos, mas milhões de vezes melhor, tipo, da água pro vinho. Ficamos conversando com ele e de lá resolvemos ir pro R-City Mall em Ghatkopar, o mesmo shopping que fui semana passada para encontrar o pessoal que estava atrás de apartamento também semana passada, lembram? Almoçamos e lá encontramos um grupo do pessoal do ace program! Duas americanas e duas pessoas da Tunísia (aquele mesmo cara que dividiu o quarto comigo no hotel da conferência e a outra pessoa é uma menina) e almoçamos com eles.

Após o almoço fomos para o apartamento do cara da Tunísia. Conversei bastante com o pessoal que mora lá e depois fiquei assistindo Big Bang Theory que tava passando na tv. Estranhamente eles passam 2 episódios e logo em seguida os repetem! Bom, enquanto isso o Meher (esse cara da Tunísia) foi cozinhar uma comida típica do país dele. Às 6h da tarde eu e o Tiburce visitamos o outro apartamento que fica em Sun City, já no finalzinho de Powai. Muito legal o flat e decidimos ficar com esse, já que em Mumbai a disputa é enorme e você acaba perdendo uma oportunidade facilmente.

Depois disso, após voltar pro apartamento, eu, o Fabricio e mais um amigo dele também do Peru fomos comprar algumas cervejas numa dessas lojinhas que apenas vendem bebida. Aqui na Índia é assim, não há birita nos supermercados nem em lugar nenhum, a não ser em hotéis e restaurantes chiques. Para beber relativamente barato você tem que ir numa lojinha dessas. O mais legal é que por incrível que pareça eu estou na Índia aprendendo um pouco de Espanhol! Uma língua que nunca tive muita vontade de aprender, mas agora me arrependo de não ter investido, porque iria ser legal conversar com esses caras em espanhol. Tá, interrompendo um pouco a história, eu filosofei hoje enquanto andava num rickshaw que saber uma língua que as pessoas ao redor não sabem é um recurso muito bom em certas ocasiões e tive a ideia louca de que cada grupo de amigos deveria ter um língua própria, porque é como se você transmitisse uma mensagem pra outra pessoa quase que por telepatia, a mensagem só chega a quem te interessa! Tá certo que na verdade é sacanagem e você acaba excluindo pessoas no ambiente da conversa. Mas que é muito útil dependendo da situação é!

Enfim, compramos as cervejas praticamente quentes e voltamos. Lá comi a comida que estava boa, mas extremamente picante. Sim, realmente picante! Mais picante que a comida mais picante que eu comi até agora na Índia. É, entendam, eu comi uma comida típica da Tunísia na Índia, cada dia aqui é uma caixinha de surpresas mesmo! Ah, e vou atender às pessoas que andam me pedindo pra tirar foto das comidas, farei isso! No mais, cara... tava tão picante que eu comecei a soluçar. Então mandei junto com a cerveja quente. Por incrível que pareça meu estômago não reclamou dessa combinação exótica. Agora, constatei uma coisa, o pessoal lá tomando uma garrafa sozinho de 650ml de cerveja quente! Tipo, não que eles sejam cachaceiros, mas pra esse pessoal a ideia é você só tomar uma garrafa de cerveja quente e pronto. O que eu tive que explicar é que aquilo é bastante absurdo na cultura brasileira (de forma bem humorada, claro, mas por dentro eu estava revoltado, sério!). Eu expliquei que no Brasil (sim, isso vai soar óbvio pra vocês), compramos uma garrafa de 650ml gelada, quase empedrando, e tomamos em copos, geralmente dividimos com todo mundo na mesa. Aí eu entendi porque eles estranharam tanto eu ter comprado mais de uma garrafa.

Após esse jantar bem apimentado (na verdade eu fui no banheiro e bochechei bastante água pra amenizar). Eles me convidaram a ir numa boate não muito longe e dormir no apartamento. Também foram muito legais e me emprestaram uma toalha limpa pra que eu pudesse tomar um banho (eu, como um bom brasileiro que gosta de estar bem cheiroso e não-preguento agradeci loucamente). Pegamos o rikshaw e fomos nessa boate tranquila e vazia (que bom, terroristas não atacam lugares vazios como aquele, relaxe aí Mamis!). Dançamos e tomamos umas cervejinhas lá (geladas, como devem ser). E encontramos mais pessoas do ace program. O que já percebi é que todos do ace program são como um bom grupo de amigos, todos gostam de sair juntos e se enxergam como pessoas vindas do mesmo lugar (o que é verdade, somos todos terráqueos!).

A festa acabou às 2h da manhã! O que principalmente pra mim, os sul americanos e as americanas, achamos um absurdo! Na minha cabeça pensei 'velho! 2h da manhã eu tô com meus amigos na mesa do escondidinho lá em Aracaju pensando em pedir polenta frita, ah, e mais uma heineken bem gelada, por favor!'. Então entrei no rikshaw com um dos peruanos. Estava chovendo (sério?) e pedimos pro motorista ir pro R-city Mall que não era tão longe dali (pros padrões aracajuanos é até longinho, mas pra Mumbai, fica de um bairro pro outro). Só que o motorista nos levou na caixa prego, um pouco depois da casa do chapéu, se bem que eu vi uma placa indicando que dali reto era Bolivari, ou seja, estávamos no rumo certo pra casa do caralho. Ele nos levou pro City Mall. Cara, eu e o peruano 'barriamos' absurdamente, porque o peruano tinha sido bem claro, R-city Mall, o que fazia mais sentido julgando onde estávamos. Aí voltamos aquele caminho todo e quando passamos por um buraco na avenida o rikshaw quebrou (ê beleza!). Eu falei 'puta que pariu!' e o peruano 'puta madre!'. Bom, pelo menos rapidinho passou outro rikshaw e o motorista do que estávamos conversou em hindi pro cara (sim, aqui sempre que um hindi fala em hindi, óbvio, o povo não fica se fazendo de besta como às vezes fazem com nosso inglês, porque muito indiano tem noção básica de inglês já que eles aprendem na escola para se comunicarem com indianos dos outros estados que falam línguas diferentes, não sei se eu já havia explicado isso pra vocês).

Chegamos são e salvos no apartamento do peruano em Powai. Me arrumaram um colchonete e eu dormi ali até meio dia do outro dia. Levantei, vi que os caras estavam dormindo profundamente. Eu não estava nem um pouco afim de esperar eles... levantarem, fazer as higienes, decidirem onde comer, putz! E ainda mais, a bateria do meu telefone tinha acabo de arriar. Ou seja, uma parte de mim também havia acabado de arriar! Dei tchau pra um africano que mora lá e fui embora. Só que, vocês não vão acreditar! Do lado da porta do elevador dava pra ver através do vidro fosco na porta do outro apartamento. Estava rolando um ritual! Havia um cara que aparentava ter uns 20 anos e um senhor, ambos sentados de joelhos como japoneses. Até aí tudo bem, o problema é que havia uma fogueira no meio da sala, sim, um fogueira! Maldita hora pra bateria do telefone arriar! Eu fiquei bestificado vendo o cara colocando uma espécie de óleo e a fogueira aumentando e o apartamento se empesteando de fumaça! Eu pensei 'esse povo é doido, só pode!'.

Bom, peguei um rikshaw pra estação de trem em Andheri, ficava na casa do chapéu em relação ao apartamento. Desci do trem em Bolivari e eu estava faminto. Tão faminto que eu não poderia esperar ir para a acomodação, tomar banho e ter que procurar onde comer às 2h da tarde. O problema é que eu estava rodando em modo offline, ou seja, tive que me virar com a informação que eu tinha em cachê, ou seja, o caminho até o Mc Donalds que fica relativamente próximo à estação. Eu queria e não queria comer outro Chiken Maharaja Mac, mas sabia que havia uns mini shoppings no caminho até lá, então entrei em um deles e comi 2 salgados (um era um sanduíche de frango picante e o outro um pão com frango moído picante com frapê de café e chocolate, uma delícia!). Só que um dos salgados tinha no título 'spicy chicken' (frango picante), mas tava muito de leve o picante, muito mesmo! O que me fez formular algumas teorias, eu pensei 'tá, tudo bem, aqui quando tem dizendo que é picante, é porque é mais picante que a média... será que eu to ficando com a língua indiana, tipo, acostumado? Será que isso não é tão picante assim mesmo ou... será que o negócio mega picante do cara da Tunísia coisou a minha língua e agora eu nem sinto picante direito?'.

Foi revigorante a sensação de energia voltar pro corpo, pois eu já tava era desmaiando de fome, afinal a última coisa que eu tinha comido tinha sido o ensopado mega picante da noite anterior. Voltei pra acomodação, fui no Oberoi Mall em Goregaon, que é relativamente perto daqui, e comprei uma extensão indiana. Aqui as tomadas são de dois ou três pinos, mas o encaixe é algo como se fosse 2x a grossura ta tomada brasileira, mas pelo menos minhas tomadas encaixam nessa extensão. Voltei e chovia muito (não me diga?).

No mais, na terça-feira estou me mudando pro meu flat em Sun City, na borda leste de Powai (há um ônibus que leva 20min~30min até Thane, daquele com ar-condicionado que vem dos céus pra levar Leonardo no trabalho). Estou realmente ganhando gosto por escrever nisso aqui, adoro seus elogios e críticas pessoal!
Namastê!